Exames toxicológicos: Os enxadristas se rebelam
A Federação Internacional de Xadrez, mais conhecida em sua sigla em francês, FIDE, se meteu em uma polêmica por causa dos exames toxicológicos. A FIDE instituiu seu programa antidoping em uma tentativa até agora fútil de conseguir a entrada do xadrez nos Jogos Olímpicos, mas, agora, com sua ameaça de ordenar uma suspensão de dois anos contra o grão-mestre Vasili Ivanchuk da Ucrânia, a federação faz frente a rebelião e zombaria entre os jogadores.

tabuleiro de xadrez (por cortesia de wikimedia.org)
“Será possível acreditar em tal notícia?” escreveu Alekséi Shírov, o grão-mestre espanhol de naturalidade letã que já aspirou ao título mundial, em uma carta aberta sobre o caso Ivanchuk em dezembro. “Banem um jogador que esteve no próprio topo há mais de 20 anos... simplesmente porque quis se acalmar depois de perder um jogo?”
Outro jogador de destaque, o veterano alemão Robert Hübner, um dos melhores jogadores do Ocidente durante os anos 1970 e 1980, se negou a participar dos eventos da FIDE para protestar contra a política de exames contra o doping.
O caso Ivanchuk é o de uma “burocracia que perdeu as estribeiras”, disse Michael Atkins, organizador do torneio de Washington, DC, ao Washington Times nesta semana. “A melhoria do rendimento físico dos atletas certamente precisa ser examinada, mas acho que ninguém nunca mostrou que há drogas ilícitas para o rendimento mental que melhorariam o jogo no tabuleiro a ponto de afetar os resultados”, disse. “Ter de virar policial do xadrez me afastaria rapidamente dos torneios. Na verdade, não vale a pena fazer isso só para entrar nas Olimpíadas”.
As regras antidoping da FIDE se fundamentam nas da Agência Mundial Antidoping, a entidade que rege os exames toxicológicos nos esportes olímpicos. A lista de substâncias proibidas da agência inclui não só esteróides, estimulantes, doping genético e demais substâncias para “melhorar o rendimento”, mas também drogas ilícitas, inclusive a maconha, o LSD e a heroína.
Não é a primeira vez que a FIDE provocou polêmica entre os jogadores pelas políticas antidoping. Nas Olimpíadas de Xadrez de 2004 em Mallorca, os oficiais penalizaram dois jogadores de categoria inferior quando objetaram a exames toxicológicos aleatórios depois da partida deles. Porém, Ivanchuk é um enxadrista muito mais destacado e benquisto e isso dá à federação algo em que pensar.
Os oficiais da FIDE adiaram o anúncio de uma decisão final sobre o banimento obrigatório de dois anos. Em troca, uma “comissão de doping” vai revisar o caso nos próximos dois meses e tomar uma decisão. Enquanto isso, Ivanchuk ainda joga xadrez em torneios e a FIDE vira motivo de chacota para seus integrantes.












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