Maconha: Ilha Grande do Havaí votará em iniciativa de menor prioridade da força pública
Os requerentes de uma iniciativa que transforma os delitos adultos de maconha na menor prioridade da polícia na Ilha Grande do Havaí, amiga da maconha, não conseguiram recolher assinaturas válidas suficientes para entrarem na votação de novembro, mas vão fazê-lo mesmo assim. Após revisar a contagem de assinaturas, a câmara municipal votou em submeter a medida a votação por cinco votos contra quatro.

Parque Nacional do Vulcão, Ilha do Havaí
Há décadas, o cultivo de maconha na Ilha Grande e os trabalhos de erradicação de parte da força pública – especialmente os levados a cabo por helicópteros barulhentos e rasantes – têm sido uma questão política. Em 2000 e de novo no ano passado, a câmara comarcã negou verbas federais para a erradicação (embora a comarca acabasse proporcionando tais verbas a si mesma no ano passado).
A força pública da região não está satisfeita. Sam Thomas, o comandante da polícia que supervisiona as operações policiais no leste do Havaí, temia que a iniciativa criasse “áreas cinzas” que podiam prejudicar os trabalhos antidrogas da polícia. “Tem tanto cinza ali, e os policiais, não agimos com acerto no cinza. Precisamos de muito branco e preto”, disse ele ao Honolulu Advertiser.
Thomas também comunicou ao Advertiser que temia que o cultivo de 24 plantas criasse lucros inesperados para os cultivadores e que a iniciativa prejudicasse a repressão à metanfetamina. Agora, explicou Thomas, quando a polícia acha plantas de maconha crescendo fora da casa de um suspeito de tráfico de metanfetamina, pode usar essa prova para obter um mandado de busca. Isso não aconteceria se a iniciativa fosse aprovada, disse. “Neste caso, se eu quisesse lançar mão da maconha como base para um mandado de busca, não, não teria autorização para isso”, reclamou.
Porém, Bob Jacobson, o vereador comarcão que apresentou a resolução comarcã para botar a proposta nas urnas, disse que queria ver a questão submetida a votação. Ele disse ao Advertiser que muitas pessoas lhe haviam dito que eram a favor da iniciativa, mas que tinham medo de assinar as petições.
“Pessoalmente, acho que é preciso fazê-lo e pronto”, disse Jacobson. “Há prioridades melhores e mais altas para a polícia do que andar por aí tentando encontrar alguns usuários casuais de maconha”.
Adam Lehmann, um agricultor orgânico, fumante espiritual de maconha e integrante da diretoria da Peaceful Sky, disse ao Advertiser que há apoio à iniciativa. “O pessoal está bem cansado de ver que se apropriam indebitamente do dinheiro para tirar da educação e da saúde e financiar uma guerra contra uma planta”, disse Lehmann. “É claro que vai dar mais tempo e recursos à polícia para que se concentre nos crimes mais graves. Vai proporcionar muito espaço em nossas prisões, vai ajudar os tribunais a funcionarem sem problemas, e, em essência, vai economizar milhões de dólares todo ano para os contribuintes desta comarca” porque evitará os custos da repressão estrita à maconha, disse.
Iniciativas de menor prioridade já foram aprovadas em seis cidades californianas; em Seattle; em Denver; na Comarca de Missoula em Montana; em Hailey no Idaho; e em Eureka Springs no Arcansas.










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