TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #550, Sep 05, 2008

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    Polícia: Cagüetes que goraram

    Justamente na semana passada, a Crônica da Guerra Contra as Drogas fez a resenha de “Cagüete: Informantes, cooperadores e a corrupção da justiça” [Snitch: Informants, Cooperators, and the Corruption of Justice] de Ethan Brown, que conta a estória da corrupção e das malfeitorias fomentadas pelas leis federais sobre as drogas que virtualmente impelem as pessoas que foram presas a encontrarem outros para entregarem a fim de evitarem elas mesmas a pena de prisão. Não sabemos se é sincronia ou o quê, mas na semana desde então, parece que artigos acerca de maus cagüetes estão surgindo em todos os lugares. Eis aqui três que localizamos nos últimos dias:

    Em Twin Falls, Idaho, um homem acusado em um assassinato em Twin Falls trabalhava como informante para a Equipe de Repressão a Entorpecentes da Comarca de Blaine. John Henry McElhiney de Hailey é acusado de matar um garoto de dezoito anos de Twin Falls em setembro. Em resposta às indagações da imprensa, a Chefatura de Polícia da Comarca de Blaine confirmou que McElhiney trabalhava em casos de delitos de drogas para o esquadrão antidrogas. A chefatura não chegou a chamá-lo de “informante confidencial”, apesar de tudo, referindo-se a ele como “indivíduo cooperativo”. Pelos relatos da imprensa local, não está claro se McElhiney virou cagüete pelo dinheiro, para evitar a pena de prisão ou por algum outro motivo. Também não se sabe se o auxílio dele resultou realmente em quaisquer outras prisões. Ele aguarda julgamento pela acusação de assassinato.

    Em Seattle, na sexta-feira passada, uma “testemunha cooperadora” se confessou culpada de armar para pessoas por delitos de vendas de drogas. A cagüete Tina Rivard, 40, fora presa em maio por falsificar receitas, mas, ao invés de acusá-la, agentes da Força-Tarefa Antidrogas de Cowlitz-Wahkiakum lhe ofereceram um acordo: indulgência em troca do auxílio dela para construir casos contra traficantes de medicamentos receitados. Rivard ajudou no caso, mas, em um segundo, ela indicou um homem de 21 anos por acusações de tráfico de Oxycontin [oxicodona] ao solapar o sistema de “compra fiscalizada” da força-tarefa. Apesar de os agentes apertarem o número telefônico do suspeito no telefone de Rivard, ela teclava secretamente a rediscagem e ligava para um amigo que fingia ser o suspeito. Logo, ele fazia declarações comprometedoras e arranjava transações de drogas. Rivard também fingiu uma compra de drogas do suspeito nas barbas dos agentes, fazendo com que, na verdade, o amigo dela lhe trouxesse as drogas que afirmava haver comprado. O jovem de 21 anos foi indiciado e podia pegar até 20 anos de prisão, mas Rivard eventualmente admitiu que armara para ele. Agora, o indiciamento contra ele foi despronunciado e ela pode pegar 20 anos.

    Em Cleveland, Ohio, um informante da DEA foi condenado por incriminar inocentes e botá-los na cadeia. O informante Jerrell Bray fingiu transações em drogas com amigos enquanto investigadores observavam, mas lhes dava os nomes de pessoas que não estavam envolvidas nas negociações, depois testemunhava ou dava depoimentos jurados dizendo que os inocentes eram traficantes de drogas. Bray conseguiu armar para quatro pessoas, inclusive uma mulher que se recusara a sair com ele quando trabalhava sob o agente Lee Lucas da DEA. Não está claro se Lucas ou outro funcionário da lei tinha ciência do que Bray estava fazendo, mas, no mês que vem, um júri federal vai se reunir para investigar as acusações de obstrução da justiça, perjúrio e armas contra Bray “e os demais”. Bray foi condenado a 15 anos de prisão pelas acusações de perjúrio e de privação de direitos civis, sentença que correrá concomitantemente com a pena estadual por atirar contra um homem em um assalto relacionado com as drogas.

    Ironicamente, Bray pode conseguir reduzir a sentença federal dele se “cooperar totalmente”. Quando será que vão aprender?

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