A campanha presidencial de 2008: À esquerda, a campanha dos verdes e Nader
Como os presidenciáveis do Partido Democrata não oferecem nada além de reformas tímidas nas margens das políticas de drogas e o candidato republicano promete em grande parte mais do mesmíssimo combate às drogas (aguarde um artigo na semana que vem sobre as políticas dos contendores dos grandes partidos para a criminalidade e as drogas), o pessoal que procura reformas radicais nas políticas de drogas estadunidenses olha além dos grandes partidos. Na semana passada, a Crônica da Guerra Contra as Drogas examinou a alternativa à direita, o Partido Libertariano, e sua campanha presidencial. Nesta, voltamos o nosso olhar para a esquerda ao Partido Verde e à campanha independente de Ralph Nader.
Embora as alternativas de terceiro partido como os verdes ou libertarianos não tenham sido bem-sucedidas em conseguir grandes porcentagens do voto popular à presidência – a candidatura de Nader pelo Partido Verde em 2000 granjeou apenas 2,7% do voto nacional e as candidaturas rivais de Nader e dos verdes em 2004 conseguiram pouco mais de meio milhão de votos juntas em todos os EUA –, em uma eleição disputada, os terceiros partidos podem jogar os votos estaduais a um ou ao outro dos candidatos por grandes partidos. Tome-se apenas um exemplo, incontáveis democratas ainda soltam fumaça porque a campanha de Nader em 2000 lhes custou a eleição ao conseguir pouco menos de 100.000 votos na Flórida.
“Uma campanha de terceiro partido pode causar impacto em uma disputa acirrada”, disse Bill Piper da Drug Policy Alliance Network, a ala lobista da Drug Policy Alliance. “Nestas eleições, pode vir de qualquer lado do espectro político”.
Embora os conservadores e libertarianos interessados na reforma das políticas de drogas tenham o Partido Libertariano, para os liberais e progressistas, o Partido Verde é o que mais se aproxima de políticas de drogas aceitáveis. Em sua plataforma sobre a justiça social, adotada na convenção nacional de 2004, o partido pede – entre outras coisas – a revogação das leis “Três Strikes” e da condenação obrigatória, um fim à apreensão de ativos para suspeitos não-condenados, uma moratória na construção de prisões, a descriminalização de delitos sem vítimas, inclusive o porte de maconha, a legalização do cânhamo industrial e “um fim à guerra contra as drogas”.
“A força pública põe ênfase demais nos pequenos crimes de rua e os que mantêm relação com as drogas e não cuida o bastante de processar crimes empresariais, do colarinho branco e ambientais”, dizia a plataforma. “Ao mesmo tempo, devemos desenvolver uma abordagem firme à imposição da lei que lide diretamente com os crimes de sangue, inclusive o tráfico de drogas pesadas. È preciso parar a violência que cria um clima de mais violência. A truculência policial alcançou níveis epidêmicos nos Estados Unidos e pedimos a monitoração efetiva das agências da política para eliminá-la”.
Embora a plataforma do Partido Verde tenha lá suas contradições – pede a descriminalização da maconha e um fim ao combate às drogas, mas também define a venda de drogas enquanto “crime de sangue” -, está a quilômetros de distância dos grandes partidos em políticas de drogas. Além disso, parece que a atual safra de presidenciáveis pelo Partido Verde está à frente da plataforma partidária.
A ex-congressista democrata Cynthia McKinney da Geórgia parece ser a favorita para a nominação do partido a esta altura, acima de tudo em razão de seu renome e reputação nacional. Em sua página na Internet, McKinney diz sem rodeios: “Queremos acabar com a guerra contra as drogas já!”
Além de visar às comunidades de cor, “a Guerra Contra as Drogas virou uma guerra contra a verdade, as liberdades civis e o ensino superior para os pobres e a classe média, e, lamentavelmente, também virou uma guerra contra o tratamento, os dependentes e a razão”, diz a declaração dela. Ela também “encobre a intervenção militar estadunidense em países estrangeiros, particularmente ao sul do nosso país, e este aumento na militarização é empregado para sufocar os movimentos de protesto social em países como México, Colômbia, Peru, Equador e outros lugares”.
“É uma questão importante para Cynthia, especialmente já que impacta as comunidades de cor e lida com o setor das prisões”, disse John Judge, porta-voz de McKinney.
Também o é para outros candidatos verdes. “As políticas de drogas são importantes para mim, elas afetam meu cotidiano”, disse a contendora Kat Swift, uma ativista política de San Antonio e co-presidenta do Partido Verde do Texas. “Trabalho em um abrigo para os sem-teto e vivemos lidando com os problemas das drogas. Ficamos em frente a um parque com muitas vendas de drogas ilegais. Também prenderam amigos e parentes por fumar um baseado”.
Swift disse que procura orientação nas questões das políticas de drogas de Cliff Thornton, antigo ativista reformador e ex-candidato ao governo do estado pelo Partido Verde do Connecticut, e seu grupo Efficacy. “Cliff enviou uma emenda à nossa plataforma de políticas de drogas que pediria a legalização e a regulação de todas as drogas e não sei se discordo dele”, disse.
Para Swift, as políticas de drogas são cruciais. “É uma área em que raça e classe e até como tratamos as mulheres e as crianças estão em jogo”, disse. “Trata-se do setor das prisões e manter as pessoas na classe delas”.
“Sou contra a guerra contra as drogas”, disse o adversário Kent Mesplay, quem apareceu na política do Partido Verde californiano e agora trabalha como delegado no Comitê Nacional Verde. Chamando o combate às drogas de “vestígio do Puritanismo”, acrescentou que “na verdade, é uma guerra contra os pobres com terror para todos nós quando percebemos como o governo estadunidense tenta micro-administrar nossas vidas completamente. Seria muito melhor fazer com que as agências governamentais investissem dinheiro e esforço em conscientizar realmente o agente a respeito da ciência do consumo de drogas”.
E se por via das dúvidas isso não foi claro, acrescentou Mesplay, “sim, fumei maconha e sou a favor da descriminalização dela”.
Nem o outro presidenciável pelo Partido Verde, Jesse Johnson, nem a campanha de Nader responderam os pedidos de informação da Crônica sobre suas posturas em relação às políticas de drogas. O sítio de campanha de Johnson não alude às políticas de drogas e Nader também não as lista entre suas “Doze questões que importam em 2008”, embora sua página diga que está aberta para mais questões e ele tenha adotado a reforma das políticas de drogas em campanhas anteriores.
De acordo com o sítio do Partido Verde, McKinney ocupa o primeiro lugar na contagem de delegados, mas apenas três estados decidiram. A disputa pela nominação do partido se arrastará até a reunião nacional do partido no fim deste semestre.
Mais uma vez, as pessoas para quem a reforma das políticas de drogas é uma questão de suma importância terão uma escolha, quer à esquerda, quer à direita. Podem votar em partidos e candidatos que apóiam suas posturas nas políticas de drogas, mas que têm poucas chances de ganhar ou podem votar em um democrata com a esperança de obter reformas marginais ou podem votar no republicano apesar de suas convicções no assunto.
[Este artigo foi publicado pela ala lobista da StoptheDrugWar.org, a Rede Coordenadora da Reforma das Políticas de Drogas ou Drug Reform Coordination Network, que também compartilha as custas de manter este sítio. A Fundação DRCNet não assume posturas a respeito de candidatos a cargos eletivos em conformidade com a seção 501(c)(3) da Lei Tributária Federal dos EUA e não custeia matérias que possam ser interpretadas ou mal interpretadas por fazê-lo. A redação tentou idear este artigo com plena integridade jornalística como fazemos com nossas publicações 501(c)(3).]

















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