Sudoeste Asiático: Ocidente ameaça bloquear ajuda antidroga ao Irã por questão nuclear
Com o ópio afegão e a heroína feita dele afluindo à Europa, o Irã é um dos primeiros bastiões na tentativa de estancar a maré. Mas, agora o Ocidente ameaça impor maiores condições sobre a ajuda antidroga para que Teerã aceda às suas exigências de que a República Islâmica pare o enriquecimento de urânio.

queima de drogas do Dia internacional contra o abuso e o tráfico ilícito de drogas em Teerã
A ameaça aconteceu em um pacote de incentivos apresentado no dia 14 de junho pelos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, França, Grã-Bretanha, China e Rússia) e a Alemanha em uma tentativa de fazer com que Teerã mude suas políticas nucleares. O Irã disse várias vezes que não vai parar de enriquecer urânio e agora a União Européia considera tomar sanções mais gerais, inclusive acabar a cooperação com os trabalhos antidrogas iranianos.
O pacote prometia ao Irã “a intensificação da cooperação no combate ao narcotráfico” oriundo do Afeganistão, mas só se parar com o enriquecimento de urânio. Teerã insiste que tem o direito de utilizar tal tecnologia e diz que seu programa nuclear serve somente para fins pacíficos.
Acabrunhado com uma fronteira de 930 quilômetros com o Afeganistão, o Irã dispersou uns 30.000 soldados e policiais para combaterem o contrabando de ópio e heroína provenientes de seu vizinho. Uns 3.500 deles foram mortos nas últimas duas décadas. No ano passado, funcionários iranianos informaram apreender 660 toneladas de ópio, aproximadamente três quartos do total confiscado no mundo inteiro. Apesar de tais trabalhos e de uma resposta iraniana duríssima aos crimes de narcotráfico – a pena de morte -, seria possível dizer que o Irã sofre com o índice mais alto de dependência de opiáceos do mundo.
Mas nem todo o ópio e heroína contrabandeados através da fronteira iraniana permanecem no Irã e isso levou Antonio Maria Costa, diretor do Escritório da ONU Contra as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês), a advertir que a Europa podia ser atingida por um “maremoto de heroína” se a ajuda antidroga for obstaculizada. “Com certeza deveríamos auxiliar a este respeito”, disse ele à Associated Press nesta semana. “O Irã é um país de primeira linha”.
Roberto Arbitrio, o homem do UNODC em Teerã, disse à AP que o combate às drogas deveria ser considerado “uma região não-política de interesse mútuo”.
“Cooperar com o Irã no Afeganistão nisto e em outras questões não é um favor que lhe fazemos – mas algo que precisamos fazer em nosso próprio interesse”, disse Barnett Rubin, talvez o principal especialista acadêmico estadunidense em Afeganistão, à AP.
Apesar de tais objeções, patentemente a interceptação de drogas não conseguiu reduzir a oferta, tornando o espectro do aumento na toxicomania um resultado incerto caso a ajuda for retida.
Nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado dos EUA nem Javier Solana, alto representante para a política exterior e de segurança comum da União Européia, queriam comentar sobre a relação entre o prosseguimento da ajuda antidroga e o cumprimento de Teerã com as exigências ocidentais.












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