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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Sendeiro Luminoso mata 14 soldados em região cocaleira peruana

    Na semana passada, as guerrilhas de esquerda do Sendeiro Luminoso mataram 14 soldados peruanos em duas emboscadas no Departamento de Ayacucho, localizado na região cocaleira longínqua e acidentada do VRAE (o Vale dos rios Apurímac e Ene), e prometem voltar a fazer isso. O ataque da semana passada contra os militares foi o mais sanguinário desde outubro passado, quando 13 soldados e dois civis foram mortos em uma tocaia contra um comboio militar no Departamento de Huancavelica.

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    um país difícil para a caça a terroristas
    O Sendeiro Luminoso teve origem no Departamento de Ayacucho como movimento revolucionário maoísta com raízes que remontam aos anos 1960. Na década de 1980, em uma tentativa total de chegar ao poder, o Sendeiro Luminoso lutou contra as forças do governo em uma insurgência e combate à insurgências impiedosas que deixaram 70.000 peruanos mortos antes de Abimael Guzmán, o fundador e líder do grupo, ser capturado em 1992.

    Em seu apogeu, o Sendeiro Luminoso contou com 10.000 homens e milhares e milhares de partidários que lhe proporcionavam infra-estrutura, mas, hoje, calcula-se que o número de seus combatentes armados esteja entre os 300 e os 500. No geral, sustenta-se que o grupo se desfez de sua ideologia e se acomodou a uma vida de cartel criminoso. Mas, continua pregando.

    “O objetivo é golpear as forças vivas do inimigo, as Forças Armadas e policiais e todos os que defendem com armas os interesses do imperialismo”, disse Víctor Quispe Palomino, vulgo “Camarada José”, em uma ligação a uma emissora de rádio, informou a Reuters.

    As emboscadas e as ameaças foram a resposta mais enérgica do grupo a uma tentativa do governo peruano de reaver o controle do VRAE, onde umas 40.000 famílias se sustentam com as plantações de coca. Desde que esse trabalho se pôs em andamento no último mês de agosto, pelo menos 33 soldados foram mortos.

    A medida no VRAE faz parte da tentativa geral do presidente Alan García de suprimir a produção de coca através de programas de erradicação respaldados pelos EUA. Na qualidade de segundo maior produtor de coca do mundo, o Peru recebe verbas dos EUA para seus programas de erradicação. O plano de García também inclui a construção de escolas e hospitais em municípios remotos, mas parece que o Exército marca uma presença maior do que as equipes de desenvolvimento do governo.

    Porém, o Sendeiro Luminoso também dá mostras de ser endinheirado. Como o Talibã no Afeganistão, lucra com a proibição e os resultados podem ser mortíferos, dizem os que criticam o programa de García. “O Sendeiro Luminoso usa cada vez mais poder de fogo a cada ataque”, disse Fernando Rospigliosi, ex-ministro do Interior, à Rádio RPP em Lima. “A operação Excelente, chamada assim ironicamente, é um desastre. Desde essa data (dezembro de 2006) até agora, a única coisa que temos são dezenas de mortos e nem sequer um guerrilheiro do Sendeiro abatido”.

    A situação era “inaceitável”, disse o ex-comandante-geral do Exército peruano, Edwin Donayre. “Há princípios de guerra aplicáveis à guerra convencional e não à guerra não convencional”, disse à RPP. “Os resultados são zero, então é preciso reestruturar a estratégia”.

    Mas, o presidente García não tem papas na língua. “Os terroristas não vão nos parar, não”, disse o mandatário. “A democracia vai prevalecer e nossas Forças Armadas estão capacitadas para esmagá-los, sim. Não vão nos parar”.

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