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Edição #607, Nov 06, 2009

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    América Latina: Cocaleiros peruanos avançam em terras indígenas

    Impelidos pelos lucros do narcotráfico e medidas enérgicas em outras partes do país, os cocaleiros no Vale dos Rios Apurímac e Ene (VRAE) na região centro-sul do Peru estão avançando em terras indígenas na selva amazônica do país, de acordo com um novo informe da agência de notícias Inter Press Service. Os ocupantes daqueles territórios não estão gostando nada disso.

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    Phil Smith, editor da Crônica, com Abdón Flores Huamán, líder cocaleiro do VRAE
    O Peru é o segundo maior produtor de coca atrás da Colômbia e produziu umas 56.000 toneladas de folhas de coca e cerca de 180 de cocaína, segundo o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime. Menos da metade de todo o cultivo da coca peruana acontece no VRAE, onde há uns 30.000 agricultores que integram o sindicato cocaleiro. Somente 10.000 deles mais ou menos estão inscritos na ENACO, o monopólio da coca do Estado Peruano que compra as safras ilícitas de coca.

    Embora as autoridades peruanas estejam levando a cabo trabalhos de erradicação em outras partes do país, como no Vale do Huallaga, tais esforços estão em suspenso no VRAE, onde as autoridades temem acender a mecha em uma mistura explosiva de pobreza, sentimento antigovernista, cartéis do narcotráfico e resquícios do Sendeiro Luminoso que degeneraram em traficantes ou protetores de traficantes.

    O comissário para a Paz e o Desenvolvimento na Selva Central, Mario Jerí Kuriyama, disse à IPS que o povo indígena dos ashaninca na região reclamou várias vezes de incursões de supostos cocaleiros. Em meados de julho, comunidades ashanincas ao longo do Rio Ene concordaram em se opor às intrusões de forasteiros e proteger seus territórios.

    “Nos últimos anos, há um forte deslocamento para a selva central destes colonos, que se vêem levados a semear a coca por ser rentável. Mas isto originou o repúdio dos indígenas que não querem estranhos em suas terras”, disse Jerí Kuriyama.

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    estátuas de folhas de coca no Parque Municipal de Pichari (foto de Phil Smith, Crônica da Guerra Contra as Drogas)
    “Há um repúdio do povo ashaninca aos colonos, sobretudo porque os relacionam ao Sendeiro Luminoso, que acabou com suas famílias durante o conflito armado (1980-2000), e também os associam ao narcotráfico. Para eles, sempre serão os ‘invasores’”, disse à IPS Óscar Espinosa, um antropólogo da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

    Uma comunidade ashaninca no Ene, Shimpenshariato, recebeu um golpe particularmente duro, disse Kilderd Rojas, técnico da CARE, à IPS. Após uma jornada difícil de um dia inteiro em automóvel e bote ao povo remoto, Rojas informou que há grandes plantações de coca junto a casas equipadas com antena parabólica e outros luxos “Pelo menos a metade do território da comunidade está invadido e, dessa extensão, 30 por cento estão cobertos por coca e o resto por outros cultivos”, disse Rojas.

    A entrada dos cocaleiros nas terras indígenas é um resultado previsível das tentativas de tomar medidas enérgicas contra o plantio da coca e a produção de drogas na região, disse Ricardo Soberón, especialista em drogas e desenvolvimento. “Enquanto as autoridades cantam vitória em outros vales como o Huallaga, não estão vendo o movimento pendular em direção à selva central onde se concentram as rotas do tráfico, os grupos armados do terrorismo, armazéns de cultivos com novas áreas e uma série de fatores que está expondo os indígenas aos interesses das máfias”, disse Soberón à IPS.

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