Canadá: Novo programa-piloto de manutenção com heroína entrará em andamento no fim deste ano
Apesar das lutas na Justiça para fechar o Insite, a única sala de injeção do Canadá, o governo federal conservador desse país está proporcionando verbas a um programa-piloto de prescrição de heroína em Vancouver e Montreal. O programa passará a oferecer heroína a uns 200 usuários inveterados no fim deste ano.
Conhecido como SALOME (o Estudo para Avaliar a Eficácia da Medicação Opiácea de Períodos Mais Longos, na sigla em inglês), o programa se fundamenta em um programa parecido de vários anos de duração de Vancouver que acabou no ano passado. Tal programa, a NAOMI (a Iniciativa Norte-Americana de Medicação Opiácea, na sigla em inglês), foi financiado com US$ 8 milhões dos Institutos Canadenses de Pesquisa Sanitária mediante a aprovação do Ministério da Saúde do Canadá, porém o governo do primeiro-ministro Steven Harper se negou a reconhecer publicamente as descobertas de pesquisa de que a saúde física e mental dos participantes melhorou e que cometeram menos crimes.
Contudo, os Institutos de Pesquisa Sanitária contribuem silenciosamente com US$ 1 milhão para o SALOME. Josee Bellemare, secretário de imprensa da ministra Leona Aglukkaq da Saúde, disse ao Toronto Globe & Mail: “Nosso governo reconhece que os usuários de drogas injetáveis precisam de ajuda. Por isso, estamos investindo na prevenção e no tratamento para ajudarmos as pessoas a se recuperarem de suas dependências”.
O ensaio de três anos de duração oferecerá heroína tanto em comprimidos quanto em formas injetáveis e também administrará hidromorfona para ver se é possível utilizá-la como sucedâneo. O ensaio tratará de avaliar se a heroína receitada é um tratamento seguro e eficaz e se os usuários aceitarão a droga em comprimidos. Atualmente, os pesquisadores estão recrutando consumidores inveterados que não reagiram aos tratamentos convencionais e dizem que esperam que as clínicas estejam funcionando nas duas cidades até o semestre que vem.
O Canadá se soma à Grã-Bretanha, à Dinamarca, à Holanda, à Espanha e à Suíça como países em que há programas de prescrição de heroína quer em caráter permanente, quer em período de teste. Na semana passada, o parlamento alemão votou em aderir também.












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