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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Plano Colômbia não deu certo, diz relatório do GAO

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    a erradicação da coca no Plano Colômbia (por cortesia do CMI Área da Baía de São Francisco)
    O investimento ambicioso de $6 bilhões de Washington para suprimir os cultivos e coca e a produção de cocaína da Colômbia foi um fracasso, disse o Tribunal de Contas do Governo (GAO, na sigla em inglês) dos EUA em um relatório publicado na quarta-feira. O programa de assistência, conhecido como Plano Colômbia, tinha como objetivo reduzir a produção colombiana de coca e cocaína pela metade entre 2000 e 2006, mas, ao invés de encolher, a produção de coca aumentou 15% e a de cocaína 4%, descobriu a revisão.

    Ou como disse o GAO diplomaticamente: “A meta do Plano Colômbia de reduzir o cultivo, processamento e distribuição de entorpecentes ilícitos em 50 por cento em 6 anos não foi totalmente alcançada”.

    Pelo que todos dizem, a Colômbia tem sido e continua sendo o produtor número um de coca e cocaína do mundo. Estima-se que 90% da cocaína que chega aos EUA venham da Colômbia. Apesar de anos de erradicação aérea com herbicidas e também fumigação manual, Washington e Bogotá não conseguiram causar um impacto sério sobre o tráfico colombiano de coca e cocaína. A incapacidade de suprimir a produção da coca e cocaína “pode ser explicada por medidas tomadas pelos cocaleiros para sustar os trabalhos de erradicação estadunidenses e colombianos”, disse o relatório.

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    cartaz contra o Plano Colômbia (por cortesia do CMI Colômbia)
    O relatório foi encarregado pelo senador Joe Biden (D-DE), presidente do Comitê de Relações Externas do Senado dos EUA e atual vice-presidente eleito do mesmo país. Ele pode proporcionar munição potente aos inimigos do Plano Colômbia no Congresso estadunidense, que procuram reduzir a assistência ao governo do presidente Álvaro Uribe, muitos deles aludindo a violações dos direitos humanos da parte dos militares colombianos e dos paramilitares de direita, que mantêm uma relação ambígua com o governo da Colômbia.

    O relatório pede cortes na ajuda e aconselha funcionários estadunidenses e colombianos a “desenvolver um plano conjunto para entregar as responsabilidades operacionais e financiadoras para com programas respaldados pelos EUA à Colômbia”. Também pediu que a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), a qual tem administrado mais de $1.3 bilhão em verbas para o desenvolvimento alternativo, proponha métodos para medir se seus trabalhos estavam causando algum impacto.

    O GAO atribuiu mérito a Washington e Bogotá por melhorarem o clima da segurança da Colômbia “através de enfrentamentos sistemáticos da polícia e dos militares com grupos armados ilegais e pela degradação das finanças destes grupos”. Porém, como informamos na semana passada, a Anistia Internacional descobriu que a situação dos direitos humanos na Colômbia continua sendo um horror, com milhares de chacinas todo ano e entre dois e três milhões de colombianos deslocados e vivendo feito refugiados.

    Como os democratas assumiram o controle tanto do Congresso quanto da Casa Branca, os dias do Plano Colômbia podem estar contados e um relatório como este deve matar a besta. Mas, não fique surpreso se não o fizer.

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