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Edição #609, Nov 20, 2009

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    Opinião pública: Três quartos de possíveis eleitores acham que combate às drogas está fracassando e mais de um quarto é a favor da legalização, descobre pesquisa Zogby

    De acordo com uma pesquisa Zogby/Inter-American Dialogue publicada na quinta-feira, mais de três quartos dos possíveis eleitores entrevistados disseram que o combate às drogas dos Estados Unidos é um fracasso. É um contraste marcado com as políticas de drogas estaduais e federais dos EUA. A pesquisa também descobriu que há diferenças consideráveis entre as políticas estadunidenses no hemisfério e o que os entrevistados gostariam de ver.

    Em matéria de políticas de drogas, 76% acham que a guerra contra as drogas dos EUA está fracassando. Isso incluía uma grande maioria de democratas (86%), independentes (81%) e até a maioria dos republicanos (61%). Entre os partidários de Barack Obama, 89% concordavam e entre os de McCain 61%. Embora não seja claro que a crença de que a guerra contra as drogas está fracassando indica apoio à reforma das políticas de drogas – isso pode incluir os que acham que fracassa porque não tentamos o suficiente -, dá a entender sim que surge um consenso de que atualmente segue-se o caminho errado.

    Quando indagados sobre a melhor maneira de confrontar o consumo de drogas e o tráfico internacional, os entrevistados estavam divididos. Vinte e sete por cento dos possíveis eleitores disseram que legalizar algumas drogas era a melhor abordagem (34% dos partidários de Obama; 20% dos de McCain); 25% disseram que era deter as drogas na fronteira (12% dos partidários de Obama, 39% dos de McCain); 19% disseram que era reduzir a demanda através do tratamento e da conscientização; e 13% disseram que a erradicação de cultivos nos países de origem era a melhor abordagem.

    A pesquisa não se limitava às políticas de drogas de jeito nenhum. A respeito de outras questões hemisféricas, descobriu que 60% acham que os EUA deveriam revisar suas políticas para com Cuba, 67% eram a favor de um caminho rumo à cidadania para imigrantes indocumentados que paguem impostos e aprendam inglês, 46% acham que os EUA deveriam procurar melhorar os laços com o presidente venezuelano Hugo Chávez (10% queriam romper relações totalmente), 54% acham que os EUA deveriam abaixar as tarifas sobre o etanol brasileiro e 42% acham que o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte deveria ser revisado.

    “Os resultados da pesquisa indicam que a opinião pública estadunidense é muito mais aberta e flexível a respeito de questões de importância para as relações dos EUA com a América Latina do que as políticas atuais indicariam”, observou Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue, um grupo de estudos de Washington que colaborou com a Zogby International na pesquisa. “No entanto, também indica que a opinião pública pode não ser tão relevante assim em decisões a respeito de questões de políticas de maior importância para a América Latina – que elas podem ser determinadas em sua maior parte por grupos menores com sentimentos intensos sobre as questões”, disse em uma nota à imprensa que acompanha os resultados da pesquisa.

    “Embora existam diferenças consideráveis entre os partidários de Obama e McCain na maioria das questões, a pesquisa indica que o grande público concorda a respeito das tarifas sobre o etanol, os trabalhadores temporários e o fracasso do combate às drogas – são questões importantes nos negócios hemisféricos com que o próximo presidente dos EUA terá a oportunidade de lidar”, acrescentou Hakim.

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