Cinema: Filme “American Violet” estréia hoje à noite e narra a injustiça de Hearne no Texas
anúncio do estúdio Samuel Goldwyn Films
No dia 17 de abril, o Samuel Goldwyn Films lançará American Violet, um novo filme baseado em fatos reais que ocorreram no pequeno município texano de Hearne. O filme examina como a legislação antidroga e as práticas repressivas visam afro-americanos e como o sistema de justiça lança mão de ameaças e intimidação para conduzi-los a confissões de culpabilidade, apesar de sua inocência ou das provas contra eles. Como aponta o filme, mais de 95% das condenações penais nos EUA são fruto de acordos de confissão de culpabilidade, não do tribunal do júri. Embora o filme se fundamente em um caso específico, a narrativa que representa dificilmente pode ser considerada única ou isolada e o lançamento do filme apresenta uma oportunidade excepcional para explorar de que maneira o combate às drogas virou o novo Jim Crow [N. do T.: As leis Jim Crow de segregação racial que vigoraram de 1876 a 1965 nos EUA.]
American Violet se baseia na narrativa real de Regina Kelly, uma mãe afro-americana solteira de quatro filhas que foi presa em 2000 em um reide antidroga à militar. O reide resultou na detenção de quase 15% da população municipal de negros jovens pelo crime de distribuição de cocaína.
Kelly era inocente. Seu nome e os nomes de muitos outros detidos (quase todos afro-americanos) foram entregues à polícia por um único informante de pouquíssima confiança por motivos pessoais para contrariá-la. Apesar da inocência de Kelly, a família dela e até mesmo seu advogado dativo a instaram a se declarar culpada para que pudesse voltar às filhas e pegar uma sentença mínima. Uma condenação penal, no entanto, teria resultado na perda de seu direito a votar e de programas de previdência social de que a família dela dependia, isso sem falar da conspurcação de sua reputação pessoal e de sua capacidade de arranjar emprego. Ela escolheu manter a inocência dela. O Projeto de Reforma da Legislação sobre a Droga da ACLU aceitou representá-la.
Em American Violet, a personagem cinematográfica de Kelly chama-se Dee Roberts (interpretada pela novata Nicole Beharie) e, no filme, o advogado da ACLU é interpretado por Tim Blake Nelson. Alfre Woodard, Charles Dutton, Will Patton, Michael O’Keefe e Xzibit também atuam. O Município de Melody e certos outros personagens e eventos são fictícios.
Afinal de contas, as acusações contra Kelly são retiradas (assim como as acusações contra a maior parte dos demais que foram detidos no mesmo reide antidroga devido à falta de credibilidade do mesmo informante). Contudo, ela foi separada das filhas dela enquanto ficou presa, desonraram-na em sua pequena comunidade por ser tachada de traficante, despediram-na do emprego dela e ela teve dificuldades para conseguir emprego posteriormente; em suma, acabaram com a vida dela devido à sua detenção e estada na prisão. Graham Boyd, diretor do Projeto de Reforma da Legislação sobre as Drogas da ACLU, representou-a em uma ação contra a comarca e o promotor (entre outras partes) por danos, o que resultou em um acordo.
Mais importante ainda, o caso resultou em uma mudança na legislação texana, conforme a qual já não é possível processar casos somente com base nas afirmações de um único informante.
Visite http://schedule.samuelgoldwynfilms.com/films/american+violet (em inglês) para uma lista das cidades em que o filme está estreando.












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