Resenha da Crônica: "This Is Your Country on Drugs: The Secret History of Getting High in America", de Ryan Grim (2009, John Wiley & Sons, 264 págs., US$ 24,95, capa dura)
Phillip S. Smith, redator/editor
"This Is Your Country on Drugs" [Este é o seu país drogado] é uma grata adição à bibliografia sobre as drogas. Com ele, o autor Ryan Grim produziu um relato divertido, esclarecedor e acessível da relação de amor e ódio dos Estados Unidos com as substâncias psicoativas que vai do começo do país até os dias de hoje.

Desse ponto em diante, Grim começa e faz o leitor dar uma volta pelos Estados Unidos drogados. Grim pula da escassez do LSD da primeira década do Século XI aos hábitos de beber bebidas alcoólicas dos anos que precederam a Guerra de Secessão dos EUA, a ascensão do movimento abstêmio e a seguinte queda do consumo de álcool – que, lógico, foi acompanhada por uma primeira onda de consumo de ópio em meados do Século XIX.
Deveria haver sido uma lição precoce sobre as conseqüências involuntárias das políticas proibicionistas, mas, lógico, não foi. Os estadunidenses ávidos de consciências alteradas não só encontraram um sucedâneo para a birita nos comprimidos e nos preparos de ópio de meados do século, mas voltaram a fazer isso nos anos 1890, quando o sentimento de proibição do álcool se fortaleceu, o que alhanou o terreno para as primeiras “epidemias” de drogas “modernas”.
Como Grim o demonstra, é uma lição repetida várias vezes, mas que continua não sendo aprendida. Depois que o governo dos EUA tomou medidas enérgicas contra a cocaína no início do século passado, dito e feito, o consumo de metanfetamina começou a decolar. Após tomar medidas enérgicas contra as anfetaminas por volta de 1970, dito e feito, a cocaína fez uma reaparição. Com a guerra contra a cocaína e a aceitabilidade social em queda, o que surgiria senão a metanfetamina?
Grim também desentranha as conseqüências involuntárias dos trabalhos antidrogas nixonianos e reaganistas, ambos os quais ajudaram a alhanar o terreno para o surgimento dos cartéis mexicanos, tão sanguinariamente noticiáveis hoje em dia. As medidas enérgicas de Nixon contra a maconha instigaram os contrabandistas a mudarem para a cocaína e as medidas enérgicas de Reagan contra o narcotráfico caribenho em Miami simplesmente mudaram as rotas do contrabando do mar para a terra, do Caribe para o México. Menos de 20 anos depois disso, enfrentamos na fronteira o monstro de Frankenstein que são os cartéis.
Se restar alguma dúvida sobre isso, "This Is Your Country on Drugs" deixa eminentemente claro que os estadunidenses gostam de ficar chapados – e sempre ficaram chapados. Fundando-se em uma ampla variedade de fontes, de documentos primários a guerreiros antidrogas do governo estadunidense, Grim oferece uma história episódica do consumo de drogas nos Estados Unidos que será esclarecedora para a maior parte dos leitores e até mesmo teve algumas surpresas para o arisco historiador das drogas, este que vos fala. Quem diria que as importações de ópio aumentavam ao passo que o consumo de álcool caía nos anos 1830?
"This Is Your Country on Drugs" é menos uma polêmica do que uma história social, embora Grim deixe claro que acha que a proibição é uma perda de tempo. “A proibição ajuda a criar as mesmas condições que tornam a proibição ineficaz”, escreve ao explicar que a natureza descentralizada dos mercados de drogas transforma a captura de peixinhos em algo muito, muito mais fácil do que pegar o peixe grande.
O livro também está na ordem do dia. Cobre a ascensão da maconha medicinal, a “metademia” [methedemic] dos anos 1990 (de maneira interessante, observa que um bom sinal de que uma “epidemia” de drogas chega ao fim é o de que os meios de comunicação de massa anunciam seu começo sem fôlego) e a crescente popularidade da sálvia, do daime e de outros psicodélicos desta década.
Receio não haver feito jus ao livro, não mencionei o suficiente o que Grim cobre. Você terá de comprar este livro, lê-lo por si mesmo e me avisar. Com certeza aprenderá algo se fizer isso.












digg
reddit



