CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Editorial: Ainda mais dano imprevisto e impossível de prever causado pela proibição das drogas

    David Borden, diretor-executivo

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    David Borden
    Há quatro anos, opinei sobre uma questão que viera à tona na Califórnia, uma tal que afetava as escolas e com a qual a assembléia legislativa lidava. De acordo com a emissora afiliada da NPR, a KQED em Los Ângeles naquela época, muitos sistemas escolares haviam parado de proporcionar espaço em armários aos estudantes porque alguns administradores entendiam que eles facilitavam os problemas de armas e drogas. Lógico, a venda de drogas é o principal motivo de levar uma arma à escola, embora apenas porque as drogas são ilegais.

    Infelizmente para os estudantes californianos, como conseqüência dos fechamentos de armários alguns jovens haviam desenvolvido problemas de postura com dores crônicas como resultado de terem de carregar os livros deles por aí o dia inteiro. A KQED entrevistou um estudante daqueles de North Hollywood. Normalmente, carregava cerca de 13 kilos e meio de livros, o que era 19% de seu peso corporal, quase o dobro do máximo recomendado pela Associação Estadunidense de Quiroprática. Na adolescência, virara consumidor habitual de Tylenol [paracetamol] a fim de poder com as dores.

    Escolhi esse artigo para o meu editorial nesta semana em razão da natureza imprevisível disso. Há muitíssimas coisas que são fáceis de prever em relação às leis que proíbem as drogas com base na experiência histórica. Sabemos que a proibição causa a criminalidade e constitui entidades do crime organizar ao colocar um setor lucrativo com suas centenas de bilhões de dólares em receita anual em um submundo criminoso. Sabemos que a proibição causa mortes evitáveis, especialmente as dos dependentes, ao garantir que os consumidores das drogas proibidas as obtenham desse submundo, que não conta com a regulação e os controles de qualidade que os setores legais possuem. Sabemos que a proibição causa um efeito corruptor sobre os jovens e os demais – a questão das armas e do tráfico nas escolas que preocupou legitimamente os administradores californianos é um exemplo assustador – ao proporcionar oportunidades de emprego aos que são atraídos a essas chances de ganhar dinheiro e ao glamour que as acompanha.

    Mas, quem teria imaginado que o combate às drogas resultaria em dores nas costas dos adolescentes? Para que ninguém deixe de considerar importante a questão em comparação com os danos das drogas e das armas nas escolas, lembre-se de que elas não desapareceram como conseqüência dos fechamentos dos armários. Será que alguém achava que iam desaparecer, se é para tocar no assunto? Dores nas costas são uma questão que pode afetar profundamente a vida de um padecente, jovem ou velho, e, para muitos, podem passar a vida inteira sem serem corrigidas. Os armários fazem parte da infra-estrutura de uma escola. Quando as políticas de drogas nos levam a começar a desmantelar a infra-estrutura, é sinal de que há um problema nelas.

    Nesta semana, o nosso blog informou sobre outro problema imprevisível de saúde pública proveniente da legislação antidrogas, um problema mais dramático e aterrador. No Brasil, o combate às drogas está exacerbando uma peste mortífera portada por mosquitos. O problema é que uma em cada quatro pessoas na cidade do Rio de Janeiro vive nas favelas pobres, onde as poças d’água parada são comuns durante a temporada de chuvas, que atrai os mosquitos. Mas, o acesso das autoridades às favelas é entravado pelo combate às drogas virulento do Rio, obstruindo os trabalhos para conter a doença. Lógico, esta luta ocorre só porque as drogas são ilegais, o que incitou o governador do Estado do Rio de Janeiro a pedir a legalização no ano passado.

    Após 14 anos nas políticas de drogas, não aprendo um novo ângulo com muita freqüência. Contudo, não tenho dúvidas de que há muitas conseqüências imprevistas da proibição que ainda têm de ser tiradas à luz e muitos danos da proibição impossíveis de prever que ainda nos falta ver.

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