Prevenção: Campanha midiática antidroga bilionária do secretário antidroga é um desperdício de dinheiro, descobre estudo
Apesar de gastar mais de um bilhão de dólares entre 1999 e 2004, a Campanha Midiática Nacional Antidroga para os Jovens do Gabinete de Política Nacional de Fiscalização das Drogas (ONDCP, a sigla em inglês da secretaria antidroga dos EUA) não demonstrou nenhum efeito positivo mensurável – e, em alguns casos, pode até ter feito com que os jovens tenham mais chances de consumir drogas, descobriu um novo estudo.

John Walters
As descobertas foram feitas em um estudo ordenado pelo Congresso e realizado por pesquisadores na Faculdade Annenberg de Comunicação da Universidade da Pensilvânia. Os pesquisadores levaram a cabo quatro rodadas de entrevistas entre 1999 e 2004, cada uma envolvendo cerca de 5.000 a 8.000 jovens com idades entre 9 e 18 anos. O estudo será publicado na edição de dezembro do American Journal of Public Health.
“As provas não sustentam a afirmação de que a campanha surtiu efeitos antimaconha”, concluíram os autores, liderados pelo professor Robert Hornik. “Há poucas provas de uma associação contemporânea entre exposição à publicidade antidroga e qualquer um dos resultados... Os não-usuários que informaram maior exposição às mensagens antidrogas não tinham mais chances de exprimir crenças antidrogas do que os jovens que ficaram menos expostos”, escreveram.
“Apesar de um vasto financiamento, o apoio de uma agência do governo, o emprego de empresas profissionais de publicidade e relações públicas e consultas com especialistas no assunto, as provas da avaliação indicam que a Campanha Midiática Nacional Antidroga para os Jovens não surtiu efeitos favoráveis sobre o comportamento dos jovens e até pode ter surtido um efeito involuntário e indesejável sobre as cognições sobre a droga e o consumo”, disse o relatório.
Os autores descobriram que os anúncios podem ter dado a entender inadvertidamente aos jovens que outras crianças estavam consumindo drogas. Isso pode ter feito com que mais crianças experimentassem drogas, sugeriram.
“Os jovens que viram os anúncios da campanha apreenderam a mensagem de que os pares deles estavam consumindo maconha”, descobriu o relatório. “Em troca, os que achavam que seus pares estavam consumindo maconha tinham mais chances de começar a consumir eles mesmos”.
Embora a mensagem antidroga possa ter sido misturada, os anúncios foram vistos. No total, 94% dos jovens entrevistados informaram ver um ou mais dos anúncios por semana, sendo que a freqüência média foi de dois a três por semana.
Contudo, o consumo de maconha entre adolescentes está em baixa, caindo 40% entre 1997, antes do início da campanha, e 2007, conforme as sondagens anuais Monitoring the Future com estudantes da 8ª, 10ª e 12ª séries.
Em entrevista concedida à ABC News na semana passada, Hornik, o autor principal, disse que a diminuição no consumo de maconha “pode se dever a muitas influências, não somente à campanha”. Ele disse que começara o estudo com a expectativa de resultados positivos, “mas não conseguimos encontrá-los”.
Parece que este seria um programa pronto para o corte quando o Congresso voltar no ano que vem. Afinal de contas, adentramos uma época em que não podemos nos dar-nos ao luxo de arcar com programas não comprovados.












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