América Latina: Citando abusos de direitos humanos, funcionário mexicano pede a retirada do exército da guerra às drogas

patrulha antidrogas do exército mexicano
José Luis Soberanes, o diretor da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, fez o pedido de retirada dos militares da guerra sangrenta do México contra as drogas - mais de 1.500 pessoas foram mortas até este momento do ano -, enquanto lançava relatórios sobre quatro incidentes muito divulgados de abusos dos direitos humanos cometidos pelos militares. Eles são:
- Em maio, um incidente no estado central de Michoacán, no qual soldados que procuravam informações sobre traficantes estupraram duas mulheres e agrediram sexualmente dois menores após entrarem em seus lares sem mandado;
- Em maio, outro incidente em Michoacán no qual soldados torturaram sete civis e uma criança depois que uma patrulha militar foi atacada por gente desconhecida;
- No dia 1º de junho, um incidente em que soldados mataram três professoras e duas crianças a tiros em uma picape que eles disseram que não parou em um posto de fiscalização no estado de Sinaloa, no Litoral do Pacífico;
- O estupro de 14 mulheres no estado limítrofe de Coahuila depois que um chefe de polícia da região prendeu um soldado por pouco tempo.
Os soldados não são treinados para imporem a lei, disse Soberanes, e eles deveriam ser substituídos por policiais civis. "Um policial está adestrado para lidar cotidianamente com os cidadãos", disse Soberanes, "e, caso seja necessário, fazer uso de força gradual e comedida. Um soldado, pela delicada natureza de seus encargos, está treinado física e mentalmente para combater inimigos e obedecer a ordens de maneira implacável".
Vendo-se frente a frente com a escalada da violência entre as organizações do tráfico e entre elas e a polícia mexicana, o presidente Calderón dispersou militares em vários estados e cidades no país a partir do fim do ano passado. Milhares de efetivos foram enviados a Michoacán, Sinaloa e demais estados produtores de drogas.
Soberanes teceu os comentários dele enquanto o Tribunal de Contas dos EUA (GAO, sigla em inglês) lançava um relatório criticando a cooperação estadunidense com o México para combater o narcotráfico. Esse relatório, chamado "Controle das drogas: A ajuda dos EUA ajudou os trabalhos antidrogas mexicanos, mas toneladas de drogas ilícitas continuam fluindo em direção aos Estados Unidos" [Drug Control: US Assistance Has Helped Mexican Counternarcotics Efforts, But Tons of Illicit Drugs Continue to Flow Into the United States], descobriu que 90% da cocaína que entra nos EUA passa pelo México agora. Embora critique a corrupção e também a falta de esforço de parte dos mexicanos, elogiava Calderón por dispersar os militares na luta contra o narcotráfico.












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