TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #562, Nov 28, 2008

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    Polícia: Policial assassino se safa em caso de tiroteio em operação da SWAT no Ohio e parentes processam por morte em razão de negligência

    Um júri totalmente branco inocentou de todas as acusações o sargento Joe Chavalia da Polícia de Lima no Ohio pela morte a tiros de Tarika Wilson, 27, durante uma operação da SWAT em janeiro contra a casa de um pequeno traficante de pedra de cocaína que era seu amásio. Wilson foi morta a bala quando se encolhia na porta de um quarto no segundo andar segurando o neném dela, Sincere Wilson, em seus braços. Ele também atingiu o menino; amputaram o dedo dele por causa de seus ferimentos.

    http://stopthedrugwar.org/files/limaswat1.gif
    GIF animado que aparecia na página da equipe SWAT de Lima, retirado pouco tempo depois do assassinato de Wilson
    Em meio à indignação da comunidade pelo assassinato de Wilson, cujos cinco outros filhos estavam no quarto atrás dela, o sargento Chavalia foi indiciado por sua morte – mas apenas por contravenções. Ele podia pegar um máximo de oito meses de prisão se fosse considerado culpado por tê-la matado.

    Durante seu depoimento no julgamento, o sargento Chavalia disse que achava que sua vida corria perigo quando entrou na casa e viu uma “figura sombria” no saguão ao mesmo tempo em que ouviu disparos. Daí abriu fogo, matando Wilson. Os depoimentos no julgamento determinaram que, em realidade, os disparos que Chavalia ouviu foram feitos por dois outros integrantes da equipe SWAT, os quais estavam matando dois pit bulls no térreo.

    “Com certeza, com muita certeza não tinha dúvida naquele momento e naquele lugar de que, seja o que for, é tiroteio e estão tentando me matar”, disse ao júri.

    Bill Kluge, advogado de Chavalia, argüiu o caso com agressividade, até rebaixando-se a culpar a vítima por fazer com que a matassem. Wilson escolhera morar com um traficante, disse, e não se identificara aos intrusos berradores que derrubaram a porta dela.

    “Por que colocaria essas crianças nessa situação? Não sei a resposta para isso”, disse Kluge. “O amor é estranho”.

    Após ouvir três dias e meio de depoimentos no caso, o júri deliberou durante três horas antes de inocentar Chavalia.

    “Devemos aceitar isso sorrindo? Devemos acreditar na justiça?” perguntou um incrédulo Ivory Austin II, meio-irmão de Wilson, em comentários informados pelo Toledo Blade.

    “Temos que fazer coisa melhor. Demos às pessoas licença para matar”, disse depois Jason Upthegrove, presidente da sucursal da NAACP em Lima.

    O reverendo Arnold Manley, pastor da Igreja Batista do Descanso Peregrino, disse ao Blade que foi ao julgamento para ver a justiça prevalecer, mas isso não foi o que aconteceu. “Como pastor, estou profundamente ferido por podermos tomar distância disto e dizer que se fez justiça”, disse. “Como é que posso sair a dizer às pessoas na rua: ‘Que prevaleça a lei’? Como posso dizê-lo? Justiça de branco. Pesar de negro”.

    Darla Kaye Jennings, avó de Sincere Wilson, respondeu à “justiça de branco” de Lima ao entrar com uma ação de direitos civis na Justiça federal dos EUA contra Chavalia e a Cidade de Lima um dia depois de anunciado o veredicto. A ação pede compensação pelas lesões de Sincere e também um fim ao “abuso policial ao exigir que as execuções de mandados de busca de alto risco se limitem a situações em que sejam verdadeiramente necessárias e em que se empregue a menor quantidade de força necessária na situação”.

    De acordo com a ação, o tiroteio que resultou na morte de Wilson e nas lesões de seu filho foi “excessivo, insensato e completamente desnecessário”. A ação acrescentou que o sargento Chavalia agiu “de modo negligente” quando lançou mão de força letal.

    Outro policial assassino se safou. Porém, talvez a Cidade de Lima aprenda uma dura lição quando seja forçada a pagar por suas malfeitorias.

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