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Edição #607, Nov 06, 2009

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    Matéria: Homem da Dacota do Norte pode pegar anos de prisão por comprar Salvia divinorum no eBay

    No que provavelmente é a primeira prisão por porte de Salvia divinorum em qualquer parte dos EUA – e a primeira na Dacota do Norte com certeza –, um homem de Bismarck pode pegar anos de prisão por ter comprado alguns gramas de folhas no eBay. Kenneth Rau, um engarrafador interessado em fitoterapia, estados alterados, religião e espiritualidade, foi preso pela polícia de Bismarck no dia 09 de abril quando revistaram a casa dele em busca de seu filho adulto, quem estava em regime de liberdade vigiada por crimes relacionados com as drogas.

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    Kenneth Rau
    A polícia achou um cachimbo de maconha, 220 gramas de folhas de sálvia, certa quantidade de cogumelos Amanita muscaria e uma série de outros produtos ervais. Agora, Rau responde por várias acusações, disse a procuradora estadual da Comarca de Burleigh, Cynthia Feland.

    “Ele é acusado de porte de sálvia com a intenção de entregar, porte de psilocibina com intenção e porte de maconha”, disse. Embora Rau tenha dito à Crônica que achava que ia responder por violar uma zona escolar também, o que teria tornado seus delitos de intenção crimes de Classe A punidos com até 20 anos de prisão, isso não vai acontecer, disse Feland. “Ele não está sendo acusado de violar uma zona escolar”, afirmou.

    (As acusações por psilocibina podem virar fumaça. Os cogumelos Amanita muscaria que portava não são substâncias controladas conforme a legislação federal dos EUA e, embora sejam alucinógenos, não contêm psilocibina. O ingrediente ativo nos cogumelos Amanita muscaria é o muscimol.)

    Rau estava sendo acusado de porte com intenção por causa do peso das folhas, disse ela. “Examinamos a quantidade típica de consumo”, disse, “e é parecida com a da maconha, sendo que uma dose típica é de 0,25 a 0,5 grama, e ele possuía muito mais do que isso”.

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    folhas de sálvia (por cortesia de erowid.org)
    A Salvia divinorum, integrante da família das mentas mexicanas, tem sido utilizada pelos xamãs mazatecas há centenas de anos. Fumar ou mascar as folhas ou os extratos concentrados mais comuns pode produzir experiências alucinógenas intensas, embora de curta duração. Embora a planta tenha ganhado fama através de vídeos de jovens fumando-a e se comportando de um jeito esquisito no YouTube, também é interessante para os “psiconautas” ou o pessoal que tenta explorar a consciência mediante meios ervais.

    Os pesquisadores dizem que embora os efeitos da sálvia sobre a consciência possam ser inquietantes, a planta não tem mostrado ser tóxica para humanos, seus efeitos são tão potentes que provavelmente não vai ser consumida várias vezes e propriedade ativa dela, a salvinorina-A, pode auxiliar no desenvolvimento de remédios para transtornos do estado de ânimo.

    Há riscos em se meter com alucinógenos, indicou um especialista na hora. “É um alucinógeno e embora suas ações alucinógenas sejam diferentes das induzidas pelo LSD e demais alucinógenos, conta com desvantagens que os alucinógenos têm”, disse Bryan Roth, professor de farmacologia na Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, o homem que isolou a salvinorina-A, à Crônica da Guerra Contra as Drogas no mês passado. “Quando o pessoal a consome fica desorientado. Seria uma experiência ruim não saber onde se está enquanto se dirige um carro”.

    Contudo, disse Roth, embora possa fazer você viajar, não vai te matar. “Não há provas de qualquer toxicidade patente, não há informes no material de medicina de que alguém tenha morrido por causa dela. Adverte-se que não houve nenhum estudo formal feito com humanos, mas os dados obtidos com pesquisas em animais indicam que não mata animais que recebem doses enormes e isso costuma - mas nem sempre – ser uma previsão para a farmacologia humana”.

    A DEA considera a sálvia uma droga de interesse, mas ainda tem de tomar providências para regê-la segundo a Lei de substâncias controladas [Controlled Substances Act]. Uma porta-voz da agência disse recentemente à Crônica que a planta está sendo revisada para ver se cumpre os critérios de inclusão na lista de substâncias controladas.

    Mas, levados por pouco mais do que vídeos no YouTube e a matéria de um jovem de Delaware cujos pais botaram a culpa de seu suicídio na sálvia, os legisladores estaduais não aguardaram as considerações comedidas da DEA para agir. Desde que Delaware virou o primeiro estado a proibir a sálvia, um punhado de outros, inclusive a Dacota do Norte, seguiram o exemplo. Há providências em andamento em uma série de outros estados.

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    propagandas de sálvia (e defesa em matéria criminal) na versão eletrônica do informe de notícias da Dacota do Norte sobre a prisão de Rau
    A sálvia foi ilegalizada na Dacota do Norte no dia 1º de agosto depois que um projeto de lei apresentado por três legisladores republicanos, os senadores Dave Oelke e Randel Christmann e a deputada estadual Brenda Heller, foi aprovado sem problemas pela assembléia no início deste ano. Nenhum dos três respondeu aos pedidos de comentários feitos pela Crônica nesta semana.

    Depois que Rau foi preso no início do mês, a polícia de Bismarck avisou que isso podia ser apenas o começo do combate à integrante da família das mentas. “Parece mesmo que poderia haver um mercado com base na quantidade que portava”, disse o tenente Bob Hass aos repórteres. “É a primeira vez que a vimos”, Hass não retornou as ligações da Crônica em busca de comentários nesta semana.

    Embora páginas de informação sobre a sálvia na Internet como Salvia.Net situem mesmo uma dose única de folha de sálvia entre 0,25 e um grama, parecido com a avaliação da procuradora Feland, a intenção de entregar ainda parece ser um exagero. “Comprei 226 gramas da folha no eBay dando $32 por isso”, disse Rau. “Agora, me acusam de porte com intenção. Que bobagem. Ninguém quer folhas. Todos compram extratos 10X e 20X e 30X”. [Ed.: Sem falar que no eBay se compra o que está à venda, não a metade ou um décimo ou um vinte avo disso.]

    Rau também não ficou impressionado com as estimativas de dosagem da procuradora. “É uma tática clara para exagerar o número de unidades vendáveis”, reclamou. “Há muito que estes combatentes das drogas vêm empregando esta tática para tornar todo mundo traficante. Ao aceitar esses dados, 28 gramas de Salvia divinorum seriam 120 doses e qualquer um que portasse 28 gramas dela seria traficante. Isto é ridículo já que 28 gramas são claramente a unidade vendável-padrão da loja. Que se aplique a dosagem-padrão de maconha da procuradora e a quantidade vendável seria pouquíssima. Este padrão converteria qualquer um que portar até três gramas e meio de maconha em um traficante”.

    Rau também caçoou da idéia de que alguém vá comprar frações de 28 gramas de folha de sálvia. “Dá para comprar 28 gramas on-line por até $10”, apontou. “Quem vai dividi-lo em quantidades menores? Diacho, provavelmente acabaria gastando mais em papelotes do que na folha”, disse.

    “É um exagero legislativo ridículo”, disse Rau da nova lei. “Fundaram-na somente naqueles vídeos malucos no YouTube e mesmo neles se vê o pessoal tentando consumi-la do modo mais abusivo e exagerar na atuação, e nem assim lhes faz mal. Por que passar de vendê-la em lojas e criminalizá-la?” perguntou. “Já não fazem contravenções? Nem sabia que era ilegal aqui e com seu primeiro processo pedem o máximo”.

    A página da emissora televisiva local deu razão a Rau sem saber. No momento desta redação, uma versão eletrônica do informe de notícias sobre a prisão de Rau ainda mostrava propagandas de sálvia do Google. Rau enviou o link à Crônica da Guerra Contra as Drogas por correio eletrônico, provando que os anúncios aparecem nos computadores da Dacota do Norte.

    O interesse tímido de Rau, 46, na sálvia provinha de um interesse maior em fitoterapia, religião e espiritualidade, assim como nas tentativas de lidar com seus próprios demônios interiores. “Li que a sálvia facilita o sonhar acordado, então tentei mascar algumas folhas antes de ir me deitar e foi interessante porque via rostos e me lembrava de nomes há muito esquecidos”.

    Ele também experimentou sálvia como cura para a depressão. “Tenho que lidar com traumas de infância. Haviam-me prescrito Paxil [paroxetina]”, disse. “Querem que você tome os fármacos deles, mas se você quiser tomar um remédio à base de ervas, querem te botar na cadeia. Vão me salvar de mim me botando na cadeia durante anos?”

    Agora, Rau luta pela liberdade dele, mas não há muitos recursos na Dacota do Norte e ainda nem constituiu um advogado. “A ACLU nem sequer relaciona alguém no estado”, disse. “Mandei um e-mail ao Projeto de Reforma da Lei sobre as Drogas da ACLU, mas ainda não responderam”.

    Contudo, disse, a prisão dele o motivou. “Talvez seja uma oportunidade para me somar à luta”, disse. “Nunca fui consumidor de drogas, nunca fui preso. Comecei a experimentá-la porque achava que era legal. Não queria me meter em encrenca, mas agora me tratam como se fosse traficante de metanfetamina”.

    Salvia não é Droga..... Droga é o homem sem fundamento.....

    Sem comentários sobre a Salvia..... Ridículo.......

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