CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Exército mexicano é acusado (de novo) de tortura em combate às drogas

    Desde que o presidente mexicano Felipe Calderón convocou as Forças Armadas para que se somem à luta contra os violentos cartéis, observadores advertiram que envolver os militares na imposição da lei é uma forma certa de provocar abusos contra os direitos humanos. Ontem, o Washington Post informou acusações de vítimas, famílias, líderes políticos e observatórios dos direitos humanos de que o Exército levou a efeito desaparecimentos forçados, batidas ilegais e atos de tortura ao travar a guerra contra os cartéis. Não é absolutamente a primeira vez que tais acusações são feitas.

    http://stopthedrugwar.org/files/ricardo-murillo.jpg
    cartaz de Ricardo Murillo, militante dos direitos humanos assassinado
    O informe do Post mostra um claro padrão de abusos contra os direitos humanos pelo México afora. Em um vilarejo montanhês em Guerrero, os moradores relataram como soldados enfiaram agulhas debaixo das unhas de um agricultor deficiente, esfaquearam seu sobrinho de 13 anos, atiraram contra um pregador e roubaram alimentos, leite, roupas e medicamentos. Em Tijuana, em março, 24 policiais presos por acusações de delitos de drogas alegaram que haviam sido espancados e torturados a fim de extrair confissões.

    É uma velha estória. No início deste ano, depois que o Exército mexicano entrou com estrondo em Ciudad Juárez para colocar um fim em uma onda de assassinatos, os habitantes locais informaram abusos parecidos. No ano passado, houve uma matéria na Crônica sobre soldados matando civis em Sinaloa e a campanha de Mercedes Murillo, ativista dos direitos humanos da região, para refrear os abusos. Apresentaram-se mais de 2.000 outros casos com acusações que vão de furtos e roubos, passando por estupros, a tortura e assassinatos a observatórios nacionais dos direitos humanos.

    “O que acontece é que o Exército os leva às suas bases, e, lógico, uma base militar não é lugar para deter pessoas suspeitas de um crime. Então, começam a fazer-lhes perguntas”, disse Mauricio Ibarra, coordenador de Comunicação e Projetos da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH, na sigla em espanhol). “Para tirar informações deles, usam a tortura”.

    Os EUA são a favor da ofensiva de Calderón contra os cartéis através da Iniciativa Mérida de US$ 1,4 bilhão, mas, segundo essa lei, 15% dessas verbas devem ser retidos até que a secretária de Estado informe que o México fez progresso nos direitos humanos. Esse relatório deve ser entregue ao Congresso dos EUA em semanas. Para o Departamento de Estado dos EUA, será difícil argumentar que a situação dos direitos humanos está melhorando no México, mas, com a política do combate às drogas em jogo, tudo é possível.

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