CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Delação forçada: Desavença prossegue em caso de informante assassinada Rachel Hoffman

    A morte de Rachel Hoffman, uma traficante social de maconha de 23 anos de idade de Tallahassee na Flórida assassinada por criminosos de quem foi comprar drogas pesadas e armas a mando da polícia depois que foi presa e intimidada a virar informante confidencial, pode não ter sido em vão. Nesta semana, mais de seis meses depois de seu assassinato em maio, os pais de Hoffman entraram com uma ação na Justiça pela morte dela. Agora, a família dela também colabora com os legisladores para redigir uma lei que regule a utilização de informantes confidenciais.

    http://stopthedrugwar.org/files/rachelhoffman.jpg
    Rachel Hoffman
    É de praxe o uso policial de cagüetes em casos de delitos de drogas, sobretudo porque, como as partes envolvidas em acordos de confissão por delitos de drogas não reclamam com a polícia, eles não têm outra maneira fácil de fazer progresso nos casos. Porém, a força pública estadunidenses também desenvolveu um sistema que depende de “converter” as pessoas presas por delitos de drogas – fazer com que concordem em se transformar em informantes com a esperança de reduzir suas próprias acusações. Tais ofertas costumam vir acompanhadas de previsões explícitas de como o detido vai ser maltratado na prisão.

    Embora fosse mais ou menos uma ativista pró-reforma das políticas de drogas, Hoffman caiu nessa armadilha após ser acusada de porte de quantidade superior a 20 gramas de maconha e porte de êxtase com a intenção de distribuir. Aceitou agir como cagüete para a Polícia de Tallahassee (TPD, na sigla em inglês) e foi fazer uma compra fiscalizada de armas e cocaína. Os policiais encarregados perderam o contato com ela enquanto se reunia com dois homens. O cadáver dela foi encontrado dois dias depois.

    Embora a princípio a Polícia de Tallahassee defendesse sua operação e botasse a culpa em Hoffman por não seguir as instruções, desde então, um investigador foi despedido e outros quatro saíram de férias não-remuneradas pela participação deles em mandá-la para que fosse morta.

    Agora, os pais de Hoffman querem mais. Na ação ajuizada na terça-feira em um tribunal estadual de Tallahassee, acusam a Polícia de Tallahassee de negligência e buscam indenização monetária não-especificada. Seu advogado, Lance Brock, disse ao Tallahassee News que a cidade ia pagar caro.

    “É um caso multimilionário”, disse. “Quatro palavras vêm à cabeça: tragédia de policiais incompetentes”, manifestou. “É estarrecedor que houvesse tantos atos de incompetência de parte da TPD, junto com uma falta arrogante de apreciação pelo alto risco de perigo a que seus oficiais expunham Rachel Hoffman”.

    A cidade tem 30 dias para responder a demanda. Tentativas de chegar a um acordo já estão em andamento, mas os pais de Hoffman não querem esperar mais.

    Os pais de Hoffman também estão colaborando com legisladores para restringir os padrões de utilização de jovens como cagüetes. A família busca a aprovação de uma lei que proporcione mais proteções aos informantes da polícia. Espera-se a apresentação de um projeto de lei nas próximas semanas. O senador estadual Mike Fasano (R-New Port Richie) disse que trabalhava com um advogado de Hoffman para redigir um projeto que será apresentado em breve. Ele pode proibir que a polícia lance mão de algumas pessoas como informantes ou exigir que tomem medidas extras para proteger os informantes e garantir que entendam os riscos envolvidos.

    “Foi uma situação muito triste, muito triste”, disse Fasano. “Temos de fazer o máximo possível para trabalharmos com a força pública a fim de protegermos jovens como ela... que não percebem em que estão se metendo”, disse. “Não estamos falando de uma criminosa habitual... falamos de uma senhorita que pode ter tido problemas pessoais, mas isso não quer dizer que é preciso expô-la a uma situação perigosa”.

    “Os pais de Rachel Hoffman sofreram o pior tipo de perda que um ser humano pode experimentar: a perda de seu filho único”, disse Brock. “A aprovação da lei de Rachel e uma indenização justa que advirta o bastante a TPD e demais agências da lei que o que aconteceu com Rachel é totalmente inaceitável são os únicos meios que nosso sistema oferece à família para garantir que a morte dela não seja em vão”.

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