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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Cultivo de coca e produção de cocaína caíram no ano passado, diz UNODC

    Em seu Relatório Mundial sobre as Drogas de 2009 publicado na quarta-feira, o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC) informou que o cultivo de coca e a produção de cocaína haviam caído ligeiramente no ano passado. O relatório atribuiu a maior parte da queda a uma tremenda campanha de erradicação na Colômbia, que não foi compensada por aumentos modestos na produção de coca no Peru e na Bolívia.

    http://stopthedrugwar.org/files/coca-statues.jpg
    estátuas de folhas de coca no Parque Municipal de Pichari no Peru
    De acordo com o UNODC, houve 167.000 hectares de coca cultivada no ano passado, sendo que a Colômbia respondeu por quase a metade com 81.000 hectares, o Peru com 56.000 e a Bolívia 30.500. O número está abaixo dos 181.000 hectares de 2007 e é consideravelmente inferior aos mais de 210.000 hectares informados no período de 1999-2001, mas superior aos números de 2005 e 2006.

    O UNODC calculou a possível produção de cocaína em 845 toneladas, quantidade inferior à de qualquer ano desde 2002 e uma queda de 15% em relação às 994 toneladas de 2007. Porém, apesar dos bilhões de dólares gastos para suprimir a produção de cocaína pelos EUA e seus aliados e estados-clientes, o número de 2008 apenas é ligeiramente menor do que as 891 toneladas informadas 15 anos atrás depois de campanhas contra a coca e a cocaína no Peru e na Bolívia, mas antes do começo do Plano Colômbia em 1999.

    O relatório atribuiu a queda ao programa de erradicação agressivo da Colômbia. Além dos 133.000 hectares fumigados com herbicidas na Colômbia, a erradicação manual arrancou outros 95.000 hectares de arbustos de coca. Embora a Colômbia tenha fumigado mais de 130.000 hectares todo ano desde 2002, a erradicação manual se equipara a isso com rapidez. Aumentou de 2.700 hectares em 2002 para 32.000 em 2005 e 67.000 em 2007. As quantidades erradicadas no Peru e na Bolívia eram insignificantes quando comparadas com os números da Colômbia.

    Sanho Tree, analista de políticas de drogas para o Institute for Policy Studies, ao escrever ontem no Latin American Advisor (somente mediante uma cara assinatura) do Diálogo Inter-Americano, indicou outra explicação para a redução do cultivo na Colômbia: em vez de apenas voltar a semear as plantações de coca erradicadas, como costumavam fazer, no ano passado, os agricultores conseguiram tirar partido de um esquema Ponzi ainda não arruinado que inundou o campo de capital, o que propiciou outras oportunidades, como inaugurar restaurantes e outros pequenos negócios. Mas esse boom foi frustrado em novembro e, agora, os agricultores estão semeando com tudo, escreveu Tree.

    “Cuidado com as luzes no fim do túnel porque provavelmente são um trem vindo na direção contrária”, advertiu Tree. “Quando estive na região sul da Colômbia há quatro meses, as pessoas se encontravam em um estado terrível de penúria econômica e replantavam a coca para valer”.

    A redução da oferta de cocaína pode estar impactando os preços. O UNODC informou que os preços no varejo do grama nos EUA chegaram a seu ponto mais baixo com mais ou menos US$ 85 em 2005 antes de subirem para cerca de US$ 120 no ano passado. Mas isso ainda está muito abaixo dos US$ 160 por grama informados em 1990, o primeiro ano da série de preços do UNODC.

    Contudo, de acordo com o UNODC, embora o consumo de cocaína esteja caindo nos EUA, o maior mercado do mundo, e se estabilizando na Europa após anos de popularidade em alta, continua crescendo na América do Sul e, recentemente, na África Ocidental.

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