Sudoeste Asiático: Talibã aufere $100 milhões ao ano da proibição das drogas
O Talibã auferiu cerca de $100 milhões no ano passado tributando os agricultores afegãos envolvidos no cultivo da papoula, disse Antonio Maria Costa, o diretor do Escritório da ONU Contra as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês), à Rádio BBC. O dinheiro proveio de um posto de 10% sobre os agricultores em regiões controladas pelo Talibã, disse Costa, acrescentando que os insurgentes islâmicos auferiram lucros do negócio das drogas ilícitas de outros modos também.

os artigos do traficante de ópio (foto de Phil Smith, editor da Crônica, durante sua visita ao Afeganistão em setembro de 2005)
A receita do ópio talibã pode cair ligeiramente neste ano, disse Costa, indicando que as safras e renda provavelmente diminuirão devido a secas, infestações e a proibição da papoula imposta no norte e leste do Afeganistão. Isso diminuiria a receita talibã, “mas não enormemente”, disse.
Mas, uma colheita menor neste ano provavelmente não causará nenhuma escassez ou um impacto sério na receita mercantil do ópio do Talibã. Durante os últimos três ou quatro anos, o Afeganistão produziu mais do que o consumo anual mundial estimado, observou Costa. “No ano passado, o Afeganistão produziu cerca de 8.800 toneladas de ópio”, disse. “Nos últimos anos, o mundo consumiu cerca de 4.400 toneladas de ópio, isto deixa um excedente. Está armazenado em alguma parte e não com os agricultores”, acrescentou.
O Talibã lançou mão das verbas com eficácia, como evidenciado pela força crescente da insurgência, especialmente no sudeste afegão – precisamente na região de cultivo mais intenso da papoula. Mais de 230 efetivos dos EUA e da OTAN foram mortos em combate no Afeganistão no ano passado e 109 mais foram mortos até este momento do ano. Na terça-feira, o major-general Jeffrey Schloesser do Exército dos EUA disse aos repórteres que os ataques talibãs na região haviam subido 40% ao longo do mesmo período no ano passado.
Funcionários britânicos entrevistados pela BBC disseram que era incontroverso que o Talibã lucrava com o tráfico ilegal criado pela proibição. “Quanto mais de perto o examinarmos, mais estreita é a relação dos insurgentes com o tráfico”, disse David Belgrove, diretor de operações antientorpecentes no Consulado da Grã-Bretanha em Cabul. “Podemos dizer que grande parte de suas armas e munição está sendo financiada diretamente pelo tráfico”.
Isso deixa a OTAN e os EUA empacados com o duradouro dilema afegão: Deixar o tráfico de ópio em paz e fortalecer o Talibã ao permitir que arrecade centenas de milhões de dólares; ou ir atrás das papoulas e do tráfico de ópio e fortalecer o Talibã ao empurrar centenas de milhares de agricultores afegãos a seus braços pacientes.























