Editorial: Sim, na verdade a guerra às drogas continua decepcionando, a DEA e o ONDCP
David Borden, Diretor-Executivo

David Borden
Não me espantei simplesmente porque dentro desta queda excessiva e duradoura, houve aumentos de vez em quanto, talvez uma vez a cada quatro anos mais ou menos. Fiquei surpreso com a maneira que alguém se surpreende quando se joga uma moeda e se vê que nas duas sai cara. Isso não acontece quase nunca - ou saem duas coroas, uma é cara e a outra é coroa, ou na primeira dá coroa e na segunda sai cara. Mas, em uma em cada quatro tentativas sairá cara nas duas em média.
Fiquei surpreso de novo na quarta-feira, quando vi a mesma matéria pela segunda vez algumas semanas depois, desta vez no Los Angeles Times. Mas, a minha surpresa não foi tanta assim - o ONDCP e a DEA são obviamente incentivados a apresentar uma matéria que lhes pareça favorável contanto que haja interesse nela.
Infelizmente, a palavra-chave aqui é "parece". Parece mesmo um grande salto quando se lê o que disseram ao Times. "[O] custo da cocaína aument[ou] 24%, de $95.89 para $118.70 a grama durante um período de seis meses com prazo final em junho". Está bem, mas quando se examina a folha informativa da DEA, fica-se sabendo que esse dado é uma média que inclui todas as compras de cocaína durante o período de tempo, tanto no atacado (do traficante ao vendedor) quanto no varejo (do vendedor ao cliente). A média no varejo - a quantidade significativa quando se trata do resultado final - passou de $145.42 para $166.90, um aumento menor do que 15%.
Em último caso, na verdade o preço não é o resultado final para que o programa para as drogas seja julgado, é claro. O resultado final que importa, afora as questões das liberdades civis, é o prejuízo geral para a sociedade vindo tanto das drogas quanto das políticas de drogas. Aumentar os preços pode resultar em mais criminalidade, por exemplo, e em mais dependentes sofrendo de destituição financeira e sendo levados a circunstâncias extremas. O preço - neste caso, o preço ajustado para um grama puro - é considerado uma medida da oferta de uma droga - quanto mais alto o preço da droga, menos disponível está e se esperam menos usuários. Ou pelo menos essa é a teoria. Nesta discussão, o preço no varejo é definido por compras de até 10 gramas, a escala utilizada pela DEA em seu programa de coleta de dados chamado STRIDE.
Se for assim, parece muito tolo falar de aumento dos preços em meio ano para $167 à luz disto aqui:

(Você vai perceber que estão faltando alguns anos. Foi difícil encontrar dados para 2000-2006 on-line nesta manhã. Ficaria grato se alguém pudesse me indicar o caminho e publicarei uma tabela completa aqui e no nosso blog. Os dados sobre os preços vêm do supracitado programa STRIDE, dividido pelos números do Índice de Preços ao Consumidor da Agência de Estatísticas do Trabalho.)
Dada a pequena quantidade que o preço de rua da cocaína ainda representa quando comparada com o passado, esta notícia recente simplesmente não me parece algo de que se deva gabar. Além disso, a crítica da DEA diz que eles analisaram dados que remontam a abril de 2005, mas só discutem o que aconteceu a partir do último mês de dezembro. Imagino o que isso quer dizer.
O importante é que quando se apresentam apenas os últimos seis meses aos repórteres, após várias décadas de dados que mostram algo diferente - quanto nem mesmo se apresenta na íntegra a linha do tempo que foi analisada no mesmo estudo que se acabou de completar, o argumento é fraco. Desculpe, a guerra às drogas continua fracassando, assim como sempre esteve.
Dá para saber mais sobre os ardis estatísticos dos secretários antidrogas adquirindo um exemplar de "Lies, Damn Lies, and Drug War Statistics". Mais bem, faça o seu pedido conosco.

















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