TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #562, Nov 28, 2008

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    América Latina: Direitos humanos são baixas em combate às drogas de Chihuahua

    Três meses depois que o presidente mexicano Felipe Calderón mandou milhares de efetivos a Ciudad Juárez e demais cidades e municípios de Chihuahua para combater os traficantes na Operação Conjunto Chihuahua, o número de denúncias de abusos dos direitos humanos aumenta e vira um problema político, de acordo com o serviço de notícias Frontera Norte/Sur da Universidade Estadual do Novo México, que monitora a imprensa mexicana e fronteiriça.

    http://stopthedrugwar.org/files/ricardo-murillo.jpg
    cartaz de Ricardo Murillo, militante assassinado dos direitos humanos
    Por volta de meados de junho, umas 50 queixas foram apresentadas na procuradoria-geral de Ciudad Juárez, informou o FNS. As denúncias acusam o Exército de cometer abusos de autoridade, levar a cabo detenções ilegais, sumir com cidadãos à força, conduzir buscas ilegais e infligir lesões e danos físicos.

    A Comissão Estatal de Direitos Humanos (CEDH, na sigla em espanhol) oficial de Chihuahua informou mais 28 queixas sobre o Exército em maio e mais 32 até este momento do mês, principalmente no município fronteiriço de Ojinaga, do outro lado do Rio Bravo vindo do Parque Nacional Big Bend no remoto oeste do Texas.

    O pesquisador Gustavo de la Rosa Hickerson da CEDH disse que muitas das vítimas de abusos eram traficantes e dependentes de menor importância que foram espancados e submetidos a várias formas de tortura, inclusive choques elétricos, sufocações simuladas com sacos plásticos e cortes de navalha em instalações militares. Era um “padrão perigoso”, disse, traçando uma comparação com a Guerra Suja dos anos 1970 no México, quando as forças de segurança torturaram e seqüestraram dissidentes e suspeitos de pertencerem a guerrilhas esquerdistas.

    Em um incidente que provocou indignação, soldados mataram três homens a bala no dia 08 de junho em um controle perto do município de Cuauhtémoc no centro do estado. Embora os detalhes não sejam claros, segundo consta os soldados abriram fogo depois que o veículo das vítimas bateu e feriu um soldado. Um repórter na cena foi forçado a se jogar no chão por soldados, enquanto o diretor da comissão estatal de direitos humanos apareceu, mas teve o acesso negado pelos militares.

    De acordo com o FNS, o Vale de Juárez, localizado nas imediações do município do mesmo nome, tem sido uma zona de conflito nas últimas semanas. Há muito o domínio de traficantes e outros criminosos, a região tem sido o alvo de numerosas operações do Exército ultimamente. Os soldados fizeram prisões e capturaram carregamentos de drogas, mas também granjeiam uma lista em permanente extensão de reclamações sobre seu comportamento.

    No sábado passado, moradores bravos do vale realizaram manifestações fora do escritório do procurador-geral mexicano no centro de Juárez. Uma mulher do município de Guadalupe Bravo, Josefina Reyes, reclamou que os soldados invadiram a casa dela e destruíram as coisas antes de roubar seu celular e outros bens. “Nesse dia, houve mais 25 buscas em que sumiram com várias pessoas”, disse Reyes.

    Embora nem os militares nem a procuradoria-geral tenham respondido às queixas publicamente, servidores eleitos da região começam a fazê-lo. No início deste mês, o Congresso do Estado aprovou uma resolução que instava o Exército a punir os soldados envolvidos nos abusos e seu presidente, Jorge Alberto Gutiérrez Casas, instou os militares a se abrirem a respeito das matanças no controle de Cuauhtémoc.

    “Do Poder Legislativo vamos exigir que os direitos humanos não sejam violentados em uma luta que está muito focada na delinqüência organizada, porque o que aconteceu em tal retém não justifica a atuação dos elementos do Exército”, disse Gutiérrez. “O Exército é uma das instituições que mais tem prestígio e credibilidade perante os cidadãos, por isso não devemos permitir que caia em descrédito a confiança que a sociedade depositou neles por causa de situações isoladas”.

    Alegações de abusos dos direitos humanos pelos militares enquanto perseguem sua guerra contra os traficantes não estão limitadas a Chihuahua em absoluto. Na verdade, parecem seguir os militares aonde quer que sejam dispersos como impositores da lei. Em fevereiro, informações violações dos direitos humanos no Vale do Baixo Rio Bravo e, no mês passado, informações violações de direitos humanos em Sinaloa.

    A questão dos direitos humanos ameaça afundar a Iniciativa Mérida, o pacote de ajuda antidroga do governo Bush a México e países centro-americanos. Certos democratas no Congresso dos EUA querem atar o pacote de $1.4 bilhão aos direitos humanos e outras condições, uma ação que sofre firme oposição do México, o qual fica extremamente suscetível a respeito de sua soberania quando se trata de seu vizinho do norte. Na segunda-feira, o presidente Bush fez um apelo aos legisladores para que aprovem o pacote “sem muitas condições”.

    Enquanto isso, o saldo da violência ligada à proibição continua disparando. Desde que Calderón soltou os militares no início do ano passado, cerca de 4.000 pessoas foram mortas, inclusive aproximadamente 500 policiais e soldados. Até em Ciudad Juárez, onde os militares estiveram posicionados desde março, a matança continua se intensificando. De 1º de janeiro a 31 de março, 210 pessoas foram assassinadas. Entre 1º de abril e agora, outras 276 foram mortas.

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