Editorial: Duas tragédias da guerra às drogas e desculpa nenhuma
David Borden, diretor-executivo

David Borden
Um tipo diferente de tragédia é o da cinqüentona Robin Prosser, uma paciente registrada de maconha medicinal em Montana, onde ela esteve por três anos à frente da tentativa de aprovar a lei estadual como uma das principais porta-vozes dos pacientes da campanha pela iniciativa. Mas, apesar de tudo isto, a DEA interceptou e confiscou um pacote do remédio dela na primavera passada. Por sua vez, isto assustou outros abastecedores e lhe dificultou a obtenção do que precisava para administrar a doença dela, lúpus eritematoso sistêmico. Ela fala disso em um vídeo filmado na primavera passada e as últimas entradas dela no seu blog narram a crônica de como todos estes problemas a afundaram mais na depressão, até que, enfim, cometeu suicídio no mês passado.
O fio comum em todas estas perdas desnecessárias é a guerra às drogas. Em Atlanta, a polícia, apesar da sua má conduta que resultou no tiroteio, não esperava acabar matando uma mulher de 92 anos quando arrebentaram a porta dela. Os agentes da DEA que levaram embora o medicamento de Prosser provavelmente não esperavam que o resultado da ação fosse o suicídio dela. Mas, quando se interfere energicamente na vida de uma pessoa – apreendendo remédios ou invadindo os seus lares -, os resultados podem ser imprevisíveis.
Porém, imprevisível em apenas um sentido – previsível em outros. Apesar de não ser provável que uma intervenção qualquer termine deste jeito, é inevitável que tais tragédias continuam acontecendo contanto que a guerra às drogas continue ardendo. O assassinato de Johnston só foi singular na idade da Sra. Johnston. Foram documentadas centenas de assassinatos de inocentes ou de infratores de pequena importância cometidos por equipes da SWAT e houve muitos casos que quase chegaram a acontecer. Na verdade, dois meses antes em Atlanta, a polícia quase matou a octogenária Frances Thompson em uma situação muito parecida. Se não sabiam que estavam pondo em perigo a vida das pessoas na casa de Johnston, deveriam tê-lo sabido.
Seria uma coisa se não houvesse outra saída melhor. Mas, a guerra às drogas não dá certo e a proibição faz um mal enorme aos indivíduos e à sociedade. Então, não é muito difícil pensar em saídas melhores. Não há desculpa para mais tragédias da guerra às drogas.

















digg
reddit





