CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

    About DRCNetStop the Drug War (DRCNet) is an international organization working for an end to drug prohibition worldwide and for interim policy reform in US drug laws and criminal justice system. Read more about DRCNet.

    Make a Donation

    Want to stop the drug war? One way to help is to make a generous donation -- member support makes up a critical portion of our budget, and we can't do it without you!

    some organizations DRCNet played a role in starting:


    in Englishen Español

    DRCNet em Português

    Matéria: JIFE pede mais da mesma coisa a respeito de políticas de drogas mundiais – Críticos pedem fim da JIFE

    Hoje, a Junta Internacional de Fiscalização dos Entorpecentes (JIFE) lançou seu último relatório anual (divulgado no dia 20 de fevereiro aqui - em espanhol) sobre a situação mundial das drogas. O relatório indica bastante que a JIFE continua presa no século passado quando se trata de políticas de drogas.

    http://stopthedrugwar.org/files/jife.jpg
    folheto da JIFE
    A JIFE é a agência independente e quase-judicial das Nações Unidas que monitora a conformidade com as convenções antidrogas da ONU, a espinha jurídica da proibição mundial das drogas. Enquanto tal, no geral, ela tem sido muito conservadora e, apesar do clamor mundial cada vez mais alto por uma nova abordagem, parece que este ano não será diferente.

    Neste ano, um dos alvos da ira da JIFE é a maconha, a qual a agência diz que a comunidade internacional está subestimando. “A comunidade internacional talvez deseje examinar o problema da cânabis”, disse o relatório. “Ao longo dos anos, a cânabis adquiriu mais potência e ela está ligada a um número cada vez maior de admissões aos prontos-socorros”, declarou o relatório enquanto acrescentava que, freqüentemente, a maconha é chamada de “droga inicial”.

    “Apesar de todos esses fatos, o consumo de cânabis costuma ser banalizado e, em alguns países, a vigilância do cultivo da planta de cânabis e do porte e do consumo de cânabis é menos estrita do que a exercida em relação a outras drogas”, reclamou a JIFE. Embora alguns países sejam permissivos em matéria de consumo pessoal e outros permitam o consumo medicinal, as idéias da opinião pública acerca da erva “se superpõem e se confundem”, disse a agência.

    Também criticou os programas de terapia de manutenção com opiáceos e de redução de danos. Os programas de manutenção com heroína violam as convenções da ONU, ainda que algumas práticas de redução de danos facilitem o consumo de drogas, acusa a JIFE.

    Outra grande preocupação da JIFE foi a alta da Internet tanto no tráfico de drogas lícitas quanto no de ilícitas. “Os traficantes de drogas são importantes usuários de criptografia para a troca de mensagens pela Internet e têm condições para contratarem especialistas de alto nível em informática para ajudá-los a se furtar à ação da lei, coordenar as remessas de drogas ilícitas e lavar dinheiro”, advertiu o relatório. “É preciso conseguir uma resposta mundial coordenada para fazer frente a esse desafio”.

    Igualmente, a agência informou que os fornecedores dos químicos utilizados no preparo de drogas ilícitas também lançam mão da Internet. Às vezes, os delinqüentes criam empresas-fantasmas ou autorizações falsas para importarem tais químicos, acusou a JIFE.

    Porém, a JIFE também ficou “alarmada” com o desenvolvimento de farmácias “enganosas” na Internet. Embora reconhecesse “que a venda de produtos farmacêuticos on-line [possa] ter vantagens, especialmente em regiões em que hospitais e serviços farmacêuticos estão muito dispersos, [o INCB] está alarmado pelo fato de que essas farmácias ‘enganosas’ [estejam] fomentando a toxicomania nos grupos vulneráveis”.

    O relatório pediu providências internacionais para “abordar a venda ilegal de medicamentos por meio de farmácias da Internet e de sítios”. “A Internet é um problema e tanto”, disse o professor Hamid Ghodse, presidente da junta. “Por isso, começamos há três anos a entrar em contato com a INTERPOL a respeito da questão. Há farmácias ilícitas na Internet e elas não têm limites naturais”.

    Pelo lado positivo, a JIFE, que se encarrega de monitorar o consumo de analgésicos à base de opiáceos, disse que “milhões de pacientes” estavam sofrendo desnecessariamente e instou os governos a “estimular” o consumo de tais analgésicos. “A OMS considera que o acesso a entorpecentes como a morfina e a codeína é um dos direitos humanos definidos no Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (resolução 2200 A (XXI) da Assembléia Geral, anexo). No entanto, segundo a OMS, em mais de 150 de seus 193 estados-membros, o acesso aos medicamentos fiscalizados é nulo ou quase nulo”.

    Porém, em conjunto, o relatório estava repleto de pessimismo e advertiu que o narcotráfico mundial estava se expandindo e ficando mais violento. Ao avaliar a culpa pela situação em que as coisas estão, a JIFE deveria se olhar no espelho, disseram os críticos.

    “Com a publicação de seu relatório anual hoje, a Junta Internacional de Fiscalização dos Entorpecentes reafirmou com ousadia seu compromisso vergonhoso com a política sobre a ciência e também sua indiferença chocante para com os fracassos e as conseqüências nocivas do regime mundial de proibição das drogas”, disse Ethan Nadelmann, diretor-executivo da Drug Policy Alliance.

    “A JIFE é a última das agências antidrogas da ONU que ainda prioriza a ideologia da abstinência exclusiva sobre as políticas comprovadas que demonstraram ser eficazes na redução dos danos ligados às drogas. Suas recomendações a respeito do tratamento com sucedâneos, das políticas de cânabis e das medidas de redução de danos para diminuir a mortalidade, a doença, a criminalidade e o sofrimento estão em desacordo tanto com as provas científicas quanto com as políticas em evolução em muitas partes do mundo”, prosseguiu Nadelmann. “Talvez o mais contundente seja que a junta não pensa na criminalidade, na violência, na corrupção e também no encarceramento excessivo e nas violações dos direitos humanos relacionadas ao regime mundial da proibição das drogas”.

    “A trágica ironia é a de que é a supervisão desumana, injusta e irracional da junta sobre o sistema de fiscalização das drogas da ONU que criou ou exacerbou a maior parte dos problemas esquematizados em seu relatório”, concordou Danny Kushlick da Transform, a fundação britânica das políticas de drogas. “A junta é conivente na entrega do mercado de drogas ilícitas a grupos terroristas, paramilitares e criminosos organizados, o que contribui para a desestabilização político-econômica dos países produtores e de trânsito e põe milhões em risco de contrair vírus de transmissão sangüínea. A JIFE e o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime apresentam uma ameaça maior ao bem-estar mundial do que as próprias drogas”.

    Nadelmann apontou que há alternativas. “Na esteira do relatório publicado na semana passada pela Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, que chegou a conclusões muito diferentes com seu pedido de uma mudança de paradigma nas políticas mundiais de fiscalização das drogas, o relatório da JIFE parece lamentavelmente irrelevante para as questões mais importantes na fiscalização das drogas hoje”, disse. “Agora que o governo Obama dá mostras de se somar a outros países na enfatização da saúde e da ciência sobre a retórica e a ideologia antidrogas, pode ser que, em breve, a JIFE faça frente à opção de evoluir ou encerrar suas atividades. Logo, logo cem anos terão se passado desde que o Congresso Internacional sobre o Ópio se reuniu em Xangai em 1909, o que, assim, deu início ao sistema mundial de fiscalização das drogas. Um memorial adequado seria a abolição da JIFE”.

    Envie um comentário

    O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
    • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <img> <i> <blockquote> <p> <address> <pre> <h1> <h2> <h3> <h4> <h5> <h6> <br>
    • As linhas e os parágrafos quebram automáticamente
    • You may post code using <code>...</code> (generic) or <?php ... ?> (highlighted PHP) tags.
    • Os endereços de e-mail e de sítio são automaticamente transformados em links.
    Mais informação sobre as opções de formatação. Captcha Image: you will need to recognize the text in it.
    Favor digitar as letras/números que aparecem na imagem acima.