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Edição #607, Nov 06, 2009

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    América Latina: Venezuela pode renovar cooperação com a DEA, diz Chávez

    Em entrevista no domingo, o presidente venezuelano Hugo Chávez disse que as relações entre seu governo e os EUA podem melhorar tremendamente em um governo Obama, inclusive com a renovação da cooperação com a DEA. Chávez, cujas relações com o governo Bush têm sido tensas e conflituosas, expulsou a agência antidroga estadunidense do país em 2005 por acusá-la de fazer espionagem e interferir nos assuntos internos da Venezuela.

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    placa anuncia a construção de uma planta de industrialização da folha de coca financiada pela Venezuela na região do Chapare na Bolívia (foto de Phil Smith, editor da Crônica)
    “Sinto que há ventos a favor das relações entre o governo venezuelano e o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Acho que é preciso olhar com paciência e bom ânimo, e com fé na melhoria das relações, não só dos Estados Unidos com a Venezuela, eu acho que vão melhorar, acho que vão melhorar e estou bem disposto a fazer isso”, disse Chávez em José Vicente Hoy, um programa de opinião transmitido aos domingos por uma emissora privada de televisão. “Mesmo assim é preciso não ser ingênuos”, prosseguiu Chávez. “Pior do que com Bush, impossível, mas devemos tomar cuidado porque Obama é o presidente do império e toda a sua maquinaria permanece intacta”.

    A Casa Branca acusou a Venezuela de fazer vista grossa para o tráfico de cocaína da vizinha Colômbia – aliada dos EUA e maior produtora do mundo –, mas essa é uma área de várias em que relações mais amigáveis e respeitosas podem resultar na renovação da cooperação, disse Chávez. “Que possamos refazer um acordo respeitoso da soberania venezuelana com a DEA, estou disposto a avaliar tudo isto, a luta contra o terrorismo, a criminalidade internacional [...] mas, sempre pautado pelo respeito e a pela soberania”.

    Porém, a cooperação implica reciprocidade. Chávez está profundamente interessado na extradição do terrorista foragido Luis Posada Carriles à Venezuela para que vá a julgamento pelo atentado a bomba de 1976 contra um avião comercial cubano que matou 73 pessoas. Posadas fugiu de uma prisão venezuelana e apareceu nos EUA anos depois, mas os funcionários estadunidenses têm-se negado a extraditá-lo.

    No sábado, Chávez convocou Obama a extraditar Posada Carriles. “Obama, presidente, mande-nos cá o terrorista, pois estamos pedindo-o. Deve estar na cadeia e não livre lá pelas ruas dos Estados Unidos”, declarou Chávez.

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