CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Política: Governador de Nova Iorque admite ter consumido cocaína e maconha e poucos ficam incomodados

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    David Paterson
    O governador David Paterson de Nova Iorque admitiu sem pedir desculpas que consumira cocaína e maconha em uma entrevista televisiva no NY1 News durante o fim de semana, e, em sua maior parte, a revelação foi acolhida com um bocejo coletivo. Foi possível encontrar um punhado de defensores antidrogas profissionais para expressar sua consternação, porém, de resto, parece que admissões de consumo de drogas no passado de parte de políticos não carregam mais muito peso negativo.

    Em sua primeira entrevista televisiva desde que virou governador na esteira do escândalo de Eliot Spitzer com a prostituição e renúncia seguinte, Paterson foi indagado pelo apresentador Dominic Carter se já consumira drogas ilícitas. Paterson respondeu que falara em público da questão durante a campanha de 2006:

    Dominic Carter: O senhor fez isso?

    David Paterson: Sim.

    Dominic Carter: Maconha?

    David Paterson: Sim.

    Dominic Carter: Cocaína?

    David Paterson: Sim.

    Dominic Carter: O senhor consumiu, cocaína, governador?

    David Paterson: Diria que tinha 22 ou 23 anos, experimentei-a umas duas vezes, sim.

    Dominic Carter: Quando foi a última vez que – essa foi a única vez que o senhor experimentou cocaína, governador?

    David Paterson: É, por volta dessa época, duas vezes e maconha, provavelmente, quando tinha 20 anos mais ou menos. Acho que não encostei a mão em maconha desde os anos 1970.

    Tais admissões já marcaram o toque fúnebre para o cargo público, como descobriu o advogado Douglas Ginsburg no início do governo Reagan, quando, depois de admitir que havia fumado maconha no passado, sua nomeação à Suprema Corte foi por água abaixo. Mas, nos últimos anos, políticos, inclusive o ex-governador George Pataki de Nova Iorque, o atual prefeito da Cidade de Nova Iorque, Michael Bloomberg, e, é claro, o ex-presidente Bill Clinton admitiram consumir maconha no passado sem nenhum impacto aparente sobre a viabilidade política deles. Ultimamente, o senador Barack Obama reconheceu ter consumido cocaína e maconha quando era jovem e parece que isso não o abateu.

    Porém, isso não impediu Calvina Fay, diretora da Drug Free America Foundation, de temer que admissões como a de Paterson “passem a idéia errada” aos jovens dos Estados Unidos. Os políticos precisam fazer com que essas confissões venham acompanhadas de propaganda antidrogas, sugeriu em entrevista com o New York Sun. “É responsabilidade deles mesmo dar esse passo a mais e falar de como não sentem orgulho disso. Que não é algo inteligente, que literalmente estavam colocando suas vidas em risco, seus futuros em risco, para que as nossas crianças não vão pensar que dá para consumir drogas e um dia ser governador”, disse.

    Joe Califano, diretor do Center on Alcohol and Substance Abuse (CASA, na sigla em inglês) na Universidade de Colúmbia, repetiu o pensamento. “Acho que devem ser honestos, mas também acho que têm de dizer que não se deveria fazer isso”, disse. “Essa outra parte é importantíssima”.

    Mas, em entrevista concedida a Ellis Hennican, colunista do Newsday, Ethan Nadelmann, diretor-executivo da Drug Police Alliance, disse que o número de consumidores de drogas dos EUA alcançara a massa crítica e que é hora de uma discussão “mais realista” sobre o consumo de drogas.

    “Com números assim, a idéia de que alguém tenha de mentir é absurda a esta altura”, disse Nadelmann. “Veja a quantidade de pessoas com entre 30 e 60 anos de idade”, disse. “Uma minoria muito considerável consumiu cocaína. Apesar de toda a retórica de combate às drogas, a grande maioria de pessoas que consumiu cocaína não passou a desenvolver um vício ou acabar em condições terríveis. Alguns fizeram isso. Mas, provavelmente o índice de dependência foi parecido com o do álcool”.

    Mais um político saiu do armário. O governador Paterson não só é um exemplo para outros oficiais eleitos, mas também pode fazer algo a respeito das leis Rockefeller sobre as drogas de Nova Iorque. Vamos ver se consegue oferecer algo que não sejam meras memórias.

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