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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Mortandade deste ano em guerra do México por proibição ultrapassa os 5.000

    Neste ano, o saldo de mortos na violência ligada à proibição no México ultrapassou os 5.000, mais do que o dobro do número de mortos no ano passado, disse Eduardo Medina Mora, procurador-geral mexicano, na segunda-feira. É provável que essa cifra aumente ainda mais, avisou.

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    cartaz de Ricardo Murillo, o militante mexicano dos direitos humanos assassinado (foto de Phil Smith, editor da Crônica)
    A violência entre os cartéis do narcotráfico e entre eles e as forças do governo se intensificou enormemente desde que o presidente Felipe Calderón desencadeou uma ofensiva contra os traficantes há quase dois anos. Calderón enviou até 40.000 efetivos das Forças Armadas mexicanas ao combate, onde se somaram a dezenas de milhares de policiais federais, estaduais e municipais que lutam contra os traficantes de drogas – e, às vezes, a favor deles. E os mesmos grupos do narcotráfico estão metidos em uma luta mortífera e espetacularmente horripilante pelo controle do lucrativo comércio multibilionário de drogas destinadas ao insaciável mercado estadunidense.

    É possível comprar o saldo de mortos com o de zonas de guerra como o Iraque e o Afeganistão. De acordo com o observatório independente Iraq Body Count, umas 8.000 pessoas foram mortas na violência que fermenta no Iraque neste ano. No Afeganistão, umas 4.000 pessoas foram mortas em combate neste ano, sendo 273 efetivos dos EUA e da OTAN, de acordo com a organização independente de monitoramento Icasualties.org. Isso é pouco mais da metade do número de policiais e soldados mexicanos mortos neste ano.

    Medina Mora disse que o número de vítimas fatais até o fim de novembro era de 5.376, um aumento desconcertante de 117% em relação aos 2.477 mortos em 2007. A maior parte da matança aconteceu nos estados fronteiriços da Baixa Califórnia, Chihuahua e Sinaloa, a sede do Cartel de Sinaloa, embora a violência tenha-se espalhado pelo país afora, chegando até às portas de altos comandantes da polícia na Cidade do México, outro dos quais foi assassinado a bala nesta semana.

    “Estas organizações criminosas não têm limites”, disse Medina Mora. “Com certeza têm um enorme poder de intimidação”.

    E a matança continua. Pelo menos 18 pessoas foram assassinadas na violência ligada à proibição no sul do México no domingo, inclusive dois indivíduos cujas cabeças foram deixadas fora da residência do governador de Guerrero em Chilpancingo. Dez traficantes e um soldado faleceram em um tiroteio no mesmo dia em Arcelia, Guerrero.

    Mais quatro cadáveres apareceram na terça-feira em Tijuana, que fica em frente a São Diego, do outro lado da fronteira, poucos dias depois que a cidade presenciou 36 assassinatos em um período de 48 horas. Enquanto isso, 17 pessoas, inclusive um alto investigador da polícia, foram mortos dias antes em Ciudad Juárez, separada de El Paso pelo Rio Bravo do Norte.

    Como conseqüência da escalada da violência em Tijuana, o chefe de polícia Alberto Capella Ibarra foi despedido. No mês passado, Capella Ibarra disse ao jornal britânico The Observer: “Esta guerra vai prosseguir contanto que as drogas sejam ilegais e comandem altos preços nos Estados Unidos. Se as drogas forem legalizadas os estadunidenses podem ficar chapados e nós podemos viver em paz”.

    Porém, os estadunidenses preferem jogar lenha na fogueira. Na semana passada, os EUA concederam $ 200 milhões em ajuda antidroga à polícia e aos militares mexicanos, a primeira parcela em um pacote de $ 1.4 bilhão ao longo de três anos que tem o desígnio de ajudar os mexicanos a tomar medidas enérgicas contra os traficantes.

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