América Latina: Bolívia desafia observatório de drogas da ONU e financiará tentativa de expandir mercados de coca
Na semana passada, a Junta Internacional de Fiscalização dos Entorpecentes (JIFE) filiada à ONU fez um apelo à Bolívia e ao Peru para que proibissem as práticas de mascar e cultivar a planta de coca, mas os dois governos o recusaram. O governo do presidente boliviano Evo Morales vai dar mais um passo. Ao invés de proibir a planta, anunciou que planeja gastar $300,000 neste ano em uma tentativa de desenvolver mercados legais para produtos à base de coca.

mostra boliviana na cúpula da ONU sobre as drogas com cartazes acerca da tradição de 3.000 anos da coca
Embora Morales, um ex-sindicalista cocaleiro, tenha anunciado o financiamento pela primeira vez no mês passado, o governo dele decidiu lhe dar publicidade na esteira do apelo da JIFE na semana passada. Ilder Cejas, porta-voz do vice-ministério de Defesa Social, disse à Associated Press na terça-feira que o dinheiro seria investido na “industrialização” da folha de coca. O governo boliviano espera que, ampliando os mercados legais para os produtos à base de coca como o chá, a pasta de dente, a farinha e os medicamentos ervais, possa resgatar a folha do tráfico.
Embora o emprego de preparações da coca seja comum nos Andes, a Convenção única sobre entorpecentes de 1961 das Nações Unidas, que, junto com seus tratados sucessores, forma a espinha legal do regime mundial da proibição, lista a planta de coca como droga proibida, como a cocaína, a heroína e o ópio. Conforme o tratado de 1961, a prática de mascar coca devia ter sido “abolida” por volta de 1987. Isso não aconteceu.

















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