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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: A produção de coca cresceu no ano passado, informa a ONU

    Em um relatório anual lançado na quarta-feira, A cultura da coca na região andina, o Escritório da ONU contra as Drogas e o Crime (UNODC, na sigla em inglês) se disse “surpresa e chocada” ao anunciar que a quantidade de terra dedicada ao cultivo de coca na Bolívia, Colômbia e Peru aumentara para mais de 181.000 hectares. É um incremento de 16% em relação aos números de 2006 e o nível mais alto de cultivo desde 2001.

    http://stopthedrugwar.org/files/leaves-drying-in-warehouse.jpg
    folhas de coca bolivianas secando em armazém – o letreiro diz “Coca Poder e Território, Dignidade e Soberania, Congresso Regional, 2006-08”
    A Colômbia, que continua sendo o maior produtor de coca e cocaína da região apesar do esforço estadunidense de sete anos e $5 bilhões de dólares para exterminar a planta, sofreu o aumento mais espetacular, saltando 27%. O cultivo aumentou 5% na Bolívia, onde um governo amigo da coca está na verdade permitindo pequenos incrementos, e 4% no Peru, onde um governo nada amigável para com a coca vive em conflitos constantes menores com os cocaleiros.

    “O aumento no cultivo de coca na Colômbia é uma surpresa e um choque: uma surpresa porque acontece em uma época em que o governo colombiano tenta tanto erradicar a coca; um choque por causa da magnitude do cultivo”, disse Antonio Maria Costa, diretor-executivo do UNODC. “Mas, esta notícia ruim deve ser posta em perspectiva”, acrescentou em uma busca desesperada de um resquício de esperança. “Assim como no Afeganistão, onde se cultiva a maior parte da papoula em províncias com forte presença talibã, na Colômbia a maior parte da coca é cultivada em regiões controladas por insurgentes”, disse Costa, observando que metade da produção total de cocaína e um terço de todo o cultivo ocorre em apenas 10 das 195 municipalidades do país.

    Porém, apesar do incremento no cultivo de cocaína, sua produção permaneceu estável. No ano passado, a possível produção mundial de cocaína foi de 994 toneladas métricas, de acordo com o UNODC, enquanto em 2006 foi de 984 toneladas métricas. O UNODC apontou safras menores como resultado da pressão oriunda da erradicação aérea massiva, a qual fez com que os agricultores procurassem terras periféricas e recorressem a plantios de coca menores e mais dispersos.

    “Nos últimos anos, o governo colombiano destruiu a agricultura da coca em grande escala através da erradicação aérea massiva, o que inquietou tanto grupos armados quanto traficantes. No futuro, com as FARC em desordem, pode ser mais fácil controlar o cultivo de coca”, previu Costa com otimismo.

    No ano passado, a polícia antidroga da Colômbia, que trabalhava com verbas e contratistas estadunidenses, aspergiu herbicidas em 160.000 hectares de coca e erradicou manualmente outros 50.000 hectares. Mas, como no passado, os camponeses cocaleiros da Colômbia, frente a poucas alternativas, se adaptaram rápido, anulando os ganhos dos erradicadores.

    Embora o Congresso tenha concordado com a experiência de $5 bilhões para erradicar a coca na Colômbia no último ano do governo Clinton e ao longo da presidência de Bush, cresce o clamor no Capitólio por uma mudança na ênfase da ajuda estadunidense. Atualmente, investem-se 80% dela nas forças de segurança e 20% na assistência ao desenvolvimento. Os legisladores podem perguntar com toda a razão o quê estiveram conseguindo com todo esse dinheiro.

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