América Latina: Violência relacionada com a proibição sofre aumento repentino no México
Mais de 100 pessoas, inclusive pelo menos 20 policiais, morreram na violência relacionada com a proibição no México na última semana enquanto os cartéis do narcotráfico trocavam tiros com policiais, soldados e entre si em cidades pelo país afora. Entre os mortos estavam Édgar Millán, comandante da Polícia Federal Preventiva (PFP) assassinado na soleira de sua casa na Cidade do México, e Juan Antonio Román, chefe da polícia municipal de Ciudad Juárez, abatido diante de seu lar no sábado em uma saraivada de balas.

O próprio filho de Guzmán, Édgar Guzmán, foi abatido em Culiacán, capital de Sinaloa, no sábado, supostamente por pistoleiros do rival Cartel de Juárez, que esteve lutando com o grupo de Guzmán pelo controle do tráfico por lá. Foi apenas a última eclosão em duas semanas de violência que contou com ataques sanguinários contra a PFP e a polícia municipal, enormes comboios de vários veículos de traficantes armados perambulando pelas ruas e uma infusão de mais 3.000 soldados no estado.
O presidente mexicano Felipe Calderón dispersou os militares mexicanos há um ano e meio em uma tentativa de quebrar o poder dos cartéis. Mas, com uns 30.000 soldados a postos na luta, a violência não só continua, parece se intensificar. Cerca de 3.000 pessoas foram mortas desde que a ofensiva de Calderón começou, mais de 1.100 delas até este momento do ano, de acordo com informes da imprensa mexicana.
Agora, o Congresso dos EUA debate a aprovação de um pacote de ajuda antidrogas de três anos estimado em $1.6 bilhão ao México, com fortes inclinações para o auxílio aos militares. Embora pareça que a violência fortaleceria os argumentos para tal programa de ajuda, não se sabe ao certo se uma infusão de treinamento e tecnologia militar vai causar um impacto positivo sobre o combate às drogas do México.
[Ed.: Em fevereiro de 2003, o congressista sinaloense Gregorio Urías Germán, após pedir a legalização das drogas, assistiu à nossa conferência na América Latina, “Saindo das sombras: Acabando com a proibição das drogas no Século XXI”. Urías argumentou que “Se não pudermos nem discutir as alternativas, se não pudermos nem admitir que o combate às drogas é um fracasso, então nunca vamos resolver o problema”. Ele disse que os foros existentes, como a ONU e a Organização dos Estados Americanos, não são lugares frutíferos para a discussão, “porque só se discutem as políticas repressivas dos Estados Unidos”. Sinaloa continua sofrendo com a violência causada pela proibição das drogas, como se discutiu neste boletim informativo cinco anos depois. De maneiras diferentes, porém parecidas, os bairros carentes pelos EUA afora sofrem com a violência e a desordem causadas pela proibição também.]












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