América Latina: Câmara dos EUA aprova projeto de ajuda antidrogas ao México, mas México resiste a condições de direitos humanos do Senado
Na terça-feira, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou um plano de auxílio antidrogas estimado em $1.6 bilhão que vai durar três anos com vistas a ajudar o México e países centro-americanos a combater os poderosos cartéis do narcotráfico da região, mas agora há dúvidas quanto ao pacote depois que o governo mexicano manifestou fortes objeções a dispositivos na versão senatorial do projeto que liga a ajuda a medidas de direitos humanos. A versão do projeto ainda tem de ser aprovada no Senado.

cartaz de Ricardo Murillo, militante pró-direitos humanos assassinado (foto de Phil Smith, editor da Crônica)
O projeto de lei, aprovado pela Câmara por 311 a 106, começaria a implementar a Iniciativa Mérida, batizada com o nome da cidade mexicana em que funcionários estadunidenses e mexicanos se reuniram para elaborarem um pacote de ajuda. Conforme esse plano, as verbas estadunidenses seriam investidas em equipar e treinar as forças de segurança no México e na América Central e em melhorar os sistemas judiciais na região. O México receberia $1.1 bilhão, enquanto países centro-americanos e caribenhos seriam beneficiários de aproximadamente $400 milhões. Outros $74 milhões seriam destinados a tentar diminuir o fluxo de armas ilícitas vindas dos EUA em direção ao México.
Porém, embora o México houvesse estado ansioso por conseguir o pacote de ajuda, resiste às condições no projeto do Senado, que inclui revisões de direitos humanos, reformas judiciais e outras questões. As condições marcam uma volta à “certificação”, pela qual os EUA determinavam unilateralmente se os países estavam observando os objetivos estadunidenses em matéria de drogas, reclamou o subprocurador-geral mexicano para negócios internacionais, José Luis Santiago Vasconcelos.

capa do jornal Ríodoce
Na semana passada, Eduardo Medina Mora, o procurador-geral mexicano, disse que o presidente Calderón aguardava a versão final do projeto para tomar uma decisão. “O Presidente da República avaliará com muito cuidado o que for aprovado finalmente e, defendendo os melhores interesses do México, tomará a decisão correta, disso devemos estar certos”, disse.
“Acho que de algum jeito ou de outro isto morreu”, disse o comentador político Ricardo Alemán ao Morning News. “Vasconcelos é um funcionário de alto escalão e conta com o apoio do governo”, disse Alemán, acrescentando que o orgulho mexicano está em jogo. “Os mexicanos são muito inflexíveis com isto”, disse. “Primeiro, você reduz o montante econômico e daí impõe condições, não é melhor você ficar com o seu dinheiro?”
No fim de semana passado, uma delegação de senadores estadunidenses viajou a Monterrey para se reunir com funcionários mexicanos em uma tentativa de apaziguar seus receios e há sinais de que vão procurar retirar o texto ofensivo do projeto senatorial.
“Ouvimos de todos aqui a mensagem comum de que este texto tem de ser mudado”, disse o senador Chris Dodd (D-CT), um dos 11 legisladores estadunidenses que assistiam à reunião de dois dias. “Nossos amigos no México precisavam desabafar e explicar como esta questão não foi bem tratada”, agregou o senador. “Qualquer coisa que saiba a certificação é uma impossibilidade”.
Agora é hora de ver se o Senado dos EUA vai sacrificar os direitos humanos mexicanos ao combate às drogas.












digg
reddit



