CHANGING MINDS, LAWS & LIVES CAMPAIGN

Edição #609, Nov 20, 2009

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    Editorial: A guerra às drogas tem muitas constantes, mas não é uma

    David Borden, diretor-executivo

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    David Borden
    Nesta semana, o Phil nos deu uma prévia do que ele acha que serão os artigos de maior destaque de 2008 da Crônica da Guerra Contra as Drogas. Como também apontou, algumas questões são constantes.

    Uma questão assim, simultaneamente mundana (devido à sua onipresença) e espetacular (também devido à onipresença), é a da corrupção policial impulsionada pelos lucros e outros incentivos criados pela proibição das drogas. Das 50 edições que publicamos no ano passado, 46 delas incluem informes das “estórias de policiais corruptos desta semana” e três das quatro semanas que não os tiveram aconteceram quando o Phil estava viajando no Peru e na Bolívia. Espere que a proibição corrompa ininterruptamente as instituições do nosso país e também as de outros países e instituições globais até que as drogas sejam legalizadas.

    Outra questão é a dos preços de rua para comprar drogas ilegais, um barômetro do impacto da guerra às drogas, embora seja defeituoso. A teoria é a de que, ao se atacar a fonte das drogas, ao se fazer a interdição e prender traficantes, a oferta de drogas será reduzida e o preço delas vai aumentar, o que, por sua vez, reduz a demanda. A questão apareceu no ano passado quando a secretaria antidrogas teve a cara-de-pau de se gabar de um aumento “inédito” nos preços da cocaína em 2007 em comparação com 2006. Como apontaram analistas em resposta, não é inédito – não é inédito mesmo, aquilo foi literalmente uma mentira deslavada – e, mais importante ainda, tais aumentos foram totalmente esmagados pelas quedas nos preços que aconteceram durante a maior parte dos anos. Como apontei em um editorial no semestre passado, em termos reais o preço médio de rua da cocaína nos EUA caiu à razão de cinco desde o início dos anos 1980 quando o programa de rastreamento dos preços foi instaurado. Espere que a guerra às drogas continue não alcançando os seus resultados prometidos – mesmo quando medidos segundo os seus próprios termos – até a guerra às drogas terminar.

    Falando na secretaria antidrogas – conhecida formalmente como Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas ou ONDCP, uma sucursal da Casa Branca -, 2007 presenciou a publicação de um livro revelador que detalha um leque impressionante de tergiversações de fatos e estatísticas de parte do ONDCP em seus relatórios anuais ao longo dos últimos anos. Felizmente – e de modo atípico -, os grandes veículos de comunicação, inclusive a NPR e o Washington Post repreenderam o ONDCP pelo esquema dele a respeito da coca. Infelizmente, foi apenas uma das tramóias propagandísticas que o ONDCP realizou desde que o livro de denúncia chegou às estantes das lojas no último mês de março. Como apontou o novo vice-diretor da agência nesta semana, a equipe do governo atual tem “mais um ano” para fazer o trabalho. Duvido que a equipe do próximo governo se saia muito melhor, apesar de quem vencer nas eleições, mas nunca se sabe. Se o secretário antidrogas de Bill Clinton com mais tempo de serviços prestados servir de indício, não o fará.

    As circunstâncias mais constantes da guerra às drogas também são as mais trágicas: o cotidiano lúgubre atrás das grades, as dores do paciente, dia sim, dia não, pela negação de remédio; o desespero da criança que cresce em um bairro deteriorado pela pobreza e assolado pela violência do tráfico. O nosso dever é lembrar-nos das vítimas silentes da proibição todos os dias, contar as suas estórias a todos os que quiserem ouvi-las; comparar a crueldade da guerra às drogas com o trabalho, a compaixão e a esperança constantes.

    Quando chegar o momento oportuno, as mudanças por que trabalhamos vão vir. E esse será mesmo o artigo de maior destaque do ano.

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