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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Bolívia impede vôos antidrogas dos EUA e diz que não precisa nem quer ajuda estadunidense para lidar com a coca

    As relações entre a Bolívia e os EUA, que já estão tensas pela expulsão do cônsul dos EUA da Bolívia no mês passado por supostamente ajudar a instigar protestos antigovernistas e a ulterior “descertificação” estadunidense da Bolívia por não cumprir com os objetivos estadunidenses no combate às drogas, esfriaram ainda mais ao longo do fim de semana. Na quinta-feira passada, o presidente boliviano Evo Morales recusou uma solicitação da DEA para sobrevoar o país, e, no sábado, lançou um ataque retórico contra as políticas de drogas estadunidenses.

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    folhas de coca bolivianas secam em armazém – o letreiro diz ''Coca Poder e Território, Dignidade e Soberania, Congresso Regional'' (foto de Phil Smith, Crônica da Guerra Contra as Drogas)
    De acordo com a Agência Boliviana de Informação, na quinta-feira passada, Morales instruiu seu governo a negar uma solicitação por escrito do governo estadunidense para realizar vôos de reconhecimento sobre o país sul-americano. “Há dois dias, recebi uma carta da DEA dos Estados Unidos (em que) pedia permissão a uma instituição do Estado para sobrevoar o território nacional”, disse Morales segundo uma citação da agência. “Quero dizer publicamente a nossas autoridades do setor: Não estão autorizadas a dar permissão para que a DEA possa sobrevoar o território boliviano”.

    A Bolívia é o terceiro maior produtor de coca, de onde provém a cocaína. Desde sua eleição à presidência, Morales, quem ganhou destaque como líder de um sindicato cocaleiro, tem adotado uma política de “cocaína zero, mas não coca zero”. No governo Morales, os camponeses têm permissão para cultivar quantidades especificadas de coca para usos tradicionais e industriais. Em outro sinal de tensão com os EUA, recentemente os cocaleiros leais a Morales expulsaram a USAID da região cocaleira do Chapare dizendo que seus programas eram ineficazes.

    No sábado, Morales falou com maior veemência e disse que a Bolívia não precisa da ajuda dos EUA para fiscalizar seu plantio de coca. Ele discursou perante uma multidão de cocaleiros nas redondezas de La Paz.

    “É importante que a comunidade internacional saiba que, aqui, não precisamos de controle da DEA nem dos EUA nos cultivos de coca. Nós nos controlamos internamente. Não precisamos de nenhuma espionagem de ninguém”, disse Morales em comentários informados pela Associated Press.

    Um porta-voz do Departamento de Estado disse à AP que, em parte, os EUA tiraram a certificação da Bolívia porque escolhera trilhar seu próprio caminho em vez de seguir o exemplo de Washington. “Certificamos a Bolívia duas vezes antes no governo Morales, embora tenham feito uma abordagem muito diferente aos trabalhos antidrogas, especialmente à erradicação, da de governos anteriores”, disse Thomas Shannon, o principal diplomata estadunidense para a América Latina. “Porém, o que percebemos ao longo dos dois últimos meses”, acrescentou, “foi cada vez menos disposição política a cooperar e daí uma tentativa muito precisa da parte de alguns dos ministérios do governo de começar a diminuir o nível de cooperação e tentar romper relações” entre os trabalhos antidrogas estadunidenses e bolivianos.

    Apesar de que o governo Bush tirasse a certificação da Bolívia, não cortou a ajuda antidroga. No entanto, suspendeu a isenção da Bolívia das tarifas estadunidenses conforme um acordo comercial regional. Isso poderia custar até 20.000 empregos à Bolívia, segundo líderes de negócios bolivianos. [Ed.: Para que tipo de emprego as pessoas se voltam às vezes quando perdem seus empregos legais?]

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