Política: Governador de Nova Iorque admite ter consumido cocaína e maconha e poucos ficam incomodados

David Paterson
Em sua primeira entrevista televisiva desde que virou governador na esteira do escândalo de Eliot Spitzer com a prostituição e renúncia seguinte, Paterson foi indagado pelo apresentador Dominic Carter se já consumira drogas ilícitas. Paterson respondeu que falara em público da questão durante a campanha de 2006:
Dominic Carter: O senhor fez isso?
David Paterson: Sim.
Dominic Carter: Maconha?
David Paterson: Sim.
Dominic Carter: Cocaína?
David Paterson: Sim.
Dominic Carter: O senhor consumiu, cocaína, governador?
David Paterson: Diria que tinha 22 ou 23 anos, experimentei-a umas duas vezes, sim.
Dominic Carter: Quando foi a última vez que – essa foi a única vez que o senhor experimentou cocaína, governador?
David Paterson: É, por volta dessa época, duas vezes e maconha, provavelmente, quando tinha 20 anos mais ou menos. Acho que não encostei a mão em maconha desde os anos 1970.
Tais admissões já marcaram o toque fúnebre para o cargo público, como descobriu o advogado Douglas Ginsburg no início do governo Reagan, quando, depois de admitir que havia fumado maconha no passado, sua nomeação à Suprema Corte foi por água abaixo. Mas, nos últimos anos, políticos, inclusive o ex-governador George Pataki de Nova Iorque, o atual prefeito da Cidade de Nova Iorque, Michael Bloomberg, e, é claro, o ex-presidente Bill Clinton admitiram consumir maconha no passado sem nenhum impacto aparente sobre a viabilidade política deles. Ultimamente, o senador Barack Obama reconheceu ter consumido cocaína e maconha quando era jovem e parece que isso não o abateu.
Porém, isso não impediu Calvina Fay, diretora da Drug Free America Foundation, de temer que admissões como a de Paterson “passem a idéia errada” aos jovens dos Estados Unidos. Os políticos precisam fazer com que essas confissões venham acompanhadas de propaganda antidrogas, sugeriu em entrevista com o New York Sun. “É responsabilidade deles mesmo dar esse passo a mais e falar de como não sentem orgulho disso. Que não é algo inteligente, que literalmente estavam colocando suas vidas em risco, seus futuros em risco, para que as nossas crianças não vão pensar que dá para consumir drogas e um dia ser governador”, disse.
Joe Califano, diretor do Center on Alcohol and Substance Abuse (CASA, na sigla em inglês) na Universidade de Colúmbia, repetiu o pensamento. “Acho que devem ser honestos, mas também acho que têm de dizer que não se deveria fazer isso”, disse. “Essa outra parte é importantíssima”.
Mas, em entrevista concedida a Ellis Hennican, colunista do Newsday, Ethan Nadelmann, diretor-executivo da Drug Police Alliance, disse que o número de consumidores de drogas dos EUA alcançara a massa crítica e que é hora de uma discussão “mais realista” sobre o consumo de drogas.
“Com números assim, a idéia de que alguém tenha de mentir é absurda a esta altura”, disse Nadelmann. “Veja a quantidade de pessoas com entre 30 e 60 anos de idade”, disse. “Uma minoria muito considerável consumiu cocaína. Apesar de toda a retórica de combate às drogas, a grande maioria de pessoas que consumiu cocaína não passou a desenvolver um vício ou acabar em condições terríveis. Alguns fizeram isso. Mas, provavelmente o índice de dependência foi parecido com o do álcool”.
Mais um político saiu do armário. O governador Paterson não só é um exemplo para outros oficiais eleitos, mas também pode fazer algo a respeito das leis Rockefeller sobre as drogas de Nova Iorque. Vamos ver se consegue oferecer algo que não sejam meras memórias.












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