Sudoeste Asiático: EUA e ONU brigam por queda em produção de ópio do Afeganistão, mas estoque do Talibã indica que não vai haver escassez logo
Em agosto, o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês) publicou sua sondagem anual da produção afegã de ópio e informa uma ligeira diminuição – 6% - na produção total pela primeira vez em vários anos. Na sexta-feira passada, o Gabinete de Política Nacional de Fiscalização das Drogas da Casa Branca (ONDCP, a sigla em inglês para a secretaria antidroga dos EUA) lançou a própria estimativa do governo dos EUA e afirmou que a produção caíra impressionantes 31%.

mapa de segurança do ópio, ONDCP, julho de 2008, de whitehousedrugpolicy.gov
“O Afeganistão precisa de paz, de uma economia próspera e do império da lei para ter sucesso como democracia”, disse o secretário antidroga John Walters enquanto anunciava as cifras. “Cada uma destas condições é arruinada pela produção de entorpecentes. Por isso a notícia de hoje é tão animadora para o povo do Afeganistão. Há muito que o Afeganistão tem sido a vítima da violência, da miséria e da dependência causadas pelo tráfico de drogas ilícitas. Ansiamos por continuar cooperando com o Governo do Afeganistão e nossos aliados ao passo que trabalhamos para derrotar o setor dos entorpecentes e os grupos terroristas que dependem do negócio das drogas para matarem inocentes e atacarem a democracia e a liberdade pelo mundo afora”.
Apesar do relatório dos EUA, funcionários do UNODC no Afeganistão se atinham a seus números. Na segunda-feira, em uma entrevista coletiva em Cabul, Christina Orguz, diretora do UNODC Afeganistão, disse que tinha “alta confiança” nos números do UNODC porque estavam fundados em inspeções de terreno, análises da safra real de papoulas do último plantio e imagens via satélite.
“Qualquer dado que fosse o certo seria uma tragédia porque ainda se produz demais, em todo caso”, disse.
Tanto os EUA quanto a ONU informaram alguns sucessos em afastar os agricultores do cultivo de papoulas com campanhas de informação pública e programas de desenvolvimento alternativo. A erradicação e interceptação foram menos bem-sucedidas, mas agora a OTAN e os EUA comprometeram suas forças para um envolvimento mais profundo no esforço antidroga. Contudo, o Afeganistão continua sendo o maior produtor de ópio do mundo de longe, respondendo por 93% da produção mundial.
E se Antonio Maria Costa, diretor do UNODC, tiver razão, durante os últimos anos o Afeganistão produziu mais ópio do que o mercado ilícito mundial pode absorver. De acordo com o UNODC, a demanda mundial de ópio ilícito se mantém firme em cerca de 4.500 toneladas ao ano, enquanto o Afeganistão esteve produzindo consideravelmente mais nos últimos anos. Umas 6.000 a 8.000 toneladas são excedente e Costa acredita saber onde está.
“Onde está? Estivemos perguntando por aí”, disse à Time. Em razão do excedente, “os preços deveriam ter despencado”, disse Costa. “Mas, não houve despencamento nos preços”.
Costa disse achar que ópio que faltava estava sendo armazenado pelo Talibã para a época de vacas magras e como mecanismo de controle do preço. “É uma manipulação clássica do mercado”, disse.
Então, enquanto os EUA e a ONU se parabenizam por reduções na produção e brigam pelo tamanho real dela, o Talibã está sentado em uma mina de ouro de ópio. Sendo que se estima que o ópio valha $465,000 por tonelada, isso equivale a reservas de guerra de $3.2 bilhões e até uma queda enorme na produção ou o sucesso da erradicação não vai impedir o poder do Talibã de fazer guerra contra o Ocidente e o governo em Cabul.












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