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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Washington e Bogotá estão prestes a finalizar acordo para transformarem base aérea militar colombiana em centro regional de operações antidrogas e mais

    Na quarta-feira, a Associated Press informou que negociadores estadunidenses e colombianos estão beirando um acordo sobre um plano para expandir a presença militar estadunidense na Colômbia ao permitir que os EUA baseiem centenas de estadunidenses em uma base aérea localizada no vale do Rio Madalena a fim de dar suporte às missões de interceptação de drogas dos EUA. Uma quinta e última rodada de negociações no fim deste mês pode fechar o negócio.

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    cartaz contra o Plano Colômbia (por cortesia do CMI Colômbia)
    A base ocuparia o vazio antidroga deixado pelo término das operações de interceptação a partir do Aeroporto Internacional de Manta no Equador, que está agendado para esta semana. A base de Manta servira de lar para uns 220 estadunidenses que pilotavam os aviões de reconhecimento E-C AWACS e P-3 Orion, os quais passavam um pente-fino na região norte da América do Sul e do Pacífico Leste em busca de navios e aviões de que suspeitavam que transportassem drogas. Porém, o presidente equatoriano Rafael Correa se negou a renovar o contrato de arrendamento dos EUA ao dizer que a missão militar estadunidense ali infringia a soberania do país.

    Funcionários colombianos disseram à AP que o plano era o de transformar a Colômbia em um centro regional de operações do Pentágono. O esboço atual do plano, disseram, permitiria visitas mais freqüentes de aeronaves e navios de guerra estadunidenses a duas bases navais e três bases aéreas na Colômbia. A base aérea de Palanquero seria o eixo do plano. Palanquero estava proibida para as Forças Armadas dos EUA até abril por motivos ligados aos direitos humanos – um helicóptero militar colombiano que atuava a partir de Palanquero matara 17 civis em 1998.

    Mas agora isso são águas passadas. Um projeto que já foi aprovado pela Câmara e está à espera de aprovação no Senado alocaria US$ 46 milhões a novas construções na base, que aloja a principal esquadrilha de aviões de caça da Força Aérea Colombiana. As verbas seriam liberadas 15 dias depois de se chegar a um acordo.

    O presidente colombiano Álvaro Uribe é um dos poucos aliados incondicionais restantes dos Estados Unidos na região e a aceitação do acordo sobre a base poderia complicar mais as relações já tensas entre Colômbia, Equador e Venezuela, seus vizinhos mais de esquerda. Igualmente, isso certamente preocupará os latino-americanos que desconfiam das intervenções estadunidenses na região.

    Tais inquietações não são minoradas por documentos de planejamento do Pentágono que indicam que, além de sua missão antidroga, Palanquero poderia ser uma “localização de segurança cooperativa” a partir da qual “seria possível executar operações de mobilidade”. Em outras palavras, um ponto de partida para as forças armadas expedicionárias dos EUA.

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    a erradicação da coca
    Os Estados Unidos injetaram vários bilhões de dólares em ajuda sobretudo aos militares e às polícias na Colômbia desde o princípio do Plano Colômbia em 1999. Definido inicialmente como um programa puramente antidroga, durante o governo Bush assumiu o ônus adicional da contra-insurgência ao definir as guerrilhas esquerdistas das FARC como narcoterroristas que devem ser derrotados.

    Apesar de todos os bilhões em ajuda antidroga, a Colômbia continua sendo o maior produtor de coca e cocaína do mundo. O vizinho Peru é o segundo e a Bolívia ocupa o terceiro lugar. Com o presidente Evo Morales à frente, a Bolívia também faz parte do emergente bloco de esquerda na América Latina.

    Rafael Pardo, ex-ministro colombiano da Defesa que é candidato à presidência nas eleições de maio de 2010, disse à AP que o poder de interceptação dos radares e da comunicação dos aviões de reconhecimento estadunidenses pode se estender muito além das fronteiras da Colômbia e causar problemas com seus vizinhos.

    “Caso se trate de lançar vôos de vigilância sobre outras nações, então acho que seria desnecessária a hostilidade da Colômbia para com seus vizinhos”.

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