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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Combate mexicano às drogas visa santos informais dos pobres e dos traficantes

    Cuidado, São Malverde! Fique esperta, Santa Morte! Os inimigos do tráfico de drogas ilícitas violento e próspero do México estão atrás de vocês. No fim de semana passado, o San Diego Union-Tribune informou que as autoridades mexicanas destruíram dezenas de santuários religiosos que prestam homenagem à Santa Morte, uma santa católica informal favorecida pelos pobres e também pelos criminosos e pelos traficantes de drogas, e a São Malverde, uma figura parecida fundada em um salteador camponês do fim do Século XIX.

    http://stopthedrugwar.org/files/malverde-items.jpg
    foto de São Malverde com folha de maconha, chaveiro de Malverde e fivela de folha de maconha com Malverde (coleção pessoal do autor)
    Os traficantes de drogas do México tomaram posse das imagens dos dois santos e elas têm sido encontradas em paredes, tatuagens, pingentes, fivelas e até foram gravadas nas empunhaduras das pistolas. Para a força pública estadunidense, deparar-se com qualquer um dos santos é um forte indício de tráfico de drogas. Porém, os santos também são geralmente reverenciados pelos católicos pobres do México. Marchas pela Santa Morte atraíram milhares de seguidores na Cidade do México e a cerveja de marca São Malverde está à venda em Sinaloa, seu estado natal e sede do Cartel de Sinaloa.

    Quatro santuários à Santa Morte e um a São Malverde foram destruídos no sábado em Tijuana e na Praia de Rosarito ali por perto. O prefeito Jorge Ramos de Tijuana disse que foi uma ação militar, mas as Forças Armadas não confirmaram isso. Dois dias depois, funcionários municipais e federais destruíram outras 34 capelas à Santa Morte que haviam surgido ultimamente ao longo da estrada entre Monterrey e a cidade fronteiriça de Novo Laredo.

    Para os funcionários, os santos não-sancionados estão, como os narcocorridos, celebrando as proezas dos narcotraficantes, prova da cultura das drogas que se infiltra na cultura cívica geral. “É um assunto que deve entabular um grande debate social em Tijuana”, disse Ramos em entrevista nesta semana. “Deveríamos permitir estes espaços onde assassinos de aluguel que matam crianças, famílias e policiais buscam proteção? De que lado estamos? Eu estou lado da tranqüilidade e da seguridade”.

    Ramos, filiado ao Partido Ação Nacional (PAN, na sigla em espanhol) do presidente Felipe Calderón, promove a censura como resposta à narcocultura que vem se disseminando. Ele faz campanha em prol de um pacote de projetos de lei perante a Assembléia da Baixa Califórnia que proibiria a difusão de narcocorridos e também de vídeos e imagens que “glorifiquem” os traficantes e drogas.

    Porém, tais planos contam com seus críticos, os quais argumentam que destruir os santuários não vai conseguir nada e que os santos informais são adorados por muitas pessoas que não têm nada a ver com o narcotráfico. “Destruir estas capelas não vai adiantar nada para diminuir a criminalidade”, disse José Manuel Valenzuela, pesquisador no Colégio da Fronteira Norte, um instituto de pesquisa de Tijuana. “Alguém que vá cometer um crime poderia ir tanto a uma igreja católica quanto a um santuário da Santa Morte ou a lugar nenhum”.

    As pessoas que foram aos santuários de Tijuana na semana passada e descobriram que haviam sido destruídos ficaram muito bravas. “Sinto muita raiva”, disse Zaida Romero, 33, vendedora de roupas usadas e mãe solteira de sete, parada ao lado de uma pilha de escombros e metais retorcidos no dia em que os santuários foram destruídos no dia 21 de março. “Ela me ajudou muito, muito, muito mesmo”, disse Romero, enquanto explicava que a Santa Morte a auxiliara a superar o câncer.

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