Matéria: 4/20 (20/04) – Um dia para celebrar ou repreender?
Durante as últimas três décadas, o 4/20 (20/04) penetrou sub-repticiamente - e logo pulou – na consciência pública como o Dia Nacional da Maconha extra-oficial nos EUA. Embora as origens e a importância do 4/20 (20/04) enquanto feriado da maconha sejam um assunto polêmico, a versão mais aceita é a relatada por Steve Hager, editor da revista High Times. (Assista a um vídeo explicativo publicado no YouTube em inglês aqui.) Hager explica que o 4/20 (20/04) começou em 1971 como código para um pequeno grupo de fumantes de maconha da Escola Secundária de San Rafael na Califórnia que se reunia depois das aulas às 04:20 da tarde para se entregarem ao vício deles.

estudante ativista panfletando durante comício de 4/20 (20/04) de 2007 em Toledo no Ohio
Porém, isso não aconteceu somente em Boulder e Santa Cruz. Eventos do dia 4/20 (20/04) pelos EUA afora, sendo que milhares de pessoas se reuniram em Denver e outra grande multidão em São Francisco. Na Cidade de Nova Iorque, a High Times deu uma festa. Em Oakland, os militantes pró-maconha medicinal aproveitaram a ocasião para celebrarem um evento para angariar fundos. Em Memphis, centenas participaram. Em Saratoga Springs, Nova Iorque, cerca de 100 estudantes do Skidmore College o celebraram. É possível ouvir relatos parecidos de campi e comunidades pelo país afora.
“Chegou a hora de celebrarmos nosso passatempo, acho que podem chamá-lo desse jeito, ou substância adulta de escolha”, disse Richard Lee, presidente da Universidade de Oaksterdam, uma escola vocacional para trabalhadores de clubes canábicos em Oakland, à Associated Press. “É como o Dia de São Patrício para quem bebe”.
Os maconheiros não foram os únicos a reconhecer o dia 4/20 (20/04). A emissora G4 de televisão a cabo exibiu uma programação pró-maconha o dia todo. A emissora Showtime de televisão a cabo enviou um correio eletrônico em massa para promover sua série de sucesso “Weeds”. Parece que o dia 4/20 (20/04) fez por merecer.
Mas, embora o dia 4/20 (20/04) demonstre ser enormemente popular junto à Nação Canábica e a empresários empreendedores, a mesma coisa não vale para seus críticos. Alguns dos temas que mencionam serão familiares para qualquer um que tenha acompanhado os debates no movimento sobre estratégia e táticas. Será que o espetáculo de consumo de drogas e infração da lei em massa ajudam o movimento? Malakkar Vohryzek acha que não.
Vohryzek, coordenador do escritório de Nova Iorque para a organização Drug Policy Alliance, atacou as celebração do 4/20 (20/04) em uma entrada em um blog no mesmo dia, In Opposition of 4/20 [Em oposição ao 20/04] no dia 20/04. “Esta celebração anual parece o quê? Infantil. Como se nossos opositores a políticas de drogas sensatas tivessem mais sensatez do que nós. Eles celebram suas vitórias em condições reais com um ângulo que faz parecer que realmente estão conseguindo alguma coisa (quando, na verdade, a proibição fracassou por todas as medidas). Seus indicadores resultam em mais fundos, mais aceitação em círculos políticos, mais aceitação enquanto maneira adequada de lidar com as drogas em nossa sociedade. As celebrações do dia 4/20 (20/04), por outro lado, parecem imbecis. Apesar do fracasso retumbante em alterar radicalmente a paisagem das políticas de drogas, apesar das centenas de milhares de vidas arruinadas pela proibição da cânabis, estas celebrações fazem aqueles que apreciam ou precisam da cânabis parecerem pessoas que simplesmente ficam felizes em festejar”, prosseguiu.
Embora Vohryzek se empenhasse em esclarecer que era a favor de acabar com a proibição das drogas, até que libertassem os presos por cânabis, disse, “os festejos do dia 4/20 [20/04] podem ir ao inferno”. Em vez de celebrar, a Nação Canábica deveria passar o dia 4/20 (20/04) “protestando contra a política insensata da proibição da cânabis – exigindo anistia, indulto e/ou perdão para todos os ‘infratores’ por cânabis. Assim que conseguirmos algo assim, daí celebraremos”.
“As celebrações do dia 4/20 [20/04] fomentam um estereótipo de maconheiro que, na verdade, nos prejudica”, disse Vohryzek na quarta-feira ao apontar as inevitáveis fotos nas primeiras páginas dos jornais com pessoas muito jovens fumando maconha em público. “Mesmo quando estava no meio de minha carreira com as drogas, não celebrava isso publicamente”, disse Vohryzek, cuja carreira acabou depois que foi preso por acusações relacionadas ao LSD.
Na qualidade de ex-preso da guerra às drogas, disse Vohryzek, “acho inofensivo que as pessoas se empenhem tanto em celebrar sem prestarem nenhuma atenção em toda aquela gente atrás das grades. Fico ofendido porque as pessoas estão celebrando enquanto a proibição ainda está em vigor. O que acha que as pessoas na prisão ou em tratamento pensam quando vêem estes eventos? Precisamos combinar estes eventos do dia 4/20 [20/04] com protestos para dizer que não celebraremos enquanto ainda houver gente na prisão.
Vohryzek também criticou os eventos do dia 4/20 (20/04) por considerá-los “privilegiados” e por “passar a idéia errada”. “Não deveríamos incentivar consumo de drogas nenhum”, disse. “Não existe um dia nacional para cheirar metanfetamina. Também há uma dinâmica racial. Fumar maconha é protegido por privilégio, seja a cor da pele, seja uma certa quantidade de dinheiro no banco, então há uma espécie de aspecto discriminatório nisso. Não há um 4/20 [20/04] nas quebradas porque os policiais tomariam medidas enérgicas. O dia 4/20 [20/04] acontece em subúrbios ou campi universitários brancos, onde o privilégio protege os participantes”, disse.
Bruce Mirken é o diretor de comunicação para o Marijuana Policy Project e disse: “Não celebramos festas do dia 4/20 [20/04] porque pensamos que há muito valor em deixar que as pessoas vejam o lado não-estereotipado de nosso movimento”, disse. “Ainda tenho de agüentar piadas demais sobre maconha e maconheiros”.
Mas, disse Mirken, há espaço para todo mundo. “Somos um movimento grande e misturado e crescemos cada vez mais todo dia ao passo que as pessoas saem do armário. Isso é saudável. Tenho um longo passado em outros movimentos em que houve debates parecidos e sempre resisti a tentar censurar alguém. Acho que deveríamos deixar o mundo ver as multidões de pessoas que ou consomem maconha ou pensam que as leis precisam ser mudadas, mas, ao mesmo tempo, se uma pessoa vai a um evento público, não custaria nada pensar na possibilidade de aparecer no noticiário noturno. Você vai aparecer de modo a ajudar as pessoas a entenderem e fazerem progredir a questão ou não?”
Mason Tvert da SAFER, ativista do Colorado, disse que sua atitude a respeito dos eventos do dia 4/20 (20/04) estava mudando. “Há muito que sustento que estas coisas não são necessariamente úteis”, disse. “Podem ser contraproducentes em termos de cobertura da imprensa; em muitos casos, passam a idéia de que os fumantes de maconha são irresponsáveis, de que estão infringindo a lei abertamente”.
Porém, o evento em Denver esta semana e a atenção que recebeu dão mostras de uma mudança, disse. “Passei por uma mudança em minha atitude que acho que reflete uma mudança na atitude da opinião pública”, disse Tvert. “A manchete no Denver Post era ‘Festa de maconha pacífica em centro cívico’ e me citaram sobre os policiais que simplesmente estavam parados sem nada para fazer. Nenhum incidente, nenhuma prisão, nenhum ferido. Se esses policiais estivessem em um jogo de futebol americano da Universidade do Colorado com toda a bebedeira, estariam com o uniforme da tropa de choque”.
Tvert discordou da caracterização de “privilegiados” em relação aos participantes do dia 4/20 (20/04) que Vohryzek fez. “Aqui em Denver, a maioria das pessoas era de jovens negros e hispânicos, nada de moleques brancos de classe alta. Esse argumento do privilégio da pele absolutamente não correspondeu em Denver”.
Também há uma certa hipocrisia em irritar-se com as pessoas por consumirem maconha em público, disse Tvert. “Talvez não seja a melhor imagem para nossa causa, mas tenha em mente que há eventos públicos para se embebedar o tempo todo e tenha em mente que o dia 4/20 [20/04] é muito mais seguro do que qualquer evento ou festa esportiva movida a álcool. Temos de ressaltar o lado positivo, seguro e pacífico destes eventos. Simplesmente compare o Festival do Cânhamo com o Carnaval”.
Mesmo se os líderes do movimento, com toda a sua sabedoria, decidiram que eventos como o dia 4/20 (20/04) são ruins para o movimento, eles não vão sumir, não, disse Tvert. “Aqui em Denver, há anos que as pessoas estiveram se reunindo para comemorar o 4/20 [20/04]. Vão acontecer quer a SAFER ou a DPA ou o MPP goste ou não. O nosso trabalho é descobrir como aproveitar essa energia. Há centenas de pessoas inscrevendo-se para se envolver nestes eventos e isso é bom”.
Além disso, essa é provavelmente a abordagem mais sensata à celebração anual da subcultura da maconha. É um verdadeiro fenômeno de base que se infiltra em comunidades e campi pelos EUA afora como tantas águas borbulhantes de narguilés e agora parece estar virando uma tendência predominante também. O dia 4/20 (20/04) pode não ser o rosto ideal para o movimento pró-reforma da legislação sobre a maconha, mas é o rosto de muitas das pessoas às quais o movimento afirma servir.












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Maconha
Comment posted by JAMAICA on Segunda, 09/21/2009 - 1:49pmEu fumo maconha porque eu gosto nao para fazer os outros gostarem.
os gavernates que sao contra ja fumaram
todos fumam um dia
e como a pessoa vai fala de uma coisa que ela nunca esperimento ... :S
mas a maconha tem que ser legalizada pois aqueles governates roubam e nem isso um usuario de maconha faz ..