Editorial: A guerra à coca é fútil, enquanto na legalização das drogas todos saem ganhando
David Borden, diretor-executivo

David Borden
A questão é importante. A coca é uma planta cultivada há gerações na Bolívia e em outros países andinos e ela é necessária em termos econômicos. Líderes cocaleiros da Bolívia e do Peru falaram com eloqüência de sua situação, de suas necessidades – e de seus direitos – em nossa conferência latino-americana reunida no México em 2003. Chá, doces e até sabão de coca entregues por participantes da conferência levantaram a questão diretamente – coca não é cocaína, apesar da origem da cocaína na folha de coca.
Infelizmente, o artigo parou por aí e não fez a pergunta lógica seguinte: O aumento de realizações da Bolívia na fiscalização das drogas vai reduzir mesmo a oferta mundial de cocaína?

folhas de coca secam no acostamento, região boliviana do Chapare (foto de Phil Smith, editor da Crônica, 2007)
Para que a mudança no cultivo de coca de um país para o outro seja muito maior do que a mudança total, a demanda tem de ser o fator dominante em funcionamento, não a repressão. A queda tão incrível dos preços da cocaína também mostra que a erradicação, a interdição e o policiamento doméstico juntos nem sequer causando impacto estão – os abastecedores simplesmente antecipam as perdas enviando mais, e têm dinheiro para isso.
Os agricultores bolivianos merecem um tratamento melhor do que o assédio pelo cultivo tradicional de que precisam economicamente, o que transforma a tolerância do plantio de coca do governo Morales em algo justo. Porém, trabalhos antidrogas para diminuir a demanda são fúteis em termos da meta final e as pessoas ao redor do mundo que são afetadas pela cocaína e pelo tráfico ilícito também merecem um tratamento melhor. Só a legalização mundial pode deter a violência e a corrupção que caracteriza o narcotráfico ilegal. Os consumidores dependentes também tomarão mais liberdades para procurarem ajuda quando não forem considerados criminosos e terão menos chances de fazer mal a si mesmos ou aos demais nesse ínterim. Todos saem ganhando com o fim da proibição das drogas.

















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