CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Matéria: Amsterdã, Connecticut? Reformador visionário das políticas de drogas procura cargo estadual e mudança radical

    Como o resto dos bairros carentes nos EUA, o 130º Distrito de Bridgeport em Connecticut foi o marco zero no combate às drogas há décadas. Em sua maioria negro ou latino, como outros bairros de minorias pelo país afora, sofreu os estragos gêmeos da farmacodependência e da proibição das drogas. Agora, um ex-oficial da Marinha convertido em reformador das políticas de drogas procura mudar tudo com uma visão ousada e uma candidatura adventícia à Câmara dos Deputados Estaduais.

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    Sylvester Salcedo (o segundo da direita)
    No fim de maio, o advogado Sylvester Salcedo de Bridgeport anunciou que buscava a indicação do Partido Democrata para a corrida rumo à Câmara de novembro no 130º. Salcedo é famoso nos círculos reformadores das políticas de drogas por ser o primeiro e único ex-militar a protestar contra a guerra às drogas pela devolução de sua medalha de Realização na Marinha e no Corpo da Marinha ao então presidente Bill Clinton.

    “O uso e abuso de entorpecentes é nosso problema aqui em casa”, escreveu em uma carta endereçada a Clinton na época. “Dever-se-ia aplicar as soluções aqui e não na Colômbia ou em outro lugar. Gastar esta quantidade adicional de dinheiro no exterior é esbanjador e contraproducente”.

    Avance oito anos e pouco coisa mudou. O combate às drogas continua depressa, as prisões e prisioneiros por delitos de drogas sofrem novas altas todo ano. A violência relacionada com a proibição das drogas continua assolando cidades como Bridgeport. E Salcedo está farto.

    “A guerra contra as drogas é uma das mais longas de nosso país, aqui e no exterior”, disse enquanto anunciava sua candidatura no dia 29 de maio. “É absurda, esbanjadora e contraproducente. É altamente discriminatória racial e economicamente. Eu disse isso na escadaria do Congresso dos EUA em Washington, DC, flanqueado e apoiado pelos congressistas republicanos Jim Ramstad do Minnesota e Tom Campbell da Califórnia no verão de 2000”, disse.

    “Oito anos depois, as condições são as mesmas, se não piores, especialmente para os moradores isolados e desamparados dos encraves de minorias étnicas e bairros como o 130º Distrito”, prosseguiu Salcedo. “Quero ganhar esta cadeira de deputado estadual para ser um líder da mudança. Quero estar à frente rumo à paz, ao entendimento e à cooperação, não através da política do medo e da discórdia e conflito étnicos. Esta guerra sem sentido contra os pobres e os sem-voz deve acabar”.

    Salcedo não toma medidas incompletas. Propõe transformar o 130º Distrito em uma espécie de mini-Amsterdã, uma zona de tolerância das drogas cheia de injetódromos, instalações de manutenção com opiáceos e vendas taxadas e regularizadas de maconha. “Giro em torno desta idéia do Pacto do 130º Distrito, que é declarar o distrito uma zona de tolerância”, disse.

    “Quero pegar emprestado de modelos como os de Amsterdã ou Francoforte”, explicou. “Não proponho uma lei de legalização, mas reconheço o fato de que o 130º é uma área de alto tráfico e consumo de drogas, de maconha a heroína e cocaína. Quero tentar estas abordagens por aqui. Se morar no distrito e for dependente de heroína, colaboraríamos com você, seja por um regime de tratamento e reabilitação, seja por um regime de manutenção. Se escolher a manutenção, você recebe o nível de heroína de qualidade farmacêutica de que precisa. Em qualquer um dos casos, recebe serviços médicos, psicológicos e sociais, um exame de admissão, um assistente social e um assessor em matéria de drogas que vão colaborar com você. Mas, não será um programa coercitivo ou punitivo; em troca, teria o desígnio de desenvolver a relação com o dependente”.

    Aludindo às escolas, bibliotecas e demais serviços cronicamente subfinanciados de Bridgeport, Salcedo também pediu vendas regulamentadas de maconha como captador de recursos. “Quero inaugurar uma série de cafeterias canábicas neste distrito”, disse. “Podem ser financiadas pela cidade ou podem ser um projeto conjunto de iniciativa pública e privada. Se o pessoal quiser vir aqui e consumir, será bem-vindo, que pague o preço de mercado e taxem suas compras. Os lucros podem ser destinados ao fundo geral da cidade, ou, se for uma joint venture, uma parte vai para os empresários”, disse. “Seguiremos a experiência de Amsterdã e a polícia vai cooperar para que não prenda o pessoal que vier das cafeterias”.

    Sem dúvida, Salcedo terá uma luta duríssima contra o establishment político do Partido Democrata de Bridgeport e para convencer os eleitores céticos de que a mesma cantilena do combate às drogas uma e outra vez não é a solução. Porém, já passou pelo primeiro obstáculo ao conseguir que 290 moradores do distrito assinassem suas petições de nomeação. Agora, tem de arrecadar $5,000 até agosto para mostrar que é um candidato viável e cumprir os requisitos para outros $20,000 em verbas do Estado de Connecticut para as primárias. Pelo menos 150 moradores de Bridgeport devem doar à sua campanha para que esteja apto. (Isso não quer dizer que as pessoas que não moram nem em Bridgeport nem no Connecticut não podem doar – podem sim.)

    Ele consegue, disse Salcedo. “Faltam oito semanas para as primárias e ninguém esperava que conseguisse as assinaturas exigidas, mas as consegui. E me reuni com toda pessoa que assinou os documentos da minha nomeação. Acho que posso ser páreo para este desafio também”.

    Ele vai precisar de um pouco de ajuda da comunidade reformadora das políticas de drogas em geral e dos ativistas do Connecticut em particular se é que quer ter uma chance. Cliff Thornton, um destacado reformador do Connecticut, fundador da Efficacy e candidato ao Governo do Estado pelo Partido Verde em 2006, está entre os primeiros a se manifestar.

    “Com certeza vou ir e fazer algumas coisas por Sylvester”, disse Thornton. “Tenho que ajudar o reformador”.

    Uma coisa que vai aconselhar Salcedo a fazer é colocar sua mensagem de reforma das políticas de drogas na retaguarda. “Vamos tentar afinar a mensagem dele”, disse Thornton. “Não tem de abrir com as políticas de drogas. Já tem fama de reformador das políticas de drogas e não terá de falar sobre isso porque as pessoas vão lhe perguntar a respeito”.

    Outra coisa que Salcedo pode fazer é tentar vincular a reforma das políticas de drogas com outras questões que a comunidade enfrenta, disse Thornton. “Gastamos algo na casa dos $600 e $800 milhões em prisões no Connecticut todo ano”, disse. “Se pegássemos isso e investíssemos no atendimento à saúde, podíamos cuidar de todos no estado. Esse é o tipo de relação que precisa traçar”.

    Seria bom se organizações nacionais de reforma das políticas de drogas proporcionassem mais do que apoio simbólico, disse Thornton, lembrando sua campanha em 2006. “Quando se tratou de sustentar a candidatura mesmo, todos sumiram”, disse. “As organizações-mãe enviaram algumas filhinhas aqui e acolá, mas não o suficiente para causar impacto. E isso é uma vergonha. Começamos a eleger bons políticos reformadores das políticas de drogas, como Roger Goodman no Estado de Washington e Chris Murphy aqui no Connecticut. Seus oponentes os atacam por sua indulgência nas políticas de drogas e sobem nas pesquisas. Podemos eleger as pessoas se as apoiarmos”, disse Thornton.

    Salcedo precisa da ajuda, disse. “No momento, isto é basicamente uma campanha de um homem só e tenho um emprego de tempo integral”.

    Contudo, disse, pode ser capaz de sair com uma vitória-surpresa. “Vai ser uma eleição com baixo comparecimento, não há outras questões em votação por aqui e o único motivo pelo qual as pessoas vão às urnas é para votar em mim pela mudança ou porque estão ligados a um dos candidatos do establishment”, disse. “Neste distrito nesta eleição, talvez 200 ou 300 votos podem me fazer ganhar. Vou deixar de rodeios e conversar face a face com as pessoas. Farei tudo o que puder e daí é com os eleitores”.

    (Esta entrada foi publicada pela ala lobista da StoptheDrugWar.org, a Drug Reform Coordination Network ou Rede Coordenadora da Reforma das Políticas de Drogas, que também divide os custos de manter esta página. A Fundação DRCNet não assume posturas a respeito dos candidatos a cargos públicos em conformidade com a seção 501©(3) da Lei Tributária Federal dos EUA e não remunera matérias que possam ser interpretadas ou mal interpretadas por fazê-lo.)

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