CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Governo Obama: Gupta, candidato a inspetor-geral da saúde dos EUA, odeia a maconha e é mais ou menos a favor do consumo medicinal

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    Sanjay Gupta (loc.gov)
    Os reformadores das políticas de drogas que querem prever o futuro em uma tentativa de discernir as intenções do entrante governo Obama nas políticas de drogas encontraram pouco consolo no anúncio de que vai nomear o Dr. Sanjay Gupta para o posto de inspetor-geral da saúde dos EUA. Como um dos médicos mais famosos dos EUA, Gupta é um neurocirurgião que também trabalha como correspondente para a CNN e CBS News.

    A oferta do governo Obama aconteceu depois de uma reunião de duas horas entre Gupta e Obama em Chicago em novembro. Naquela reunião, Obama disse a Gupta que seu papel de dar conselhos sobre políticas sanitárias seria expandido e que ele seria o inspetor-geral da saúde de maior visibilidade na história.

    Gupta já trabalhou com políticas sanitárias. Foi membro da Casa Branca nos anos 1990 ao redigir discursos e aconselhar Hillary Clinton em matéria de políticas sanitárias. Ele também é um comunicador telegênico de sucesso.

    Embora tenha recebido críticas de alguns lados por ser amistoso demais para com as grandes empresas farmacêuticas e de outros por acusar erroneamente o cineasta Michael Moore de veicular inverdades em seu documentário Sicko [S.O.S. Saúde], seus pontos de vista antiquados a respeito da maconha são o que estão causando furor nos círculos favoráveis à reforma das políticas de drogas. Como é público e notório, em um editorial de novembro de 2006 na revista Time, Gupta, enquanto reconhecia os benefícios da maconha medicinal para alguns pacientes, passou a repetir uma enxurrada de mitos antimaconha há muito desbancados como razões para ser contra as iniciativas de reforma na legislação sobre a maconha que se encontravam nas urnas no Nevada e no Colorado naquela semana. No dizer de Gupta:

    “Talvez seja porque nasci dois meses depois de Woodstock e não estava por aqui quando a maconha era tão comum quanto os iPods são hoje, mas sempre fico assombrado porque, depois de todos estes anos – e todas as guerras contra as drogas e todos os anúncios de utilidade pública -, quase 15 milhões de estadunidenses ainda consumam maconha pelo menos uma vez ao mês. A Califórnia e 10 outros estados já descriminalizaram a maconha para o consumo medicinal. Dois estados – o Colorado e o Nevada – estão considerando iniciativas eleitorais que legalizariam até 28 g de maconha para consumo pessoal da parte de pessoas com 21 anos ou mais, quer exista ou não uma necessidade médica.

    “O que os eleitores precisam saber antes de irem às urnas?

    “Primeiro, que, em realidade, a maconha não faz bem. É verdade que há benefícios para a saúde de alguns pacientes. Vários estudos recentes, inclusive um novo do Scripps Research Institute, mostram que o THC, o químico responsável pela euforia na maconha, pode ajudar a diminuir a progressão do mal de Alzheimer. (De fato, parece bloquear a formação de placas causadoras de doenças melhor do que vários fármacos de consumo comum.) Outros estudos mostraram que o THC é um tratamento muito eficaz para o enjôo para pessoas – pacientes de câncer que passam por quimioterapia, por exemplo – que não tiveram sucesso com os medicamentos convencionais. E a cânabis medicinal mostrou ser uma promessa no alívio das dores de pacientes com esclerose múltipla e na redução da pressão intra-ocular em pacientes de glaucoma.

    “Porém, suspeito que a maioria das pessoas ansiosas por votar, sim, nas novas medidas eleitorais não sofra de glaucoma, Alzheimer ou náusea induzida pela quimioterapia. Muitas dessas pessoas simplesmente querem ficar chapadas legalmente. Por isso, eu, como muitos outros médicos, não me surpreendo com a proposta e lei, que legalizaria a maconha independentemente de qualquer doença.

    “Por que eu me importo? Como diz a Dr.ª Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre a Toxicomania dos EUA: ‘Numerosas conseqüências deletérias para a saúde estão ligadas ao consumo de curto e médio prazo [de maconha], inclusive a possibilidade de ficar viciado’.

    “Quais são as outras conseqüências para a saúde? O consumo freqüente de maconha pode afetar gravemente sua memória de curo prazo. Pode prejudicar sua capacidade cognitiva (por que acha que a chamam de dope?) e levar a uma duradoura depressão ou ansiedade. Embora muitas pessoas fumem maconha para relaxar, ela pode surtir o efeito contrário nos usuários freqüentes. Além do mais, fumar qualquer coisa, seja tabaco, seja maconha, pode prejudicar gravemente seu tecido pulmonar.

    “As iniciativas pró-maconha do Nevada e do Colorado conseguiram o apoio de lugares improváveis. Mais de 33 líderes religiosos no Nevada foram a favor da medida ao argumentarem que a legalização permissiva, acompanhada de regulações e penas rigorosas, podem diminuir o narcotráfico ilegal e deixar as comunidades mais seguras.

    “Talvez. Porém, estou aqui para lhe dizer, como médico, que, apesar de todo o falatório sobre os benefícios medicinais da maconha, fumar a droga não vai fazer bem para a sua saúde. E se você ficar chapado antes de assumir o volante de um automóvel, vai colocar a si mesmo e os que estão ao seu redor em perigo”.

    Não se sabe se Gupta vai apoiar a maconha medicinal – em oposição a meros fármacos à base de THC como o Marinol – ou fazer algo bom para a reforma das políticas de drogas se for confirmado. E ele demonstrou, sim, a disposição de reconhecer alguns dos argumentos apresentados pelo outro lado. Mas, sua aparente cegueira a respeito do dano infligido aos usuários de maconha pela detenção e prisão não é um bom primeiro sinal. Uma mudança em que podemos acreditar para as políticas de drogas? Só o tempo dirá.

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