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Edição #609, Nov 20, 2009

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    África Ocidental: E lá vão os agentes antidrogas

    Nos últimos três anos, os traficantes de cocaína sul-americanos que se dirigem aos lucrativos mercados europeus vêm recorrendo cada vez mais à África Ocidental como paradeiro no tráfico intercontinental. Agora, os agentes antidrogas estão no encalço deles. Vários países, inclusive EUA, Brasil e Colômbia, ou estão aumentando ou marcando uma presença antidroga na região em uma tentativa de causar impacto no tráfico.

    Os países da África Ocidental são pobres, cheios de delinqüência e acossados por instituições fracas, o que os transforma em lugares atrativos para que os traficantes possam comprar barato a proteção. E como metade da cocaína do mundo agora é cheirada pelos narizes ou enfiada nos cachimbos de crack dos europeus – os índices de consumo dobraram nos últimos quatro anos, segundo a ONU -, os traficantes se apressam em abrir negócio em lugares como a Guiné-Bissau, Gana e Serra Leoa. Agora, um quarto ou mais de toda a cocaína destinada à Europa transita pela África Ocidental.

    Na semana passada, o general Óscar Naranjo da Polícia Nacional Colombiana disse que logo, logo vai mandar uma equipe antidroga de dez homens à região, que terá seu quartel-general em Serra Leoa. “Conseguimos identificar redes de cidadãos colombianos, europeus e da América Central que estão negociando na África central como no caso de Serra Leoa, onde vários colombianos foram capturados”, disse Naranjo.

    O Brasil, que é um grande país consumidor e ponto de baldeação, também está enviando agentes antidrogas para o outro lado do oceano. Meia dúzia de agentes mais ou menos se dirige à África Ocidental, disse um agente antidroga estrangeiro ao Los Angeles Times.

    E a DEA dos EUA também participa do jogo. Embora há anos a DEA tivesse somente um escritório no continente inteiro localizado em Lagos na Nigéria, agora está expandindo suas atividades na África Ocidental, disse o porta-voz Garrison Courtney da agência ao Times. “Agora, o tráfico de drogas segue nas duas direções. A cocaína passa pela África e vai para a Europa, enquanto os precursores químicos da China e da Índia para fazer metanfetaminas agora transitam a caminho da América Central e do México”, disse Courtney. Os lucros do tráfico podem estar financiando terroristas, advertiu.

    As apreensões de drogas já estão em alta na região. Em 2001, apreendeu-se menos de uma tonelada de cocaína na África Ocidental; por volta de 2006, o número subira para 14,6 toneladas, de acordo com a ONU. No ano passado, quatro toneladas foram apreendidas somente na Mauritânia e no Senegal, 2,5 toneladas foram descobertas em um cargueiro liberiano e outra meia tonelada a bordo de um avião que sofreu um acidente no aeroporto internacional de Serra Leoa.

    A Guiné-Bissau tem sido um lugar especialmente tentador para os traficantes. É um dos países mais pobres do mundo, conta com ma marinha de dois navios, uns dez policiais e não tem prisão. Até o ano passado, quando leis mais severas foram aprovadas, a pena máxima para o tráfico de drogas era uma multa de US$ 1,000, mesmo se a quantidade em questão pesasse toneladas. Dois suspeitos de integrar as FARC foram presos lá em 2007 enquanto estavam em uma missão de narcotráfico – e foram soltos misteriosamente.

    Agora, a África Ocidental ficará à mercê da DEA e de seus homólogos.

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