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Edição #609, Nov 20, 2009

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    Afeganistão: Comandante da ONU ordena que OTAN mate todos os traficantes de ópio – OTAN se recusa

    De acordo com Der Spiegel, a revista alemã de notícias, o general John Craddock dos EUA, alto comandante da OTAN no Afeganistão, deu uma “orientação” que permite que os efetivos da OTAN “ataquem diretamente produtores e instalações de produção de drogas pelo Afeganistão afora”. Porém, os comandantes da OTAN não querem seguir essa ordem, o que levou a uma ruptura nos quadros da máquina aliada de guerra a respeito de quem é alvo militar legítimo.

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    os artigos do traficante de ópio (foto de Phil Smith, editor da Crônica, durante a visita de setembro de 2005 ao Afeganistão)
    A OTAN adotou com relutância a expansão de sua missão de combater o Talibã e insurgentes relacionados para perseguir os participantes do tráfico de drogas que tiverem relações com os rebeldes. Porém, a diretiva do general Craddock amplia a missão para incluir quaisquer traficantes de drogas ou instalações de produção de drogas.

    Conforme o documento, cuja cópia Der Spiegel diz possuir, os efetivos da OTAN agora podem lançar mão de força mortal contra os traficantes de drogas mesmo quando não existirem provas de que tomem parte na resistência armada aos efetivos da OTAN e dos EUA ou de seus aliados no governo afegão. Mas, isso não é o que os países da OTAN negociaram em outubro, quando aceitaram permitir que os soldados da OTAN atacassem os traficantes de ópio ligados ao Talibã.

    “Não é mais necessário apresentar informações ou outras provas de que cada narcotraficante ou instalação de produção de entorpecentes em particular no Afeganistão cumpre com os critérios para ser um objetivo militar”, escreveu Craddock. A aliança “decidiu que [os narcotraficantes e instalações de produção de entorpecentes] estão inextricavelmente relacionados com as Forças Militares da Oposição e que, por conseguinte, podem ser atacados”.

    O general Craddock enviou sua diretiva no dia 05 de janeiro a Egon Ramms, o líder alemão no comando da OTAN nos Países Baixos e David McKiernan, comandante das forças de paz da OTAN no Afeganistão. Porém, os dois comandantes a recusaram ao argumentarem que a ordem é ilegítima e infringe as leis da guerra. McKiernan mandou uma carta confidencial de Cabul que afirmava que Craddock estava tentando criar “uma nova categoria” em regras de enfrentamento que “solaparia gravemente o compromisso que a ISAF fez com o povo afegão e a comunidade internacional... para restringirmos nosso uso da força e evitarmos baixas civis na medida do possível”.

    O tema das mortes civis em poder de efetivos da OTAN e dos EUA no Afeganistão fica cada vez mais espinhoso para o povo e o governo do Afeganistão. O presidente Hamid Karzai reclamou no grito e com freqüência dos vários ataques aéreos dos EUA que matam civis. Nesta semana, a OTAN foi forçada a se defender com o argumento de que matara somente 97 civis no ano passado em comparação com as quase dez vezes isso da parte do Talibã.

    Agora, não se sabe ao certo como o conflito entre os aliados da OTAN será resolvido. Mas, se Craddock se sair com a dela e a OTAN declarar aberta a temporada contra o narcotráfico, haverá uma verdadeira guerra às drogas no Afeganistão. Em um país em que o narcotráfico responde por cerca de metade do Produto Interno Bruto e em que os integrantes do governo, caudilhos independentes e talibãs têm participação no tráfico, é difícil de ver de que jeito isso vai ajudar a conquistar o favor do povo.

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