CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    In memoriam: William F. Buckley, partidário conservador da legalização das drogas

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    William F. Buckley
    William F. Buckley, decano do conservadorismo estadunidense contemporâneo e partidário da legalização das drogas, faleceu na quarta-feira em seu lar no Connecticut. Tinha 82 anos.

    Buckley, herdeiro de uma rica família do Connecticut, chegou a ser conhecido do público com a publicação de “God and Man at Yale” [Deus e o homem em Yale] de 1951, crítica mordaz do que entendia serem tendências agnósticas e coletivistas entre os corpos docente e discente de sua alma mater. Em 1955, fundou a National Review, revista que virou a principal voz do conservadorismo estadunidense do pós-guerra e ajudou a conduzir ao renascimento conservador que resultou na eleição de Ronald Reagan em 1980.

    Enquanto que Buckley passou grande parte de sua carreira lutando por causas principalmente conservadoras como governo menor, também utilizava a National Review e seu turno de décadas como apresentador do Firing Line da PBS para passar seus pontos de vista em favor da legalização das drogas. Junto com figuras como Milton Friedman e George Schultz, Buckley esteve entre os primeiros conservadores a adotar uma postura abertamente pró-legalização.

    Escrevendo na National Review em 1996, Buckley defendeu a legalização:

    “Um conservador deveria avaliar a viabilidade de um constrangimento legal, como por exemplo naqueles estados cujos códigos de leis continuam ilegalizando a sodomia, cuja interdição não é possível impor, tornando a lei nada mais que letra morta. Cheguei à conclusão de que a tal guerra contra as drogas não estava funcionando, que não ia funcionar sem uma mudança na estrutura dos direitos civis aos quais estamos acostumados e aos quais nos aferramos como parte valiosa de nosso patrimônio. E que, portanto, se essa guerra contra as drogas não está funcionando, deveríamos dar uma olhada nos efeitos que a guerra surte, um levantamento das baixas conseqüentes de seu fracasso em funcionar”.

    Nesse mesmo artigo, Buckley expressou repulsão ao nível em que o fanatismo do combate às drogas contaminava o sistema de justiça penal.

    “Não falei do custo para a nossa sociedade das assombrosas armas legais que já estão disponíveis para policiais e promotores, da pena de seqüestro do lar e da propriedade de uma pessoa pela infração de leis que, apesar de estarem pensadas para fazerem progredir a guerra contra as drogas, podem ser empregadas legalmente – dizem-me advogados entendidos – como penas pelo abandono dos bichos de estimação de uma pessoa. Não é preciso dizer mais nada, salvo que é indignante viver em uma sociedade cujas leis toleram condenar jovens à prisão perpétua porque cultivaram ou distribuíram três quilogramas e meio de maconha. Espero que os bons cargos de sua profissão vital se mobilizem pelo menos para protestar contra tais excessos de zelo de tempos de guerra, o equivalente legal de um massacre de My Lai. E talvez passar a recomendar a legalização da venda da maior parte das drogas, exceto a menores”.

    A erudição, o vocabulário extenso e a famosa língua mordaz de Buckley, assim como seu compromisso de longa data com princípios conservadores, o tornaram uma figura icônica do fim do Século XX. A adoção da legalização das drogas com princípios de sua parte facilitou bastante que outros conservadores seguissem seus passos. Tomara que mais os sigam.

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