CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #607, Nov 06, 2009

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    Matéria: Iniciativa de maconha medicinal do Michigan enfrenta oposição organizada

    A Proposta 1 [Proposal 1] do Michigan, a iniciativa de maconha medicinal patrocinada pela Michigan Coalition for Compassionate Care, parece pronta para uma vitória fácil em novembro de acordo com pesquisas recentes, mas agora tem oposição organizada, inclusive visitas do secretário antidroga e seus subordinados para instar os cidadãos do Michigan a repudiarem a proposta.

    Quando forem às urnas no dia 04 de novembro, os eleitores do Michigan verão o seguinte texto eleitoral e pedirão que votem sim ou não para saber se a medida deveria ser adotada:

    A proposta iria:

    • Permitir que o médico aprovasse o consumo de maconha da parte de pacientes inscritos com doenças debilitantes, inclusive câncer, glaucoma, HIV, AIDS, hepatite C, esclerose múltipla e outras doenças que possam ser aprovadas pela Secretaria da Saúde Comunitária;

    • Permitir que os indivíduos inscritos cultivem quantidades limitadas de maconha para pacientes aptos em uma instalação enclausurada e fechada;
    • Permitir que a Secretaria da Saúde Comunitária instaure um sistema de cédulas de identidade para pacientes aptos a consumir maconha e indivíduos aptos a cultivar maconha;
    • Permitir que pacientes inscritos e não-inscritos e cuidadores principais asseverem razões de saúde para consumir maconha como defesa em qualquer processo que envolver a maconha.

    Se for aprovada pelos eleitores, a medida transformaria o Michigan no 13º estado com maconha medicinal e, de modo significativo, no primeiro no Meio-Oeste. Atualmente, todos os estados com maconha medicinal estão ou no Oeste ou no Nordeste dos EUA.

    http://stopthedrugwar.org/files/marijuana-plants.jpg
    plantas de maconha (foto do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA via Wikimedia)
    Isso pode explicar por que o Gabinete de Política Nacional de Fiscalização das Drogas da Casa Branca (ONDCP, a sigla em inglês da secretaria antidroga dos EUA) está preocupado o bastante com mandar seus altos funcionários ao Michigan, mas, no âmbito estadual, a oposição organizada é um conjunto dos mesmos de sempre de grupos da força pública, moralistas, conservadores culturais e medicina formal que recorre aos mesmos argumentos intimidadores sobre a maconha medicinal que os defensores do statu quo sempre fazem.

    A oposição estadual surgiu no fim do mês passado com o debute público da Citizens Protecting Michigan's Kids. Nesta semana, Bill Schuette, porta-voz do grupo e juiz de tribunal de apelações estadual, esteve celebrando entrevistas coletivas em parceria com o secretário antidroga Walters e escrevendo artigos de opinião a fim de avivar o medo a respeito da iniciativa através de uma aluvião de distorções, desinformação, má informação e invenções.

    Schuette gosta especialmente de advertir que – glup! – se a iniciativa for aprovada, Michigan vai virar a Califórnia com seu “caos, traficantes de maconha em fachadas e milhões de dólares sendo atirados no mercado negro criminoso”, como disse no artigo de opinião. A iniciativa do Michigan “é igualzinha à legislação da Califórnia”, escreveu, embora a lei do Michigan seja muito mais restritivo a respeito de quem pode virar paciente consumidor de maconha medicinal e não estipule dispensários de maconha medicinal.

    Essa distorção em específico se acha incorporada no endereço da página do grupo, www.nopotshops.com [http://www.naolojasmaconha.com], embora, como já se disse, a iniciativa do Michigan não estipule dispensários.

    Schuette e companhia também vivem dizendo que aprovar a iniciativa vai conduzir a uma orgia de consumo de maconha entre adolescentes. “Na Califórnia, os funcionários da força pública apontam a legislação sobre a maconha de seu estado como causa para o enorme aumento no consumo de drogas entre os estudantes de segundo grau”, escreveu, repetindo comentários parecidos que fez em uma entrevista coletiva anterior.

    Schuette voltava a jorrar desinformação. De acordo com um relatório de junho de 2008 do Marijuana Policy Project fundado em dados oficiais de sondagens estaduais e nacionais, o consumo de maconha entre adolescentes caíra em todos os anos na Califórnia e quase geralmente em todos os demais estados com maconha medicinal desde que a Califórnia aprovou sua lei sobe a maconha medicinal há 12 anos.

    “A oposição lança mão de táticas de intimidação por desespero, o que não menoscaba o fato de que a maconha medicinal pode aliviar as dores e o sofrimento dos pacientes em estado grave com segurança e eficiência”, disse Dianne Byrum, porta-voz da Michigan Coalition, à Associated Press no início deste mês em resposta às afirmações da oposição. “Simplesmente plantam verde para colherem maduro”, disse, enfatizando que a iniciativa do Michigan não estipula a inauguração de “lojas de maconha”. “Esta lei não se parece em nada com a da Califórnia”, disse plenamente.

    Na segunda-feira, os federais chegaram. O subsecretário antidroga Scott Burns viajou de avião para realizar uma entrevista coletiva com Schuette e uma sala cheia de funcionários da força pública.

    “A Proposta 1 é ruim para o Michigan e ruim para os Estados Unidos”, disse Burns. “Esta questão trata da droga, não da medicina”.

    Burns também argumentou que a iniciativa é respaldada por indivíduos ricos que foram a favor de medidas parecidas em outros estados. “São financiados por milhões de dólares de milionários que moram em Washington, DC, para contratarem pessoas que vêm ao Michigan para tentarem dar um golpe nos eleitores do estado a fim de que o aprovem”, disse, pelo visto sem reparar na ironia de que ele, se não era milionário, viera de Washington, DC, para representar uma agência com um orçamento de vários bilhões de dólares para dizer aos eleitores do Michigan o que deviam fazer.

    Na terça-feira, o próprio cachorro grande, o secretário antidroga Walters deu as caras. Em uma entrevista coletiva em Lansing naquele mesmo dia, Walters repetiu parte da desinformação de Schuette sobre o possível incremento do consumo de maconha entre adolescentes e suas comparações enganosas com a Califórnia.

    Walters também disse que a iniciativa “dá às pessoas viciadas um jeito de dizerem que têm um problema de saúde” para obterem mais erva. Igualmente, argumentou que a maconha, diferentemente dos analgésicos opiáceos, não está regulada e possui potências variadas e que uma forma farmacêutica da maconha, o Marinol, já se encontra no mercado. “Dizer que precisamos fumar uma erva para deixarmos as pessoas chapadas porque é o melhor que podemos fazer por elas é uma abominação”, declarou o nativo do Michigan.

    Porém, o surgimento da Michigan Citizens e a chegada do secretário antidroga e seu adjunto podem ter acontecido tarde demais. A medida estava bem na dianteira na maior parte das pesquisas recentes e a imprensa estadual equilibrou as advertências horrendas de Walters e seus homólogos da região com entrevistas com pacientes e defensores da iniciativa, então não se sabe quanto terreno a ofensiva da oposição pode ganhar.

    Para Bruce Mirken, diretor de comunicação do MPP, que enfrentou a interferência do ONDCP nas iniciativas estaduais no passado e apóia a iniciativa do Michigan, a manha do secretário antidroga parecia antiquada e cobiçosa.

    “Estamos quase igualmente divertidos e horrorizados”, disse. “É a mesma campanha de desinformação de sempre à custa do contribuinte que Walters fez uma e outra vez. Desta vez, não só foi ao Michigan com nosso dinheiro, trouxe até uma máquina automática de cânabis medicinal que a DEA apreendeu há alguns meses de um dispensário em Los Ângeles, embora a iniciativa do Michigan não estipule dispensários, muito menos máquinas automáticas. É a Turnê Desinformação de Walters 2008”, resmungou Mirken.

    A campanha de ataques falsos contra a iniciativa indica que a oposição está desesperada, disse Mirken. “De algum modo, é um bom sinal para o nosso lado”, argumentou. “Não têm nenhum fato real e estão reduzidos a ficar inventando coisas”.

    Os eleitores do Michigan terão a palavra final daqui a pouco mais de duas semanas. Fique ligado.

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