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Edição #623, Mar 12, 2010

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    América Latina: Bolívia suspende operações da DEA

    As relações já frias entre a Bolívia e os EUA ficaram ainda mais frias neste fim de semana quando o presidente Morales declarou no sábado que ia suspender as operações antidrogas da DEA estadunidense dentro do território boliviano. Ao fazer o anúncio, Morales acusou a DEA de interferir nos assuntos internos bolivianos e tentar solapar seu governo.

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    posto de fiscalização da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico financiada pelos EUA entre Cochabamba e o Chapare, realiza-se busca à cata de cocaína e precursores (foto de Phil Smith, editor da Crônica, 2007)
    “A partir de hoje, fica suspensa por tempo indefinido a atividade da DEA norte-americana”, disse Morales no sábado em comentários informados pela BBC. “Funcionários da DEA apoiaram economicamente o golpe cívico-governamental fracassado contra o governo da Bolívia”, acrescentou, aludindo ao massacre de setembro de partidários de Morales que deixou um saldo de 19 mortos. “Temos a obrigação de defender a soberania do povo boliviano”.

    Morales, um ex-sindicalista cocaleiro que chegou à presidência em 2006, adotou uma política de “cocaína zero, mas não coca zero” no país andino onde a planta de coca é geralmente mascada ou bebida como chá pelos indígenas. Segundo o programa de Morales, os agricultores podem cultivar pequenas quantidades de coca em áreas específicas para consumos tradicionais e industriais.

    Embora no início deste ano funcionários estadunidenses reconhecessem os sucessos bolivianos na luta contra o tráfico de cocaína, as tensões estiveram aumentando – nem todas elas têm alguma coisa a ver com a coca e a cocaína. O governo boliviano limitou as atividades da DEA no início deste ano, daí expulsou o cônsul estadunidense por acusá-lo de apoiar um golpe de líderes separatistas das províncias orientais para derrocar o governo em setembro. Os EUA revidaram expulsando o cônsul da Bolívia em Washington e, no mês passado, acrescentando a Bolívia à lista de países que não haviam cumprido adequadamente as metas dos EUA no combate às drogas.

    Apesar de a Bolívia ser apenas o terceiro maior produtor de coca na região, atrás da Colômbia e do Peru, tal país e a Venezuela foram os únicos descertificados na América Latina. A Venezuela expulsou a DEA em 2005, também aludindo a interferência em assuntos internos.

    Funcionários estadunidenses negaram a afirmação de interferência da DEA feita por Morales. “Estas acusações são falsas e absurdas”, disse um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, cuja identidade não foi revelada, à Time em resposta ao anúncio do sábado. “A DEA tem 35 anos de história de trabalho eficaz e profissional com nossos parceiros bolivianos”, acrescentou o funcionário.

    Uns 70 cidadãos bolivianos foram mortos e cerca de 1.000 ficaram feridos combatendo os trabalhos de erradicação da coca liderados pela DEA desde o fim dos anos 1980. O descontentamento com as políticas de fiscalização da coca ajudou Morales a alcançar a presidência em 2006.

    Atualmente, os EUA financiam os trabalhos antidrogas bolivianos com $35 milhões ao ano. Não se sabe o que vai acontecer com essas verbas.

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