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Edição #609, Nov 20, 2009

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    Europa: Em tentativa de repelir “turistas das drogas”, algumas cidades fronteiriças holandesas fecharão cafeterias

    Aludindo a um número esmagador de cidadãos franceses, alemães e belgas que vão à Holanda para comprarem maconha e os distúrbios públicos que as multidões causam, os prefeitos de duas cidades fronteiriças holandesas anunciaram que vão fechar todos os seus cafés canábicos, informou a Radio Nederland. Porém, os prefeitos de outras cidades fronteiriças dizem que a medida só transferirá os problemas para seus municípios.

    http://stopthedrugwar.org/files/smokey.jpg
    o café Smokey em Amsterdã (por cortesia de amsterdam.info)
    Os burgomestres dos municípios sulistas holandeses de Bergen op Zoom e Roosendaal disseram que não eram contra o consumo e a venda de cânabis em princípio, mas que estavam preocupados com os distúrbios públicos que acompanham o comércio nas fronteiras. Eles vão lacrar todas as oito cafeterias que funcionam nos dois municípios, disseram.

    “Vinte e cinco mil turistas das drogas vêm visitar estes cafés por semana”, disse o prefeito Han Polman de Bergen op Zoom. “Isso leva a muitos distúrbios e há relações com a ilegalidade, crimes acontecem. As pessoas em nossas cidades nos pedem que deixemos as ruas seguras, então não nos resta outra opção senão a de fechar os cafés”.

    Quase 1.3 milhão de pessoas ao ano vão à Holanda para comprarem erva, disse à Radio Nederland. Os dois burgomestres disseram que os turistas das drogas ocasionaram problemas como condução perigosa, estacionamento ilegal e urinação em público.

    Gerd Leers, prefeito de Mastrique, faz frente aos mesmos problemas, mas tem uma solução diferente. Ele propõe realocar todas as cafeterias em sua cidade aos cruzamentos nas fronteiras com a França, a Bélgica e a Alemanha. E não está satisfeito com a ação unilateral tomada pelos dois prefeitos.

    “Simplesmente mudamos o problema”, disse. “Empurramo-lo de Roosendaal a Breda e daí de Breda a Roterdã. E o que é muito pior é que estamos empurrando o problema para a esfera ilegal. Os entregadores de drogas estão comemorando hoje porque percebem que acabaram de ganhar muitíssimos clientes novos. A demanda de cânabis não vai sumir, simplesmente vai achar um novo canal de oferta”.

    Leers convoca uma cúpula de todos os burgomestres de cidades fronteiriças e o Ministério da Justiça para chegar a uma solução comum. “É fundamental que tomemos uma decisão clara agora aqui na Holanda”, disse. “É preciso nos perguntarmos: Vamos nos ater a nosso sistema holandês e manter políticas de drogas diferentes das de nossos vizinhos ou deveríamos dizer que não, não podemos mais fazer isso em razão dos problemas que causa?”

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