Resenha da Crônica: "Dying to Get High: Marijuana as Medicine", de Wendy Chapkis e Richard J. Webb (2008, NYU Press, 244 págs., $22.00, brochura)
Phillip S. Smith, redator/editor

Como sociólogos, Chapkis e Webb têm um olho clínico para as forças gerais da sociedade, cultura e política que cercam a questão da maconha medicinal, da ascensão das ordens farmacêutica e médica ao desprezo da “guerra cultural” pela maconha e os consumidores entre muitos estadunidenses. Mas, embora o estadunidense médio possa desdenhar os hippies maconheiros, parece que é a localização da maconha no lado errado do discurso científico e farmacêutico moderno o que mais entrava seu reconhecimento enquanto remédio.
A maconha é uma planta, não um comprimido. É um medicamento erval, não um composto químico. É um “material de planta natural”, não um “fármaco puro”. Tudo isto, indicam Chapkis e Webb, dificultam sobremaneira que a maconha medicinal entre na cabeça das ordens médica e científica. E quando o viés científico se junta com o desdém e temor culturais do “consumo abusivo” generalizado, não é surpresa que o governo federal continue resistindo à maconha medicinal.
Chapkis e Webb apresentam um indiciamento retumbante e sensato da oposição política e (pseudo)científica à maconha medicinal e sua sucinta discussão das questões que rodeiam a polêmica vale o preço do ingresso.

Seu relato do surgimento e da permanência do WAMM tanto comove quanto esclarece. Arraigado no solo fértil de Santa Cruz, já bem lavrado por movimentos sociais anteriores como o feminismo, os direitos dos homossexuais e o ativismo em matéria de AIDS, o WAMM só pode ter sido possível em um lugar tão amigável para movimentos radicais e tão familiarizado com o ativismo em torno às questões dos cuidados médicos e da justiça social. Chapkis e Webb fazem um seguimento de sua formação, seu crescimento, seus conflitos e problemas e a humanidade de seus integrantes padecentes.
Também contam a estória da operação da DEA em 2002 contra a horta do WAMM e seu impacto devastador sobre os integrantes. Mas, aquele reide e suas conseqüências não foram um golpe apenas para os doentes e moribundos, foi um chamado às armas, impelindo o WAMM a uma ação ainda mais abertamente política para proteger a si mesmo e o movimento geral.
No geral, Chapkis e Webb fazem um ótimo trabalho ao dissecarem o WAMM, examinando como funciona, como lida com a disfunção e como presta um serviço que vai muito além da maconha medicinal para seus integrantes. O WAMM é talvez o coletivo-modelo em matéria de maconha medicinal e tem muitas lições com que brindar o leitor interessado.
Um coletivo no estilo do WAMM daria certo em outros lugares? Chapkis e Webb enfatizam a importância do pano de fundo político e cultural em Santa Cruz ao possibilitar o WAMM, mas acho que o próprio surgimento do WAMM enquanto coletivo bem-sucedido torna a possibilidade de aparecimento de coletivos parecidos em outros lugares igualmente provável. Afinal de contas, até a Califórnia como um todo não é tão radicalizada como Santa Cruz ou São Francisco, mas coletivos parecidos estão aparecendo em Santa Rosa e no Vale de São Fernando, entre outros locais.
Em todo caso, Chapkis e Webb proporcionam muito para pensar para os que quiserem apreender algum conhecimento histórico e pontos de debate, para os interessados na gênese do movimento pró-maconha contemporâneo e para os que ponderarem a viabilidade de abordagens igualmente radicais à saúde e autogestão.












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