Semanal: Esta semana na história
1º de novembro de 1968: O Comitê Acessório sobre a Dependência Química do Reino Unido lança o Relatório Wootton, o qual recomenda que o porte de maconha não seja uma infração criminal.
27 de outubro de 1969: A antropóloga Margaret Mead faz um depoimento ao Congresso: “O meu juízo ponderado é que, atualmente, a maconha não é nociva a menos que seja consumida em quantidades enormes e excessivas. Acho que estamos prejudicando este país, o problema da nossa polícia, a confiança entre idosos e jovens pela proibição dela e isto é muito mais sério do que qualquer prejuízo que possa ser feito alguns usuários exagerados”.
27 de outubro de 1970: O Congresso aprova a Lei Abrangente de Prevenção e Fiscalização do Abuso de Drogas [Comprehensive Drug Abuse Prevention and Control Act]. Ela fortalece a imposição da lei ao permitir que a polícia realize buscas “inadvertidas” e inclui a Lei de Substâncias Controladas [Controlled Substances Act] que estabelece cinco categorias (“schedules”) para regularizar as drogas com base em seu valor medicinal e potencial de dependência.
28 de outubro de 1972: Em uma declaração sobre a criminalidade e consumo abusivo de drogas na campanha para a reeleição, o presidente Richard Nixon diz: “Como resultado da nossa guerra total contra o abuso de drogas, o índice de crescimento na nova dependência da heroína caiu enormemente desde 1969. Por volta do próximo mês de junho, teremos criado a capacidade para tratar até 250.000 heroinômanos todos os anos – um aumento de trinta vezes em relação à quantidade de tratamento da dependência química financiado com recursos federais que existia quando tomei posse. A minha meta para os próximos 4 anos é que cada cidade estadunidense comece a perceber o tipo de vitórias na guerra contra a criminalidade que já alcançamos na Capital do País – onde o índice de criminalidade foi reduzido pela metade desde que o meu Governo tomou posse e onde as mortes por overdoses quase desapareceram... Este tipo de progresso pode e deve ser feito pelos Estados Unidos agora. Ganhando a guerra contra a criminalidade e a droga, podemos restaurar o clima social de ordem e justiça que assegurará a nossa sociedade da liberdade que deve ter para construir e crescer”.
27 de outubro de 1986: O presidente Reagan sanciona a Lei Antiabuso de Drogas de 1986 [The Anti-Drug Abuse Act of 1986], um enorme projeto geral antidrogas que destina $1.7 bilhão para “lutar contra a crise da droga”. A ação mais conseqüente do projeto de lei é a criação das penas mínimas obrigatórias para delitos de drogas.
26 de outubro de 1993: A Reuters informa que a National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML, sigla em inglês) se uniu a dezenas de escoteiros, Elks Clubs e demais grupos comunitários em um programa em que os participantes limpavam trechos da malha viária do Ohio. A Secretaria dos Transportes do Ohio negara a solicitação à NORML duas vezes antes, argumentando que isso estaria ajudando a dar publicidade a um grupo “ativista polêmico”. A União Estadunidense das Liberdades Civis interveio e o procurador-geral do Ohio forçou os funcionários dos transportes a ceder.
29 de outubro de 1993: Robert C. Bonner, o administrador da Administração de Repressão às Drogas (DEA, sigla em inglês), se demite depois de três anos no cargo para entrar no exercício privado do direito em Los Ângeles. Ele discordou com o aumento de ênfase do governo Clinton no tratamento da dependência químico, dizendo que equivalia a uma diminuição na ênfase na imposição da lei e a busca de cooperação de governos estrangeiros. “O tratamento da dependência química, particularmente nesta cidade, é o (método) bem otimista para como lidar com o problema das drogas. Não lida com nenhuma imposição das leis. Faz com que todos se sintam felizes e contentes... Acho que o tratamento está sendo sobreestimado”, diz Bonner.
30 de outubro de 1995: O presidente Bill Clinton sanciona uma lei aprovada pelo Congresso que rechaça uma medida da Comissão de Penas dos EUA para reduzir as sentenças para delitos de pedra de cocaína a fim de igualá-las com as de pó de cocaína.
26 de outubro de 1997: O Los Angeles Times informa que doze anos depois que um agente antidrogas dos EUA foi seqüestrado, torturado e assassinado no México, haviam surgido provas de que procuradores federais se fiaram em depoimentos perjurados e informações falsas, pondo em dúvida as condenações de três homens que agora cumprem prisão perpétua no caso.
27 de outubro de 1997: Depois de uma investigação de quatro anos e um julgamento de cinco meses, um júri federal entrega um veredicto absolutório a respeito de uma acusação de esquema criminoso contra dois ex-procuradores estadunidenses que se transformaram em advogados de um cartel do tráfico, mas não chegou aos veredictos sobre as acusações de narcotráfico e outras que foram feitas contra os dois advogados.
26 de outubro de 2001: Agentes da DEA aparecem de surpresa no LA Cannabis Resource Center, confiscando todos os computadores, arquivos, conta bancária, plantas e medicamentos do centro. A DEA cita uma recente decisão da Suprema Corte como justificação da sua ação. A horta canábica dos pacientes no lugar de West Hollywood é embargada por agentes da DEA apesar dos fortes protestos do prefeito e de muitos funcionários municipais e habitantes de West Hollywood.
27 de outubro de 2001: O Guardian (Reino Unido) informa que a maioria dos britânicos acha que a cânabis deveria ser legalizada e vendida sob autorização de maneira parecida com o álcool. Uns 65 por cento dos entrevistados concordam que ela deveria ser legalizada e 91 por cento disseram que ela deveria estar à venda sob receita para os que padecerem de doenças como a esclerose múltipla.
28 de outubro de 2002: O New York Post informa que a pesquisa Time/CNN revela que 72 por cento dos estadunidenses já sentem que as pessoas presas com pequenas quantidades de maconha não deveriam ser presas, enquanto que 19 por cento favoreceram colocar os fumantes de maconha na cadeia. Aproximadamente 60 por cento dos estadunidenses ainda querem que o porte de maconha seja considerado um delito criminal – mas 34 por cento favorecem a legalização total agora. A nova pesquisa também dá uma boa notícia aos ativistas e legisladores que pedem a legalização da maconha medicinal: 80 por cento dos entrevistados disseram que favoreciam dispensar maconha para fins medicinais.
31 de outubro de 2002: O Washington Post publica uma matéria sobre uma entrevista rara com Benjamín Arellano Félix, o homem acusado de administrar o cartel mais impiedoso do México, do presídio de segurança máxima de La Palma localizado em Almoloya de Juárez no México. Arellano disse que os Estados Unidos já haviam perdido a sua guerra contra as drogas e que as gangues violentas do narcotráfico vão prosperar contanto que os estadunidenses continuam comprando maconha, cocaína e heroína.
1° de novembro de 2002: Todos os procuradores dos Estados Unidos recebem uma carta do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas (ONDCP, sigla em inglês) e da Associação Nacional dos Promotores (NDAA, sigla em inglês) instando-os a tornarem o processo dos delitos de cânabis uma alta prioridade e a lutarem contra os trabalhos de relaxamento das leis sobre as drogas.
27 de outubro de 2004: Em um artigo de opinião assinado no jornal parisiense Le Monde, Raymond Kendall, o chefe da INTERPOL de 1985 a 2000, chama a proibição das drogas “obsoleta e perigosa” e diz que a sua continuação representa uma oportunidade não-aproveitada de reforma. Ele diz que a proibição não conseguiu proteger o mundo das drogas e que a Europa deve tomar a dianteira na reforma das leis sobre as drogas, particularmente na Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre as Drogas em Viena em 2008.

















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