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Edição #607, Nov 06, 2009

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    Polícia: Equipe da SWAT do Ohio mata uma mulher e fere criança em reide antidrogas

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    Em seu último exemplo de policiamento fanático que deu errado, um integrante da equipe da SWAT da polícia de Lima no Ohio matou a tiros uma jovem mãe e feriu a criança que segurava em seus braços durante um reide que visava ao namorado da mulher, quem supostamente estava vendendo drogas na residência. Na sexta-feira passada, Tarika Wilson, 26, foi morta com dois tiros em um quarto no andar de cima pelo sargento Joseph Chevalia da polícia de Lima. O filho de um ano dela, Sincere, também foi baleado, bem como dois pit bulls que estavam na casa. A criança perdeu o indicador esquerdo, mas não corre risco de vida. Um dos pit bulls foi morto.

    Desde a semana do incidente, a polícia de Lima não deu nenhum detalhe sobre o que levou aos disparos, salvo para dizer que estavam executando um mandado de busca de drogas para o namorado de Wilson, Anthony Terry. Terry foi preso no lugar e acusado de porte de pedra de cocaína, que foi encontrada na casa junto com maconha.

    No entanto, a polícia chegou a pedir desculpas preventivamente sim. “Esta é uma situação terrível que foi o resultado de uma situação perigosíssima que acontece quando se executa um mandado de busca de alto risco”, disse George Garlock, o chefe de polícia de Lima.

    Garlock não explicou o que tornava o mandado de busca algo “de alto risco” nem explicou por que mandou uma equipe da SWAT a invadir um lar em que os policiais sabiam que havia crianças presentes. Além do seu filho de um ano, Wilson era mãe de cinco outros que tinham entre 3 e 8 anos e moravam na casa.

    Os oficiais jogaram pelo menos uma bomba de impacto moral antes de atacar a residência, mas a explosão aconteceu do lado de fora porque sabiam que havia crianças presentes. “Em razão da possibilidade de haver crianças lá, não foram propulsadas lá dentro”, disse Garlock.

    A polícia de Lima entregou a investigação do incidente à Agência de Identificação e Investigação Criminal do Ohio porque os disparos envolveram um policial limenho. Espera-se que dure várias semanas.

    Em meados da semana, o FBI anunciou que ia se somar à investigação. Mas, parentes e vizinhos bravos não vão esperar respostas. Uma multidão de mais de 300 pessoas marcharam com parentes de um centro comunitário ao lar em que aconteceu a matança para expressar a sua indignação e daí à delegacia.

    “Lembrem-se do bebê hospitalizado e da mulher que está sendo dissecada porque a polícia de Lima passou dos limites”, disse Brenda Johnson, diretora-executiva do centro comunitário, à multidão antes de começar a marcha. A Sra. Johnson disse que era irresponsável que a polícia invadisse um lar com tantas crianças dentro. “Desta vez foi o filho de outra pessoa”, disse. “Da próxima vez pode ser o seu filho, o seu neto”.

    De acordo com Junior Cook, vizinho e primo de Wilson, a polícia “derrubou a porta e começou a atirar”. Ele também negou que Terry vendesse drogas na casa. “Ninguém nunca veio e bateu a essa porta nem comprou drogas ali”, disse Cook.

    “Nem todos os policiais são ruins. Alguns deles têm filhos”, disse o pastor Arnold Manley da Igreja Batista Pilgrim Rest à multidão. “Mas, a maioria dos de Lima o são”.

    Moradores e ativistas comunitários prometeram marchas todos os sábados até que se faça justiça. Na segunda-feira, mais de 200 deles compareceram a uma reunião acalorada com policiais e a câmara dos vereadores para exigirem providências.

    “O homem que atirou não é suspeito? E se fosse eu?” gritou Quintel Wilson, o irmão da vítima. “Aonde estaria? Preso. Sem fiança! Vítima é a palavra aqui”.

    “Vamos providenciar que se faça justiça”, disse o bispo Richard Cox, funcionário da Conferência dos Líderes Cristãos do Sul.

    O vereador Tommy Pitts, presidente do comitê de serviços de segurança da câmara, disse que há muito que a polícia de Lima vem visando aos negros. “Isso não me surpreende”, disse sobre os disparos.

    Que o recurso a equipes da SWAT paramilitarizadas e fortemente armadas para executar mandados rotineiros de busca de drogas possa resultar em baixas civis não deveria surpreender ninguém que acompanhar o emprego delas. Em 2006, Radley Balko, analista do Instituto Catão, apresentou um relatório confiável sobre o tema, Overkill: The Rise of Paramilitary Police Raids in America, que mostrava dezenas de casos de pessoas mortas ou maltratadas durante tais reides.

    Os reides continuam apesar do pequeno sinal de apoio público com que contam. No último mês de outubro, a StoptheDrugWar.org (publicadora deste boletim) encarregou uma pesquisa Zogby que descobriu que dois terços se opõem ao emprego de equipes à SWAT em reides antidrogas de rotina. Agora, do Ohio, vem mais uma razão para ser contra.

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