CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #607, Nov 06, 2009

    About DRCNetStop the Drug War (DRCNet) is an international organization working for an end to drug prohibition worldwide and for interim policy reform in US drug laws and criminal justice system. Read more about DRCNet.

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    A campanha presidencial de 2008: À esquerda, a campanha dos verdes e Nader

    Como os presidenciáveis do Partido Democrata não oferecem nada além de reformas tímidas nas margens das políticas de drogas e o candidato republicano promete em grande parte mais do mesmíssimo combate às drogas (aguarde um artigo na semana que vem sobre as políticas dos contendores dos grandes partidos para a criminalidade e as drogas), o pessoal que procura reformas radicais nas políticas de drogas estadunidenses olha além dos grandes partidos. Na semana passada, a Crônica da Guerra Contra as Drogas examinou a alternativa à direita, o Partido Libertariano, e sua campanha presidencial. Nesta, voltamos o nosso olhar para a esquerda ao Partido Verde e à campanha independente de Ralph Nader.

    Embora as alternativas de terceiro partido como os verdes ou libertarianos não tenham sido bem-sucedidas em conseguir grandes porcentagens do voto popular à presidência – a candidatura de Nader pelo Partido Verde em 2000 granjeou apenas 2,7% do voto nacional e as candidaturas rivais de Nader e dos verdes em 2004 conseguiram pouco mais de meio milhão de votos juntas em todos os EUA –, em uma eleição disputada, os terceiros partidos podem jogar os votos estaduais a um ou ao outro dos candidatos por grandes partidos. Tome-se apenas um exemplo, incontáveis democratas ainda soltam fumaça porque a campanha de Nader em 2000 lhes custou a eleição ao conseguir pouco menos de 100.000 votos na Flórida.

    “Uma campanha de terceiro partido pode causar impacto em uma disputa acirrada”, disse Bill Piper da Drug Policy Alliance Network, a ala lobista da Drug Policy Alliance. “Nestas eleições, pode vir de qualquer lado do espectro político”.

    Embora os conservadores e libertarianos interessados na reforma das políticas de drogas tenham o Partido Libertariano, para os liberais e progressistas, o Partido Verde é o que mais se aproxima de políticas de drogas aceitáveis. Em sua plataforma sobre a justiça social, adotada na convenção nacional de 2004, o partido pede – entre outras coisas – a revogação das leis “Três Strikes” e da condenação obrigatória, um fim à apreensão de ativos para suspeitos não-condenados, uma moratória na construção de prisões, a descriminalização de delitos sem vítimas, inclusive o porte de maconha, a legalização do cânhamo industrial e “um fim à guerra contra as drogas”.

    “A força pública põe ênfase demais nos pequenos crimes de rua e os que mantêm relação com as drogas e não cuida o bastante de processar crimes empresariais, do colarinho branco e ambientais”, dizia a plataforma. “Ao mesmo tempo, devemos desenvolver uma abordagem firme à imposição da lei que lide diretamente com os crimes de sangue, inclusive o tráfico de drogas pesadas. È preciso parar a violência que cria um clima de mais violência. A truculência policial alcançou níveis epidêmicos nos Estados Unidos e pedimos a monitoração efetiva das agências da política para eliminá-la”.

    Embora a plataforma do Partido Verde tenha lá suas contradições – pede a descriminalização da maconha e um fim ao combate às drogas, mas também define a venda de drogas enquanto “crime de sangue” -, está a quilômetros de distância dos grandes partidos em políticas de drogas. Além disso, parece que a atual safra de presidenciáveis pelo Partido Verde está à frente da plataforma partidária.

    A ex-congressista democrata Cynthia McKinney da Geórgia parece ser a favorita para a nominação do partido a esta altura, acima de tudo em razão de seu renome e reputação nacional. Em sua página na Internet, McKinney diz sem rodeios: “Queremos acabar com a guerra contra as drogas já!”

    Além de visar às comunidades de cor, “a Guerra Contra as Drogas virou uma guerra contra a verdade, as liberdades civis e o ensino superior para os pobres e a classe média, e, lamentavelmente, também virou uma guerra contra o tratamento, os dependentes e a razão”, diz a declaração dela. Ela também “encobre a intervenção militar estadunidense em países estrangeiros, particularmente ao sul do nosso país, e este aumento na militarização é empregado para sufocar os movimentos de protesto social em países como México, Colômbia, Peru, Equador e outros lugares”.

    “É uma questão importante para Cynthia, especialmente já que impacta as comunidades de cor e lida com o setor das prisões”, disse John Judge, porta-voz de McKinney.

    Também o é para outros candidatos verdes. “As políticas de drogas são importantes para mim, elas afetam meu cotidiano”, disse a contendora Kat Swift, uma ativista política de San Antonio e co-presidenta do Partido Verde do Texas. “Trabalho em um abrigo para os sem-teto e vivemos lidando com os problemas das drogas. Ficamos em frente a um parque com muitas vendas de drogas ilegais. Também prenderam amigos e parentes por fumar um baseado”.

    Swift disse que procura orientação nas questões das políticas de drogas de Cliff Thornton, antigo ativista reformador e ex-candidato ao governo do estado pelo Partido Verde do Connecticut, e seu grupo Efficacy. “Cliff enviou uma emenda à nossa plataforma de políticas de drogas que pediria a legalização e a regulação de todas as drogas e não sei se discordo dele”, disse.

    Para Swift, as políticas de drogas são cruciais. “É uma área em que raça e classe e até como tratamos as mulheres e as crianças estão em jogo”, disse. “Trata-se do setor das prisões e manter as pessoas na classe delas”.

    “Sou contra a guerra contra as drogas”, disse o adversário Kent Mesplay, quem apareceu na política do Partido Verde californiano e agora trabalha como delegado no Comitê Nacional Verde. Chamando o combate às drogas de “vestígio do Puritanismo”, acrescentou que “na verdade, é uma guerra contra os pobres com terror para todos nós quando percebemos como o governo estadunidense tenta micro-administrar nossas vidas completamente. Seria muito melhor fazer com que as agências governamentais investissem dinheiro e esforço em conscientizar realmente o agente a respeito da ciência do consumo de drogas”.

    E se por via das dúvidas isso não foi claro, acrescentou Mesplay, “sim, fumei maconha e sou a favor da descriminalização dela”.

    Nem o outro presidenciável pelo Partido Verde, Jesse Johnson, nem a campanha de Nader responderam os pedidos de informação da Crônica sobre suas posturas em relação às políticas de drogas. O sítio de campanha de Johnson não alude às políticas de drogas e Nader também não as lista entre suas “Doze questões que importam em 2008”, embora sua página diga que está aberta para mais questões e ele tenha adotado a reforma das políticas de drogas em campanhas anteriores.

    De acordo com o sítio do Partido Verde, McKinney ocupa o primeiro lugar na contagem de delegados, mas apenas três estados decidiram. A disputa pela nominação do partido se arrastará até a reunião nacional do partido no fim deste semestre.

    Mais uma vez, as pessoas para quem a reforma das políticas de drogas é uma questão de suma importância terão uma escolha, quer à esquerda, quer à direita. Podem votar em partidos e candidatos que apóiam suas posturas nas políticas de drogas, mas que têm poucas chances de ganhar ou podem votar em um democrata com a esperança de obter reformas marginais ou podem votar no republicano apesar de suas convicções no assunto.

    [Este artigo foi publicado pela ala lobista da StoptheDrugWar.org, a Rede Coordenadora da Reforma das Políticas de Drogas ou Drug Reform Coordination Network, que também compartilha as custas de manter este sítio. A Fundação DRCNet não assume posturas a respeito de candidatos a cargos eletivos em conformidade com a seção 501(c)(3) da Lei Tributária Federal dos EUA e não custeia matérias que possam ser interpretadas ou mal interpretadas por fazê-lo. A redação tentou idear este artigo com plena integridade jornalística como fazemos com nossas publicações 501(c)(3).]

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